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Tenho orgulho de ser juiz!

Poucos dias depois de o magistrado carioca João Batista Damasceno, juiz de Direito da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro, ter tornado público seu artigo “Tenho vergonha de ser juiz”, a Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj) apresentou, em seu saite, um texto que seria um contraponto, ou pelo menos um outro enfoque sobre o exercício da magistratura.

Segundo a Amaerj, “de acordo com o dicionário, vergonha é um sentimento penoso por se ter cometido alguma falta, opróbrio, desonra pública, vexame ou humilhação. Este, portanto, não é um sentimento que se coaduna com a importância do exercício do cargo da magistratura.

O juiz é, acima de tudo, o garantidor dos direitos fundamentais, um destemido em busca da ordem, da legalidade, da honra e da liberdade. Como ter vergonha da profissão que garante o Estado Democrático de Direito? A magistratura é a mais bela das profissões.

Nós temos orgulho de sermos juízes”.

Conforme a Amaerj, o texto do juiz Milton Delgado Soares “expressa o sentimento da diretoria da associação e da classe”.

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Tenho orgulho de ser juiz!

Artigo do juiz Milton Delgado Soares, a 5ª Turma Recursal dos JECs e JECRIMs do TJ do Rio de Janeiro

Tenho orgulho de ser juiz num país em que nós somos a tábua de salvação e a luz no fim do túnel para a imensa maioria da sociedade.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que as minhas vontades sejam contrariadas em interesse da maioria.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que a minha projeção pessoal na carreira flua de maneira mais lenta do que imaginava inicialmente.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que não consiga fazer valer as minhas posições pessoais e o meu conceito de justiça, ante a fragilidade das minha argumentações, junto aos meus pares em julgamento colegiado.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que a sociedade e a imprensa, muitas vezes, nos considere os maiores algozes e responsáveis pela miséria e calamidades pela qual passa a sociedade.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que tenha dispensado energia em prol da celebração da maior expressão da democracia e os eleitos no pleito acabem perdendo o cargo em decorrência de ação de improbidade julgada, por mim mesmo ou meus pares, posteriormente, em defesa silenciosa da sociedade.

Tenho orgulho de ser juiz, quando defiro uma liminar capaz de salvar uma vida ou fornecer um medicamento a quem precisa.

Tenho orgulho de ser juiz quando findo um processo de adoção e consigo colocar uma criança desamparada em uma família que lhe dará todo amor, carinho e oportunidade de sobreviver em um mundo cada vez mais desigual.

Tenho orgulho de ser juiz, quando consigo proteger uma criança, adolescente ou mulher vítima de violência doméstica.

Tenho orgulho de ser juiz, ainda que o imposto que eu cobre não seja aplicado, por quem de direito, em serviços públicos para a sociedade e acabe servindo para fins escusos e tenhamos, mais uma vez, que usar a nossa missão constitucional em defesa silenciosa da sociedade.

Tenho orgulho de ser juiz, pois, em apenas cinco minutos de reflexão, pude elencar motivos sociais importantes para continuar a minha luta silenciosa na busca de um mundo digno de se viver.

Tenho orgulho de ser juiz, pois tenho certeza de que não sou Deus, dono do mundo e nem mesmo perfeito.

Sou apenas um ser humano que trabalha e se preocupa, silenciosamente, em fazer o bem para a sociedade, não obstante reconheça as minhas limitações naturais de ser humano.

Um abraço para todos que, como eu, têm orgulho de ser juiz.


Fonte: Espaço Vital, notícias jurídicas
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Ítalo Dorneles

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