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Eleições no Uruguai: dois projetos em disputa no segundo turno

No último domingo, o Uruguai foi às urnas para eleger o próximo presidente da República, deputados e senadores, bem como para votar em um plebiscito sobre a redução da maioridade penal.

Conforme se esperava, a disputa presidencial será decidida no segundo turno, a realizar-se no dia 30 de novembro, entre o candidato da Frente Ampla, ex-Presidente Tabaré Vázquez (47,8% dos votos no primeiro turno), e o candidato do Partido Nacional, Luis Lacalle Pou (30,9% dos votos). O candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, ficou em terceiro lugar com 13% dos votos. Ao contrário do que indicavam as pesquisas, a soma dos dois candidatos opositores não logrou superar a votação da Frente Ampla. No próprio domingo, Bordaberry anunciou sua disposição em apoiar Lacalle Pou no segundo turno.

O Uruguai não tem reeleição e Tabaré Vázquez, que foi eleito presidente em 2004, concorre agora para suceder o presidente Pepe Mujica, e chegar ao terceiro governo da Frente Ampla. Lacalle Pou, embora se apresente na campanha como o candidato da renovação, traz propostas políticas que já se fizeram presentes no Uruguai, quando seu pai Luis Lacalle, governou o país nos anos 1990 e implementou reformas liberalizantes. Assim como no Brasil, teremos no Uruguai um segundo turno marcado por dois projetos políticos, no qual estará em jogo posições distintas sobre integração regional e sobre o alinhamento com os EUA (Lacalle Pou já sinalizou sua intenção de negociar acordos bilaterais fora do Mercosul), sobre as regulamentações na relação entre Estado e mercado e também sobre valores e costumes (o candidato da oposição se manifestou favoravelmente à redução da maioridade penal e já expressou seu desejo de rever a política de descriminalização da maconha atualmente em vigor no país).

Contrariando os prognósticos dos institutos de pesquisa de opinião, a Frente Ampla alcançou maioria parlamentar nas eleições de domingo. Na Câmara formada por 99 representantes, a FA terá uma bancada com 50 deputados. No Senado, formado por 30 Senadores eleitos e pelo vice-presidente da República, que constitucionalmente exerce a presidência da casa, a FA alcançou 15 senadores. A consolidação da maioria no Senado, portanto, será definida também a partir da votação no segundo turno presidencial. Dentro da Frente Ampla, formada por várias agrupações políticas, o Movimiento de Participación Popular, se mantém como primeira força política, com seis senadores, dentre os quais o atual presidente Pepe Mujica.

Embora nos últimos dias se apontasse uma tendência à aprovação da redução da maioridade penal no plebiscito, o alto número de indecisos permitiu a rejeição da proposta. Segundo as regras deste plebiscito, só votavam os eleitores favoráveis à redução; eleitores contrários ou indecisos não precisavam se manifestar pelo voto.


Fonte: Boletim Semanal de Conjuntura Internacional 05 da Fundação Perseu Abramo
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Ítalo Dorneles

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