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Racismo: a indignação seletiva no Caso Aranha x Caso Atlético-PR


O mundo dá voltas. Esta semana o STJD puniu o Atlético-PR porque um torcedor seu foi flagrado por uma câmera proferindo a palavra “macaco”, contra o jogador Tchê Tchê, do Palmeiras. Caso idêntico àquele do Aranha, famoso caso que aconteceu em 2014, na Arena do Grêmio, que resultou na exclusão do clube da competição da época. Só existiram duas diferenças entre o caso do Atlético e o do Aranha: esse racismo não comoveu ninguém e a punição foi uma branda multa de 10 mil reais.
 
A argumentação para excluir o Grêmio da Copa do Brasil, na época, é que o Grêmio se tornava responsável pela atitude dos seus torcedores e, principalmente, porque uma punição severa serviria de exemplo ao país todo, inclusive abrindo jurisprudência para o julgamento de novos casos de racismo que viessem a acontecer. Um discurso lindo que não passou de hipocrisia de um Tribunal que encontra lacunas nas suas próprias regras para fugir de punições, quando não lhe convém aplica-las.

Ah, na ocasião do Grêmio convinha sim. A comoção promovida pela televisão foi enorme instigando a revolta de uma população que só se irrita com as coisas quando alguém sinaliza para elas que é para se irritar. Ora, se isso não fosse verdade, por que não vimos sequer um textão em rede social criticando o torcedor racista? Ou alguma daquelas reportagens sensacionalistas em horário nobre, fazendo closes no rosto do infrator e buscando históricos de contravenções da torcida atleticana? Por que o homem em questão não sofreu ameaças, não teve que mudar de cidade e de emprego graças à população raivosa (a qual não percebe que se torna ainda mais delinquente quando age assim)?
 
Não desejo que o torcedor atleticano que proferiu o termo “macaco” passe por isso, porque isso é desumano e desproporcional. O que ele deve “sofrer” é a pena criminal cabível ao caso, apenas isso. Como deveria ter acontecido com a gremista no caso Aranha. Certo, mas esta é a punição da esfera criminal. E na esfera desportiva? No mínimo aplica-se a mesma punição a todos, não é?
 
Mas é claro que não. Vivemos num país cujas regras são interpretadas conforme os sujeitos do caso. No futebol, então, isso a gente percebe em cada partida, várias interpretações diferentes de um mesmo lance. Já o STJD, por exemplo, órgão que deveria inspirar a confiança na aplicação justa e imparcial das normas, ultimamente só inspira desprezo.
 
É curioso que algo terrível como o racismo, desta vez, não revolte o auditor e o relator do processo. Talvez porque dessa vez não teve a mídia para evidenciá-los ou porque a politicagem não lhe exigia isso.
 
Olha só a declaração do relator do processo do caso do Atlético-PR:
 
“A torcida é patrimônio público e nesse caso se aplica a responsabilidade objetiva. De fato concordo com a defesa que o clube fez tudo que poderia. Na minha limitação, vejo a infração, mas não consigo comparar em absolutamente nada com o caso do Grêmio. Acolho a denúncia e julgo procedente para condenar o clube Atlético/PR com multa de R$ 10 mil e determinando que o clube adote medidas possíveis para evitar que o torcedor identificado não ingresse no estádio (Arena da Baixada) pelo prazo de 720 dias”, votou Rodrigo Raposo.
 
Mas e aquela história de combate ao racismo? Dessa vez não precisa servir de exemplo? Será que a palavra “macaco” falada dessa vez não é algo tão sério assim, afinal quase ninguém ficou sabendo? Mais triste que o racismo é quem só se sente incomodado com ele às vezes.

Jéssica Cescon Antunes
Twitter: @gremistaloca
Contato: ajcescon@gmail.com


Fonte: blog Imortal Tricolor - blog do torcedor
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Ítalo Dorneles

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