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Artigo: A cultura popular, o carnaval e a economia criativa

Por Adão Villaverde*

A audiência publica que promovemos na Assembleia Legislativa sobre a “Cadeia Produtiva do Carnaval”, tornar-se-á um marco no diálogo com a cultura popular, o carnaval e o desenvolvimento do RS. Para além de ser uma das maiores festas do mundo, o carnaval faz uma interface com geração de renda, emprego e cultura popular, que nem sempre é percebida por quem apenas assiste.

No RS, de forma inédita a cultura popular do carnaval foi contemplada na proposta orçamentária de 2014: o setor receberá repasse de R$ 1.040.000,00 com recursos diretos do Tesouro do Estado, sendo R$ 700 mil conquistados pelo processo de “Consulta Popular” junto ao Corede Metropolitano Delta do Jacuí e R$ 340 mil como contrapartida da Secretaria Estadual da Cultura, referente ao aporte de R$ 3 milhões conquistados via convênio do Ministério da Cultura, articulado pelo deputado Paulo Ferreira, que resultará num total de R$ 4.040 milhões pra incentivo desta economia, para apoio à cultura popular do carnaval na forma de edital.

A partir deste fomento do Estado gaúcho em parceria com o Governo Federal na “Cadeia produtiva do Carnaval”, estabelecemos uma ferramenta pública que facilitará a articulação do setor. É importante destacar que o “desfile das escolas de samba”, é o produto final por excelência desta “Cadeia”. Entretanto, deve ser percebido como um processo cujo desenrolar, etapa por etapa – da pré-produção ao consumo – leva a um produto final que é consumido por milhares de pessoas ao vivo e milhões de telespectadores no país e no mundo. Trata-se da “fabricação”, forçando a analogia, de um entretenimento. Desde a produção da matéria prima que será transformada em fantasias e carros alegóricos, passando pela elaboração de projetos criativos, por obtenção de recursos financeiros, divulgação e marketing até a recepção pelo público do produto f inal. A “cadeia Produtiva do Carnaval”, pode ser traduzida num conceito formal de “Economia Criativa e multidisciplinar, pois lida com a interface entre economia, cultura, emprego, renda e tecnologia”.

A visão do setor deve ser compreendida literalmente como “cadeia produtiva” e geradora de desenvolvimento, visto que emprega costureiras, bordadeiras, aderecistas, artesãos, engenharia, informática, soldadores, marceneiros e tecnologias cada vez mais sofisticadas.

Segundo o painelista e professor Luiz Carlos Prestes Filho, que coordenou o Núcleo de Estudos da Economia da Cultura (Gênesis, PUC-RJ), a palavra “criativa” tem um significado amplo demais. Não podemos propor ação empresarial, em qualquer atividade econômica, até mesmo na área de petróleo e gás, sem criatividade. “Melhor seria apontar as atividades da economia da cultura direta e da economia da cultura indireta”, diz Prestes. É sobre esta égide que devemos nos debruçar pra que num breve horizonte, as culturas populares e em especial o carnaval, se desenvolvam de forma singular, obedecendo sua própria linguagem, mas acima de tudo, gerando inclusão, promovendo a profissionalização da “Industria da Cultura” no RS, a exemplo do que vemos em outro estágio no Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.

Estou convencido de que devemos refletir e objetivar a qualificação de nossas agremiações e do carnaval do Rio Grande, com o viés da “Economia Criativa”, profissionalizando e incluindo, o momento de afirmação é agora, tendo o poder público como indutor de políticas que fomentem o setor, colocando a cultura popular do carnaval no eixo das políticas públicas do RS.


Artigo publicado hoje no site do jornal eletrônico Sul21
*Adão Villaverde é professor, engenheiro e Deputado Estadual do PT-RS
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