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"Fidel e os médicos" por Juremir Machado da Silva

Apesar de não concordar com quase todos os pontos (ou todos os pontos) do artigo do Juremir Machado da Silva (juremir@correiodopovo.com.br) no Jornal Correio do Povo de hoje, 15 de maio de 2013, tenho que compartilhar com os amigos:
Fidel e os médicos

Eu vi Fidel Castro pessoalmente uma única vez. Foi em Paris, em 1995, no prédio da Unesco. Era a primeira visita do “comandante”, desde a sua tomada ao poder em 1959, à capital francesa. O presidente François Mitterrand mandara estender tapete vermelho para o líder cubano e o hospedara em Marigny, residência destinada aos convidados mais importantes. De terno impecável, contente de estar em Paris, Fidel discursou na Unesco, diante de jornalistas, diplomatas e intelectuais, com moderação: foram apenas 11 páginas. Os funcionários da casa pareciam deslumbrados e incontroláveis. Gritavam “Fidel, Fidel, Fidel, Fidel...”.
Guardei esse dia na memória mais fresca. Fui atropelado por jornalistas suecos em busca de um autógrafo. Não havia celulares. As fotos eram poucas. Volta e meia, algum detalhe dessa tarde me vem à mente. Por exemplo, Fidel sorrindo para uma jornalista americana que o contemplava com a boca levemente aberta. A polêmica correu solta durante aquela semana. Danielle, esposa do presidente Mitterrand, declararia aos jornais que Fidel Castro nada tinha de ditador. Radicalizou: “O regime cubano realizou o máximo que o socialismo podia fazer, especialmente na área da educação”. Mitterrand, reagindo às críticas, justificou-se dizendo que se tivesse de tratar só com os governantes de nações que respeitam os direitos humanos não sobraria muita gente para encontrar.
Nunca me saiu da cabeça uma frase de Fidel em seu discurso: “Cuba é um país soberano de mulheres e homens cultos, dignos e irrenunciavelmente livres”. Contrapus à fala do dirigente cubano a posição do escritor cubano, exilado em Londres, Guilhermo Cabrera Infante: “Como pode a França, pátria da liberdade, da igualdade e da fraternidade, aceitar legitimar um ditador. Lamento a participação da Unesco nessa farsa”. No meio da confusão que se formou entre castristas e anticastristas, um castrista chamou os adversários para a disputa no braço. Deu uma “banana” para os adversários, que se prontificaram a descasca-la. O provocador acabou salvo pela Polícia.
A atmosfera era de excitação total. As pessoas estavam fora de si. Insultavam-se, empurravam-se. Procurei me aproximar o máximo possível de Fidel. Devo ter ficado a uns três passos dele. Dali para a frente não havia como avançar. O que eu queria ver? Certamente de que matéria era feito aquele homem. Certas vezes, acho que cheguei a apertar a mão dele, mas devo estar confundindo comum apertão de mão que dei em Ernesto Geisel, quando eu era criança, em Santana do Livramento. Minha memória falha.
Numa foto da época, Fidel e Mitterrand pareciam a esfinge do guerrilheiro impassível. Nada os aproximava fisicamente. Nada os separava quanto à expressão facial. Pareciam contemplar o nada. Não poupei adjetivo para desqualificar Fidel. Um amigo francês me puxou a orelha: “É fácil atacar quem resiste a um império”, disse. Nossa longa discussão não foi longa. Cada um ficou na sua posição. Conto tudo isso por ter me lembrado de uma frase de Fidel a um jornalista francês em meio ao empurra-empurra geral: “Cuba vai exportar médicos para o mundo”. (grito nosso)

Juremir Machado da Silva
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Ítalo Dorneles

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