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A Reforma do Ensino Médio: rumo a não educação


O anúncio da Reforma do Ensino Médio, que foi realizada por meio da Medida Provisória 746, pegou muita gente de surpresa e demonstrou que, dentre tantas outras, essa é mais uma medida do governo atual, empossado de forma ilegítima, pensada para servir a um tipo de sociedade desigual e excludente: com uma proposta de currículo flexível, a educação se aproxima, ainda mais, de um modelo que pretende atender às necessidades do capital, e não da formação plena de um ser humano, capaz de refletir e lutar por direitos, etc.

Renomados pesquisadores da área de Educação têm chamado a atenção para o risco desta opção de formação, destacando que os jovens estudantes de ensino médio são seres em formação, especialmente, formação política, e que, portanto, adotar este viés tecnicista, neste momento, é correr o risco de “desformar” mais que formar. Isso porque um currículo que visa formação técnica tem como objetivo preparar mão de obra para o mercado de trabalho, e não realizar uma formação plena, de cidadãos. Além disso, propor ensino em tempo integral é ignorar a realidade de grande parte dos jovens brasileiros das camadas mais pobres, que conciliam trabalho e estudo na busca por melhorias sociais.

A escolha por esta reforma não tem preocupação em atender às reais necessidades de mudanças no ensino, no sentido de melhorá-lo. Se assim o fosse, os pesquisadores e educadores que vêm, há muito tempo se debruçando sobre o tema, teriam sido consultados, e não foram. Para um governo que se fez de maneira ilegítima, é importante manter uma massa de pessoas com pouca ou nenhuma formação política!


Fonte: Notas FPA Política Social 357
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Ítalo Dorneles

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