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A beleza e a justa causa

Charge de Gerson Kauer

A blitz é rotineira, num horário pós-balada.

Na direção de um belo carro esportivo do ano está uma mulher jovem, bem maquiada, vestido chamativo, sóbria.  Bebera apenas água.

O jovem  agente da empresa pública que fiscaliza o trânsito conversa com a motorista sobre os riscos de beber antes de dirigir. Cumprimenta-a por não ter ingerido bebida alcoólica.

Ela ´dá linha´.  O papo se prolonga e o agente cria a percepção de que está sendo correspondido para engatar  'algo mais'.

Mas ele está em serviço e conforma-se em encerrar a abordagem, quando o supervisor faz um sinal, determinando pressa no encerramento da diligência.

- Até a próxima blitz... – despede-se sorridente a mulher encantadora, que também insinua um olhar provocante.

No dia seguinte, o agente consegue o celular dela, a quem dispara um telefonema:

- Aqui é o fulano, estava de serviço ontem na blitz, foi um prazer ter te conhecido. Espero poder te rever em outras circunstâncias especiais...

E por aí se vai a galante tentativa. Um minuto depois, a jovem mulher breca:

- Te flagra, fica no teu nível e não me azucrina mais a paciência.

Uma semana depois, bate na direção da empresa pública uma carta com minucioso relato feito pela mulher, acompanhado de um pen-drive contendo a gravação do telefonema.

O agente é demitido por justa causa. O caso vai à Justiça do Trabalho. A inicial sustenta não ter havido falta grave, mas “apenas a emoção do momento, ante a abertura proporcionada pela própria pretensa vítima de uma ofensiva de bem”.

As provas são colhidas.

Em razões finais o advogado de defesa arremata que “depois de tantos anos de profissão, não quero crer que vá ter que aprender que admirar o belo seja motivo para demissão por justa causa”.

Ainda não há sentença.
Fonte: Espaço Vital, notícias jurídicas
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Ítalo Dorneles

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