slider

Recent

Tecnologia do Blogger.
Navigation

Prédio histórico é recuperado em Pelotas

A fachada e a cobertura foram recuperadas nos mesmos moldes da construção original, datada na década de 1830 - Foto: Marcel Avila / Especial


Júlia Otero - julia.otero@zerohora.com.br

A história se cruza na esquinas das avenidas Sete de Setembro com Félix da Cunha, no centro de Pelotas. No interior, documentos datados desde 1929. No exterior e em detalhes, uma arquitetura recuperada do século 19.

O prédio foi o primeiro na cidade do Sul a ser parcialmente financiado com recursos privados pelo Projeto Monumenta, que recupera fachadas e coberturas. Hoje ali funcionam o 4º Tabelionato de Pelotas, reinaugurado no final do ano passado, e uma casa de festas com lugar para 300 pessoas. Mas a recuperação do edifício trouxe à tona outros detalhes esquecidos — ou criados — pelo passar do tempo.

Veja galeria de fotos do prédio reformado

Um deles é que Dom Pedro II teria passado uma noite na casa quando o local pertencia a uma família nobre da região. Com 870 metros quadrados, o prédio foi erguido em meados de 1830 por uma família de estanceiros. Em 1948, a casa foi vendida ao Jockey Club.

— Era a sede social, fazíamos festas de eleições do clube, os associados podiam franquear o local para eventos particulares — lembra Jarbas Plinio de Mello, que trabalhou por mais de 30 anos no Jockey Club.

No entanto, dívidas forçaram a instituição a alugar espaços prédio.

— Tinha uma barbearia, boate, restaurante, bar e até jogatina nos fundos — lembra Dejane Lorenzi, artista plástica que acompanhou a restauração.

Pelo fato de ter abrigado diferentes estabelecimentos comerciais, a casa sofreu diversas intervenções:

— Na construção original, não tinha churrasqueira, mas como foi alugado para um restaurante, no andar térreo havia mesas e churrasqueiras que tivemos de remover — recorda Rudelger Leitzke, arquiteto responsável pelo projeto.

— Queríamos deixar o corrimão da escada apenas de madeira, da forma original. Raspamos e tinha mais de 10 cores ali: azul, rosa, amarelo e por aí vai — conta Dejane, que exibe uma foto da fachada do prédio, também colorida, da mesma época.

Há 10 anos, o Ministério Público (MP) entrou com uma ação para demolir o imóvel, em razão de problemas na estrutura.

— Fizemos um laudo dizendo que o prédio poderia ser recuperado, barrando a intenção do MP — lembra o professor de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, Sylvio Jantzen.

Por conta de dívidas, em 2003, a casa foi a leilão. E o tabelião Dario Lorenzi vislumbrou a oportunidade de adquirir um prédio próprio. Na época, o Projeto Monumenta, de caráter nacional, escolhia em conjunto com a prefeitura projetos de restauração privados.

— Depois de comprar a casa, consegui um financiamento de R$ 370 mil para restauro da fachada e da cobertura, que parcelei em 10 anos. Havia vistorias regulares da prefeitura, que anteriormente teve que aprovar um projeto nosso de restauração. O restante da reforma, tirei das minhas economias — calcula Lorenzi, que não sabe precisar o valor total da obra.

Por dentro do prédio

Quem passar hoje para registrar papéis no tabelionato irá deparar com um passeio pela história da cidade. Os visitantes podem notar, por exemplo, um cano externo por onde passava o esgoto e precisava ser limpo manualmente.

— Deixamos de enfeite, mas imagina o trabalho — diz Dejane.

Considerado patrimônio histórico da cidade, o prédio não foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Por isso, foi possível fazer modificações nas áreas internas.

As salas brancas estão bem equipadas: com internet, ar condicionado, parte do arquivo computadorizado e salas individualizadas. A lembrança do passado está espalhada no imóvel: na fechadura, na porta, nas janelas, na parede, no vitral do salão de festa e em toda arquitetura externa.

As grandes portas originais de madeira são abertas todas as manhãs, mas para manter o interior do prédio climatizado, há portas automáticas de vidro que funcionam com sensores. Dentro, a sala principal conta com atendimento em guichês, separados por madeiras de reconstrução da própria obra mesclados com materiais atuais. Os funcionários atendem de branco, combinando com as paredes e a decoração em madeira e tonalidades claras. Para se ter acesso ao local de divórcios, em uma área mais reservada, é preciso passar por um corredor que foi recuperado. Com as condições precárias, uma parte do corredor chegou a ter infiltração e ficar abaixo d'água, obrigando as pessoas a sair do prédio para acessar as demais salas — problema já resolvido.

A área descoberta tem uma entrada independente que dá acesso ao segundo piso, onde funciona a casa de eventos. Por ali entram os mantimentos em dias de festa. Para os convidados, a entrada fica no meio do casarão, com uma porta que dá acesso direto às escadarias do segundo andar. Essa área também pode ser acessada por dentro do tabelionato, mas geralmente a entrada fica bloqueada. O segundo andar é dividido entre quatro salões, compostos por mesas e cadeiras e com janelas grandes em cada compartimento. Os móveis também são antigos, que contrastam com os banheiros, de arquitetura moderna, com pias ovuladas e torneiras finas.

Fonte: Zero Hora
Compartilhe
Banner

Ítalo Dorneles

Mudei o meu perfil do blogger. Agora estou utilizando este aqui: https://draft.blogger.com/profile/12182443674733728583

Poste um comentário:

0 comments: