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O quadro político-eleitoral em Pelotas hoje

Benedito Tadeu César *

Município com a terceira maior população do Rio Grande do Sul, com o terceiro eleitorado e o nono PIB estadual, Pelotas se caracteriza por ser um município com larga tradição de disputas eleitorais com muitos participantes. Detendo um colégio eleitoral acima de 200 mil eleitores, que permite a realização de dois turnos eleitorais no município, Pelotas teve nove candidatos a prefeito nas eleições de 2008, sete candidatos nas eleições de 2004 e de 2000 e seis nas de 1996 e 1992. Em virtude deste fato, a decisão dos pleitos municipais sempre tem ocorrido na segunda rodada, sendo que a única exceção ocorreu na eleição de 1992.

Neste momento de articulações para a montagem de chapas eleitorais, com as definições de candidaturas e possíveis alianças para a disputa, as lideranças políticas pelotenses dedicam-se à dura tarefa de tentar superar a antiga prática de fragmentação política no município. O prefeito Fetter Jr. (PP) procura manter a aliança que possibilitou sua vitória no pleito anterior e forneceu a base político-partidária de seu governo, compondo uma chapa integrada pelos nove partidos que integram a sua administração e oferecendo a vaga de candidato a vice-prefeito para Matteo Chiarelli (DEM), que foi seu adversário no primeiro turno da eleição passada.

No outro extremo, o deputado federal Fernando Marroni (PT), que já governou Pelotas entre 2001 e 2004 e que será o candidato de seu partido na próxima eleição, busca compor uma ampla coligação eleitoral, reeditando e ampliando, no nível municipal, a ampla aliança política que hoje sustenta os governos de Dilma Rousseff, no nível federal, e de Tarso Genro, no nível estadual. Desta forma, o PMDB, que não integra a base partidária de Tarso, mas que compõe a base do governo Dilma, ganhou status de parceiro considerado prioritário.

A montagem desta estratégia de redução de oponentes, que teoricamente poderia favorecer a candidatura de Marroni, encontra, no entanto, fortes resistências de lideranças políticas do município e no interior dos demais partidos. O deputado estadual Catarina Paladini (PSB) promete manter sua candidatura a prefeito, no que é apoiado pelo seu partido. Os vereadores Eduardo Macluf (PP) e Eduardo Leite (PMDB), ainda que a revelia dos seus partidos, postulam vagas na disputa. Até mesmo o atual vice-prefeito, Fabrício Tavares (PTB), se coloca como mais um possível candidato, oscilando na possibilidade de apoio ao candidato do PP ou ao candidato do PT.

Ao que parece, grande parte das postulações, como ocorre nas épocas pré-eleitorais em todos os cantos do mundo democrático, são meras tentativas de demarcação de espaços e de valorização de apoios. Em se tratando de Pelotas, entretanto, com o histórico da multiplicidade de candidaturas que ostenta, nada impede que todas estas possíveis candidaturas se consolidem e se mantenham até o final do primeiro turno eleitoral.

Nada impede, também, que os pequenos partidos, que ora se comportam como coadjuvantes, lancem seus próprios candidatos, como fizeram em pleitos passados, aumentando ainda mais o número de disputantes e fragmentando ainda mais a disputa eleitoral naquele município – em 2008, PSDB, PSOL, PV, PMN e PRTB lançaram candidaturas próprias; em 2004, o PMN lançou candidato; em 2000, houve uma coligação que agregou PPS, PHS, PTN e PST, enquanto o PV lançou uma candidatura autônoma.

Não é a mera polarização ideológica, pelo que se percebe, mas a multiplicidade política que caracteriza o comportamento político-eleitoral em Pelotas. A confirmar esta afirmação, em 2010, José Serra (PSDB) venceu o primeiro e o segundo turnos eleitorais para a presidência da República em Pelotas, suplantando Dilma Rousseff (PT). Em compensação, Tarso Genro (PT) venceu o pleito para governador do Estado no primeiro turno, obtendo ali mais de 54% dos votos, e Paulo Paim (PT) foi o candidato a senador mais votado no município, ultrapassando em exatos cinco pontos percentuais a votação obtida por Ana Amélia Lemos (PP). Parece ser o confronto de posições e a demarcação de espaços o que caracteriza a política pelotense. Sendo assim, será difícil, ainda que não impossível, que este quadro seja alterado nas próximas eleições.

  
* Benedito Tadeu César é cientista político, mestre em antropologia social e doutor em sociologia pela UNICAMP. Foi professor nas universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Espírito Santo (UFES). Fundador e primeiro coordenador do LABORS-IFCH (Laboratório de Observação Social) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS. Ex-coodenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS. Consultor e analista político, especialista em pesquisas e comportamento político-eleitoral.
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Ítalo Dorneles

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