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PSDB e PSB perdem governos estaduais, e PCdoB e Pros aparecem

Por Giselle Souza

O resultado das urnas para os governos dos estados nestas eleições fez surgir uma nova divisão de forças entre os partidos políticos. No pleito de 2010, o PSDB havia sido a legenda que mais elegera governadores, com um total de oito. Neste ano, porém, os tucanos perderam espaço e quem levou a melhor foi o PMDB, com a eleição de sete novos chefes para os Executivos estaduais.

Nos dois turnos, o PMDB elegeu sete governadores: Jackson Barreto, em Sergipe; Renan Filho, em Alagoas — filho do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e que será o mais jovem a governar o estado, prestes a completar 35 anos —; José Ivo Sartori, no Rio Grande do Sul; Paulo Hartung, no Espírito Santo; e Marcelo Miranda, no Tocantins. E reelegeu Luiz Fernando Pezão, no Rio de Janeiro — que, com 4.349.117 votos, ganhou com quantidade menor que a soma de abstenções e votos nulos e brancos: 4.343.226 — ; e Confúcio Moura, em Rondônia.

O PSDB aparece na segunda posição no novo mapa da divisão dos estados. Serão cinco os governadores tucanos: Reinaldo Azambuja, eleito em Mato Grosso do Sul; Marconi Perillo, em Goiás — pela quarta vez — e Simão Jatene, no Pará — onde há 20 anos as eleições são decididas no segundo turno —; além de Beto Richa e Geraldo Alckmin — reeleito para mandato que colocará o PSDB por 24 anos à frente do Executivo paulista —, reeleitos para os governos do Paraná e de São Paulo.

O PT, por sua vez, manteve o número de governadores eleitos — cinco no total, a maior parte no Nordeste. Foram eleitos Fernando Pimentel, em Minas Gerais; Rui Costa, na Bahia; Camilo Santana, no Ceará — primeira vez do partido na história do estado —; e Wellington Dias, no Piauí. E reelegeu Tião Viana, no Acre — onde o partido vai acumular 20 anos no poder, após a vitória mais apertada do segundo turno, com diferença de apenas 2,5% dos votos. A maior vitória foi em Minas Gerais, estado onde governou o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), mas onde a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) acabou angariando mais votos. A maior derrota foi no Rio Grande do Sul, onde o partido não conseguiu reeleger Tarso Genro, que perdeu para José Ivo Sartori, do PMDB. Os gaúchos também preferiram Aécio a Dilma. O estado jamais reelegeu um governador.

O PSB também perdeu espaço em relação ao pleito de 2010, quando havia conseguido seis estados. A partir de 2015, o partido comandará Pernambuco, com Paulo Câmara; Distrito Federal, com Rodrigo Rollemberg — filho do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Armando Leite Rollemberg —; e Paraíba, com Ricardo Coutinho, este último reeleito.

A mais recente divisão dos governos estaduais tem partidos diferentes. É o caso do PDT, que em 2010 não elegeu nenhum governador, mas nessas eleições conseguiu emplacar Pedro Taques, em Mato Grosso — onde não há segundo turno há 20 anos —; e Waldez Góes, no Amapá.

O PSD foi outro que conseguiu marcar presença ao eleger Raimundo Colombo, em Santa Catarina; e Robson Faria, no Rio Grande do Sul.

Com um governador eleito cada um, PC do B e o Pros também conseguiram entrar. O primeiro elegeu Flávio Dino, no Maranhão, e o segundo emplacou José Melo, no Amazonas.

Fechando a conta, o PP elegeu Suely Campos em Roraima. Ela será a única governadora do país nos próximos quatro anos, após vencer o atual governador Chico Rodrigues (PSB). Suely substituiu, na última hora, o marido Neudo Campos (PP), que teve a candidatura cassada com base na Lei da Ficha Limpa.

Surpresas e destaques
Rio Grande do Sul e Distrito Federal registraram as viradas mais marcantes. No primeiro, José Ivo Sartori (PMDB) começou a campanha com apenas 4% das intenções de votos, segundo pesquisas, e acabou com 61,21% dos votos no segundo turno, contra 38,79% de Tarso Genro (PT), a vitória por maior margem no segundo turno. Na capital federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), também considerado "zebra", contou com fatores "extracampo": a morte do candidato à Presidência da República pelo PSB Eduardo Campos, que sensibilizou os eleitores, e a cassação da candidatura do favorito nas pesquisas, José Roberto Arruda (PR), por decisão judicial. Arruda foi considerado inelegível devido aos critérios da Lei da Ficha Limpa, que proíbe que condenados por um tribunal concorram.

Robinson Faria (PSD) foi outro protagonista de vitória marcante. Ele derrotou o atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), que ficará sem mandato após 44 anos como deputado federal. O atual mandatário sairá da Câmara em dezembro.

Com a eleição apenas de Suely Campos, o país reduz a participação das mulheres nos governos estaduais. Em 2010, duas haviam ganhado as eleições: Rosalba Ciarlini (DEM), no Rio Grande do Norte — que agora conseguiu eleger para seu cargo o atual vice, Robinson Faria, findando uma hegemonia feminina que vinha desde 1994 —, e Roseana Sarney (PMDB) — que perdeu a eleição para a surpresa Flávio Dino (PCdoB) — que tirou a família Sarney do poder. Por outro lado, o país terá sete vice-governadoras: Nazareth Lambert (PT), no Acre; Izolda Cela (Pros), no Ceará; Professora Rose (PSDB), em Mato Grosso do Sul; Lígia Feliciano (PSB), na Paraíba; Cida Borghetti (Pros), no Paraná; Margarete Coelho (PP), no Piauí; e Cláudia Lelis (PV), no Tocantins.

[Notícia alterada em 27/10/2014 para correção de informações.]


Fonte: Revista Consultor Jurídico, 26 de outubro de 2014.
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Ítalo Dorneles

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