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[Artigo] Fomos todos Guaranis Kaiowás...

... será que também seremos Guaranis moradores das adjacências da Rodoviária de Passo Fundo?

No início de outubro, a carta de um grupo de Guaranis Caiovás de Mato Grosso do Sul provocou uma mobilização, em vários aspectos inéditos, na sociedade brasileira. No texto, os índios, ameaçados de despejo por ordem judicial, declaravam: “Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar todos nós aqui”. A carta foi divulgada pelo Twitter e pelo Facebook, gerando uma rede de solidariedade e de denúncia das violências enfrentadas por essa etnia indígena.
Desta rede, participaram – e participam – milhares de brasileiros urbanos. Para muitos deles, este foi o primeiro contato com o genocídio Guarani Caiová, apesar de o processo de extermínio da etnia ter se iniciado muito tempo antes. De repente, pessoas de diferentes idades, profissões e regiões geográficas passaram a falar diretamente com as lideranças indígenas, no espaço das redes sociais, sem precisar de nenhum tipo de mediação. E de imediato passaram a ampliar suas vozes. A partir dessa rede de pressão, as instituições – governo Federal, Congresso, Judiciário e outros – foram obrigadas a colocar a questão na pauta.
Depois de dias, em alguns casos semanas, a imprensa repercutiu aquilo que ecoava nas redes. Alguns dos grandes jornais enviaram repórteres para a região, colunistas escreveram artigos com diferentes pontos de vista. O movimento de adesão à causa Guarani Caiová nas redes sociais – sua articulação, significados e consequências – é um fenômeno fascinante. E, por sua força e novidade, traz com ele uma série de questões que possivelmente precisem de muito tempo para serem respondidas – e que não têm uma resposta só.
O que se propõe a pensar é a principal marca desse movimento: a adesão pelas hashtags “#SouGuaraniKaiowa”, “#SomosTodosGuaraniKaiowa” e pelo acréscimo de “Guarani Kaiowa” ao primeiro nome das pessoas no Twitter e no Facebook. Exemplo: “Alan Otto Redu Guarani Kaiowa”. Hashtag é, na prática, uma espécie de slogan usado para marcar uma posição compartilhada e replicada, indexada pelos mecanismos de busca e medida nos “trending topics” (frases mais publicadas) do Twitter. Sempre começa por “#” e não admite separação das palavras. Nas redes sociais, a grafia de Guarani Caiová obedece à forma como os indígenas escrevem a sua língua no Cone Sul – com “k” e “w”, em vez de “c” e “v”. Algumas pessoas – tanto públicas quanto anônimas – desqualificaram essa marca como modismo. Consideraram ridículo o fato de brasileiros urbanos e não índios se apresentarem como Guaranis Caiovás nas redes sociais¹.
Após acompanhar toda esta repercussão nacional, e parece que com êxito, deparei-me com um “acampamento” de descendentes de Índios Guaranis que moram de uma forma sub-humana, nas adjacências da rodoviária da cidade de Passo Fundo. Quero, aqui, não responsabilizar os administradores, mas este “acampamento” não é de agora, já faz algum tempo que eles estão lá. Talvez o poder público não tenha Ciência da tal “morada”, mas o que fico me perguntando, é porque não há uma mobilização também no sentido de dar uma moradia digna a estes Índios e tantos outros que margeiam as rodovias do nosso Estado?
Será que esta realidade não seja indignante o suficiente? Ou estes Índios, não merecem a nossa atenção? Ou não são menos índios, porque ao longo destes anos todos com o contato com a “Civilização Branca” eles já se aculturaram tanto, que agora merecem ser tratados como não indígenas?
“Na verdade desde a chegada dos primeiros colonizadores, até a atualidade, tem havido luta contra os índios, uma luta em que estes sempre saem perdendo. Toda área hoje habitada pelos civilizados no Brasil, onde se levantou cidades e onde se fazem plantações foi conquistada aos índios”²
Fica aqui meu Mudo Protesto, para que as redes sociais e os internautas também se sensibilizem por estas questões... Este problema já é antigo, e sozinho não conseguiremos as soluções, mas quando nos depararmos com estes irmãos nossos, que possamos dar um mínimo de atenção, e tratá-los como iguais, e cobrar dos nossos governantes uma atenção especial a esta etnia, que vem sendo dizimada e aculturada, como em outro século atrás, apenas com uma diferença, antes existia uma Lança nomeada Sepé Tiaraju para resistir e escrever na história este desfecho macabro.

1- Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Colunista da Revista Época.
2- Melatti, Júlio Cesar. Índios do Brasil. 7º ed. São Paulo. HUCITEC;1994 pg.17

ALAN OTTO REDU, graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas - UFPel.

 
Publicado no Portal Canguçu OnLine
Colaboração: Alan Otto Redü
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Ítalo Dorneles

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