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Manifestações a favor da democracia trazem juventude e população não-branca de volta às ruas

Assim como em março de 2015, a Fundação Perseu Abramo realizou pesquisas nos atos realizados na Avenida Paulista, em São Paulo, nos dias 13 e 18 de março de 2016, com o objetivo de mapear novamente o perfil e as opiniões dos manifestantes, comparando-as entre si e com o resultado obtido na primeira pesquisa.

Com perfil elitizado (média 10 salários mínimos - R$ 8.823,00), os manifestantes pró- impeachment representam um segmento específico da população brasileira. A juventude, um terço da população(36%), esteve sub-representada no dia 13 (14%), mas foi responsável por cerca de um terço da presença nas ruas no dia 18 (30%).Os manifestantes do dia 18 se aproximam mais da composição étnica da população: 50% brancos e 40% não brancos na manifestação, 48% e 51% na população. No dia 13, 70% eram brancos.

As motivações para ida às ruas foram distintas: no dia 13, corrupção e impeachment (58% e 39%), e, no dia 18, a defesa do governo e da democracia (64% e 53%, respectivamente). As redes sociais foram fundamentais na convocação de ambas as manifestações (73% no dia 13 e 56% no dia 18), mas a mídia tradicional teve papel importante na convocação do dia 13 (38%). Em ambas, a participação em algum grupo organizado de ação política é baixa: no dia 13, 85% não participam de nenhum grupo e, no dia, 18, 47%.

Dois terços (66%) dos manifestantes pró impeachment são a favor da convocação de novas eleições ainda neste ano. Outros 10% defendem a intervenção das Forças Armadas. A expectativa de que o impeachment ocorra é de 70% no dia 13 e de 18% no dia 18. A maior parte dos manifestantes contra o impeachment (71%) é otimista quanto à continuidade do governo.

Metade dos que foram às ruas pró-impeachment (48%) diz que a responsabilidade pela crise é de todos os membros do governo, enquanto outros 19% a atribuem à presidente Dilma e 18% a Lula. Quanto a quem solucionaria a crise atual, 25% não sabem, enquanto 21% acreditam que o Congresso Nacional teria essa competência. Para 16% isso cabe à oposição e 12% apostam em Aécio Neves. Já os contra o impeachment responsabilizam o Congresso Nacional (34%) e a oposição (33%) e esperam que a solução venha de Lula (26%), de todos os membros do governo (25%) ou da presidente Dilma (19%).

Entre os manifestantes pró-impeachment, 76% votaram em Aécio no 2º turno nas eleições de 2014. Em novas eleições, Aécio obteria apenas 32% dos votos destes, empatado tecnicamente com Jair Bolsonaro (27%), e teria perdido, portanto, mais de 40% de seu eleitorado, perda capitalizada por Bolsonaro, seu principal concorrente no grupo. Por outro lado, dos que se manifestaram conta o impeachment, 87% votaram em Dilma no 2º turno nas eleições de 2014 e, em novas eleições, teriam Lula como principal opção (68%).
Metade (51%) dos manifestantes pró-impeachment não tem preferência partidária. Outros 27% dizem preferir o PSDB. Entre os manifestantes contra o impeachment, 52% preferem o PT e 25% preferem o PSOL, em comparação a 10% do ano passado. Outros 13% não têm preferência partidária.

A maior parte dos manifestantes pró-impeachment se declara de direita (44%) ou de centro (40%), enquanto entre os manifestantes contra o impeachment 83% se posicionam à esquerda. A democracia é vista como a melhor forma de governo entre os dois grupos (85% e 93% dos manifestantes respectivamente, nos dias 13 e 18), porém, 11% do manifestantes pró-impeachment admitem que em certas situações é melhor uma ditadura do que um regime democrático. Segundo ampla maioria do grupo pró-impeachment, em situação de muita desordem os militares devem intervir (79%).

veja a pesquisa na íntegra


Fonte: Notas Fundação Perseu Abramo - Política e Opinião Pública
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Ítalo Dorneles

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