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Debate dos governadores na TVCom


Oito personagens enfileirados, um apresentador e uma câmera aberta, quase estática. Começa o primeiro debate dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul. Quase um antiprograma de televisão, feito na medida para desencorajar o assistente/eleitor, seja pela quantidade de candidatos com pouco a dizer, seja pelo formato pouco criativo adotado pela emissora.

Com o foco da câmara fechado no candidato que detinha a palavra, de maneira morna, os candidatos apresentaram mais seus diagnósticos e menos suas propostas para o governo do Rio Grande do Sul. A dívida pública do Estado com a União, a educação e a segurança foram os grandes temas abordados, entrando também a saúde, principalmente no primeiro bloco, e, de modo genérico, “tudo o mais”.

Roberto Robaina, do PSOL, como que entoando uma velha canção de Raul Seixa, garante que “nós não vamos pagar nada”. A dívida era de 10 milhões, já pagamos 20 milhões e ainda devemos 40 milhões, diz ele, emendando que quem se beneficia com isso é o capitalismo financeiro e as cinco mil famílias que o dominam. Para que a acusação fique mais enfática, ele mistura, propositalmente, o sistema financeiro privado com o público e acusa o Governo Dilma de estar a serviço daquele. No mais, provocou Ana Amélia e Tarso Genro.

João Rodrigues, do PMN, diz que está doente, que passou a noite toda tomando remédios e que, por isso, não tem condições de responder a tudo, mas que foi ao debate porque acha que “é importante para o povo” ele estar ali. Ele afirma que tem certeza de que basta aumentar o efetivo da Brigada Militar e qualificar os brigadianos para resolver os problemas de segurança no Rio Grande do Sul. Para todas as demais questões, sua resposta é única: está tudo no seu programa de governo registrado no TRE e disponível no site do seu partido, basta acessá-lo.

Édison Estivalete Bilhalva, PRTB, explica a origem dos seus sobrenomes e explica também que seu partido é herdeiro do antigo trabalhismo varguista, só que “mais à direita”. Convencido de que o povo quer “renovar tudo”, conforme “já deixou claro nas manifestações” de julho de 2013, foi ao debate pilchado, de botas e de lenço verde amarrado ao pescoço, renovando (?), o visual gaudério. Ex-brigadiano, ele afirma que “é fácil” resolver os problemas de segurança no estado: basta valorizar os brigadianos.

Humberto Carvalho, PCB, vai pagar o piso nacional do magistério, para que os professores estaduais “não tenham que dar aulas em três ou quatro escolas para garantir o seu salário”, deixando dúvidas sobre o quanto sabe que o(a)s professore(a)s das escolas públicas são remunerados de acordo com seu regime de trabalho e não pelo número variável de horas/aula que ministram. Afirmando que as oito mortes de trabalhadores nas obras da Copa [em todo o Brasil] é coisa do capitalismo que suga os trabalhadores deixando só o bagaço, ele conclama o povo para ir às ruas e construir o socialismo.

Vieira da Cunha, PDT, recém saído da base governista e coligado com partidos de direita, mas convencido de que disputa o eleitorado de centro-esquerda, veste o figurino do crítico mais veemente ao atual governador, criticando sua falta de empenho em renegociar a dívida do Estado com a União, e entende que a segurança no Rio Grande do Sul está um caos porque “não tem padrão Fifa no policiamento”. Garante que irá manter os “bons projetos do atual governo” e dos anteriores, mas afirma que, se necessário, entrará na Justiça para exigir a renegociação do pagamento da dívida estadual.

Ana Amélia Lemos, do PP, tentando se desvencilhar das suas ligações à direita recorre à velha estratégia de desqualificar o debate ideológico, alegando que ele “não coloca alimento no prato das pessoas” e que ela “vai governar para todos”. Sem afirmar que vai pagar o piso nacional do magistério, ela se limita a prometer que vai honrar os aumentos concedidos pelo atual governador. Para solucionar os problemas financeiros do Estado ela garante que vai demitir os CCs (cargos em comissão – funcionários públicos de confiança) e que vai “enxugar a máquina pública”.

José Ivo Sartori, do PMDB, diz que vai combater a violência e resolver os problemas de segurança com a “cultura da paz”. Portando-se ainda como prefeito, ele cita os projetos que realizou em seu município e afirma pretender implantá-los no Estado. Relembra seus ideais de estudante, defende um novo pacto federativo para resolver a questão da saúde e afirma também que vai “governar para todos”.

Tarso Genro considera que os demais candidatos estão falando de outro Estado, não do Rio Grande do Sul. De acordo com sua visão, tudo melhorou por aqui. O RS cresceu “o dobro, o triplo do país”; os professores receberam 76% de aumento e “nenhum governo deu a metade [disso]”; “pela primeira vez se investe 12% em saúde” no Estado. Afirmou que fez acordo para renegociar a dívida do Estado com a União e que o ex-governador Olívio Dutra já entrou na Justiça para renegociar a dívida, mas perdeu. Finalizou ressaltando que existem dois projetos em debate no Estado: o seu, que visa qualificar os serviços públicos e promover o crescimento com redistribuição de renda, e outro, que visa enxugar o Estado e demitir pessoal.

Sem sal, tanto pela cautela excessiva dos candidatos, que não quiseram eleger seus principais adversários, quanto pelas amarras das regras do debate e pela opção estética da emissora, o programa foi pouco atrativo e, com certeza, teve baixíssima audiência. Além de Robaina, com sua metralhadora giratória sem mira e sem definir seus reais opositores, apenas Tarso e Vieira arriscaram-se a sinalizar quem serão seus adversários preferenciais. Vieira elegeu Tarso e Tarso elegeu Ana Amélia, mas o fez apenas na sua última fala.

Deixando de lado as candidaturas “de mentirinha”, que entram na disputa apenas para garantir exposição midiática e algumas até para fazer dobradinha oculta com outras candidaturas, Sartori e Ana Amélia evitaram explicitar seus projetos, limitando-se a fazer propostas genéricas e a afirmar que pretendem fazer uma melhor gestão do Estado e “governar para todos”. A pergunta que fica é: Todos quem?

Os recursos públicos são sempre finitos e, no caso do Rio Grande do Sul e de sua dívida, extremamente escassos. Sabendo-se que governar é definir prioridades e fazer escolhas, por mais que se deseje distribuir benefícios a todos, sempre existirão os que se beneficiarão mais e os que se beneficiarão menos das ações de governo. Definir quem serão os mais beneficiados e quem serão os menos beneficiados será sempre o maior desafio de qualquer governo.

Por mais que alguns procurem negar, esta é uma questão ideológica e é, com certeza, da sua resolução que depende a quantidade maior ou menor de bem estar social e de “alimento no prato das pessoas”.

Alguns comentários do portal Sul21:

Guilherme Rodrigues disse:
7 de julho de 2014 às 13:42
Parece brincadeira ouvir a senadora Ana Amélia dizer que vai demitir os CC’s. Logo ela que briga pelo fim do concurso público como critério de admissão para o cargo de procurador nos mais de 95% dos municípios brasileiros. Só apadrinhados… A proposta nada republicana foi apresentada por ela no Senado (Emenda 03 à Pec 17/2012) e vai estimular ainda mais os atos de corrupção. Acorda Rio Grande!

Eduardo B. disse:
7 de julho de 2014 às 16:16
Ana Amélia vai extinguir CCs?
Em uma máquina pública que custa 12 bilhões de reais em 12 meses, sendo que 100 mil professores ativos e 100 mil professores aposentados custam uns 7.5 bi.
Tirando todos os CCs deveremos passar de 12.000.000.000 para 11.995.000.000 ao ano.
Bela proposta salvadora de quem não discutiu nada e alimenta mitomanias populares.
Enxugar uma máquina pública que tem 99% da sua despesa comprometida com coisas que não podem ser cortadas.
Tão ruim como parar de pagar o que já foi renegociado duas vezes e ver o Banrisul ser executado.
Pois o Banrisul está hipotecado nessa dívida, faltaram nos informar.
Propostas malucas e fora de órbita são o mesmo que nada, estão tratando o ouvido do eleitor como depósito de lixo.

Foto: Jornalismob.com
Fonte: Sul21
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Ítalo Dorneles

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