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A vida de um ex-hacker que agora está proibido de usar a internet

Por: Felipe Ventura

Quando o programador Higinio Ochoa quer enviar o código de um novo programa para o chefe, ele tem que mandar tudo via papel. É que Ochoa foi condenado por ser hacker, e sua punição é não ter permissão para usar a internet.

Isso torna a vida muito estranha, especialmente para quem trabalha como programador. O podcast Reply All conversou recentemente com Ochoa, para saber como é a vida sem internet.

Hackeando

Em 2011, Ochoa fez parte de um grupo de hackers afiliados ao Anonymous, chamado Cabin Cr3w, que invadiu sistemas internos da polícia americana. Eles vazaram 3 GB de e-mails, incluindo mensagens preconceituosas contra mulheres e muçulmanos; e revelaram dados pessoais de mais de cem policiais de Los Angeles.

No ano seguinte, Ochoa conseguiu invadir o banco de dados do NCIC (National Crime Information Center), que é mantido pelo FBI. Ele postou um tweet na conta @Anonw0rmer, direcionando seus seguidores para um site no qual ele postou as informações roubadas.

http://t.co/iBo3Uf9d | Police Emails Hacked | #PedoCop Dox http://t.co/7rE7zjgl (via @ItsKahuna @CabinCr3w

— FBI HaZ A File on ME (@Anonw0rmer) February 21, 2012

O deslize

Ochoa – também conhecido como w0rmer – gostava de provocar seus alvos. Por isso, ele postou nesse site a foto de uma mulher com biquíni e os dizeres “PwNd por w0rmer & CabinCr3w”. Não foi a melhor ideia do mundo: os metadados da foto foram usados como pistas pelo FBI.

O ex-hacker diz na entrevista que deve ter enviado a imagem por engano – ele sempre removia os metadados – e achou que não seria um problema. Mas, algumas semanas depois, agentes do FBI estavam batendo à porta e apontando armas para ele.


A foto, tirada com um iPhone, tinha dados de GPS mostrando que foi capturada em Wantirna South, subúrbio de Melbourne, Austrália. Outros tweets de @Anonw0rmer apontavam para outros sites que traziam mais fotos desta mulher.

O FBI obteve acesso à conta de Ochoa no Facebook, e descobriu que a namorada dele morava em Wantirna South, e era a mesma mulher que aparecia de biquíni nas fotos.

Ochoa foi condenado a 27 meses de prisão, cumprindo 18 meses da pena. Ele agora está em liberdade condicional: pode ficar fora da cadeia, desde que não se conecte à internet.
Vida sem internet

Most dugg on @digg: When Going Online Will Send You To Prison – http://t.co/q1dJcOC9AE pic.twitter.com/MrMbARp2FN

— Michael van Laar (@MichaelvanLaar) April 24, 2015

Atualmente, Ochoa mora em Austin, Texas com a esposa Kylie – a mulher que apareceu de biquíni nas fotos – e o filho Brody.

Ele trabalha como programador em uma empresa, que não pode ser revelada devido a um acordo de confidencialidade. Para enviar o código que ele produz, o processo não é muito simples:

“Eu tenho um USB para transferências”, diz ele. “Fica ali. O pequeno e azul. Eu o conecto, jogo o código lá dentro e o entrego para minha esposa.” A partir daí, Kylie o envia por e-mail para o chefe dele. Como o agente de liberdade condicional de Higinio não quer Kylie atuando como um intermediário entre Higinio e a internet, ele é obrigado a imprimir o código quando se trata de lotes maiores. A papelada é enviada por correio para a empresa, e lá alguém digita tudo no computador.

Ochoa não pode tocar em nada que esteja conectado à internet, seja um tablet, smartphone ou smartwatch. A esposa dele precisa navegar pelo catálogo do Netflix, além de pausar vídeos e avançar para o próximo episódio.

O ex-hacker diz que às vezes, enquanto está dormindo, ele sonha que voltou à internet. Ele vai de site em site, e de repente, percebe que está violando a liberdade condicional, colocando em risco o próprio futuro e o da família dele. “O bem-estar do meu filho e da minha esposa… tomou o lugar da internet”, diz ele.

Ochoa não foi banido eternamente da internet e espera que, na próxima audiência com o juiz, ele volte à rede mundial com monitoramento da polícia. E o que ele planeja fazer?

Por mais nerd que isso possa parecer, eu planejo atualizar tudo. Eu gosto de me manter informado sobre as mais recentes ferramentas, as últimas notícias. Eu gostaria de começar a trabalhar com as pessoas na indústria e fazer isso mais como uma profissão, em vez de algo para irritar policiais. Isso é o que eu faria. É provável que eu comprasse imediatamente um monte de domínios e um endereço de e-mail, sim. Provavelmente eu ouviria música na rádio Pandora também.

Confira a história completa no Digg, e ouça o podcast (em inglês) aqui. [Digg]


Foto por ben dalton/Flickr

Fonte: GizModo Brasil junto ao Portal Uol

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Ítalo Dorneles

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