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Boletim Casa das Áfricas

Mídia
As boas notícias sobre a África são ruins para os negócios
Fiona Leonard



Escrever uma história positiva sobre a África seria ruim para as estatísticas de leitores de um jornal, disse um colunista do The New York Times.
''Já é muito difícil ter leitores interessados na África (cada vez que escrevo sobre África minha coluna desaba), e uma coluna com boas notícias, não ligada a uma crise (Benin prospera!), francamente terá zero leitores.'' (N. Kristof, NYT, 1/7/11)
Os comentários de Kristof apareceram há poucos dias, juntamente com um artigo que ele escreveu: ''Uma aventura africana e uma revelação''. O artigo descreve uma viagem recente a ''cinco países particularmente malditos''. A única luz positiva era a tecnologia - energia solar e celulares. No fim, repete um clichê de nativos selvagens/felizes: ''as girafas e os locais são incrivelmente acolhedores e o progresso no momento é efervescente''.
Muitas ONGs sofreriam realmente se os jornalistas começassem a escrever boas notícias. Quando CARE International levou um escritor a um país africano, não mostraram-lhe lugares ricos, essa não era a história que pretendiam que fosse contada. O orçamento da ajuda está encolhendo e os governos estão sendo pressionados a gastar no país e não no exterior.
A resposta para ''como cobrir a África'' está em complicar mais do que em simplificar a história. Explicar as complexidades da questão. África é um continente não um país.
Em vez de ''doar dinheiro'' à África por razões humanitárias, chamemos as coisas pelo seu nome e admitamos que os governos estrangeiros estão investindo. Sejamos honestos e reconheçamos que a ajuda está relacionada ao comércio e a imperativos econômicos a longo prazo. Alguns deles são embaraçosamente comerciais, como querer o acesso das companhias mineradoras.
É hora de começar a contar uma história diferente.
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Fome
Muito mais que uma seca na Somália
Guinguinbali


As causas da fome no Chifre da África, e da Somália em particular, não se limitam à situação da grave seca.
A especulação alimentária, o controle do negócio pela agricultura industrializada e a acumulação de terras desempenham um triângulo desastroso para o povo somali.
Assim, as terras nas mãos de muito poucas pessoas ou, no pior dos casos, de empresas ou fundos de investimento estrangeiros, são utilizadas para produzir grãos para os mercados internacionais nos quais, graças à especulação com os alimentos, os preços disparam. Tudo isso reduz a população somali à pobreza e à incapacidade de acesso aos alimentos.
Além da especulação financeira, também há o endividamento ilegítimo acumulado ao longo de décadas e especialmente desde a ditadura de Siad Barre (1969-1991).
A este aumento da dívida juntou-se, entre 1981 e 1990, o lançamento de toda uma série de políticas promovidas pelo FMI e o BM. Estas p olíticas acarretaram privatizações e medidas de liberalização financeira, entre outras. Com estas medidas, a dívida duplicou.
Da dívida externa da Somália, 26 milhões de euros são com o Estado espanhol. Essa dívida corresponde a empréstimos concedidos ao regime ditatorial de Barre.
Oficialmente os créditos foram destinados ao transporte terrestre. No entanto, seu destino final foi para a venda de caminhões e veículos militares espanhóis para a Somália. As empresas espanholas eram 100% públicas.
Este é um exemplo claro de como a maior parte da dívida externa somali pode ser declarada ilegítima, de opressão, já que esses fundos serviram para fortalecer o regime ditatorial da Somália.
Além disso, desde 2008, o governo continuou gastando dinheiro em operações militares na Somália através de uma custosa missão militar destinada a proteger um punhado de navios pesqueiros estrangeiros durante a sua pilhagem das águas d a Somália.
(Foto: protestos na Somália contra os altos preços dos alimentos em 2008)
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Entrevista
Marc Euler: ''A França quer controlar o petróleo da Costa do Marfim''
Pedro Larré


Marc Euler, ativista da Associação Canária da Costa do Marfim, explica qual é a situação de seu país e os interesses internacionais no conflito armado.
Após a chegada ao poder de Alassane Ouattara, em novembro passado, graças ao apoio da França e das Nações Unidas, a situação do país piorou.
Costa do Marfim sempre manteve relações de estreita dependência com a França. Laurent Gbagbo, o presidente anterior, queria estender as relações comerciais com novas potências, especialmente a Rússia e a China, e acabar com os privilégios exclusivos das empresas exportadoras.
As eleições foram vencidas por Gbagbo, com 51% dos votos, como ratificado pelo Tribunal Constitucional após alegações de fraude. Mas a ONU, sob o ditado da França, certificou o resultado provisório da comissão eleitoral, sem respeitar as instituições da Costa do Marfim nem sua soberania.
O exército francês está presente no país há mais d e 50 anos, substituiu as forças de paz da ONU e armou a guerrilha rebelde.
A Costa do Marfim possui riquezas naturais, como café ou petróleo, mas 50% do fluxo de divisas vão parar no Tesouro francês.
Desde o fim do conflito armado, os partidários de Gbagbo estão sendo perseguidos e mortos. No oeste do país estão atacando populações da etnia bété, que é a etnia de Gbagbo. E toda essa repressão está sendo executada com a cumplicidade da França e da ONU. Isso não é informado porque todas as notícias são divulgadas pela Agence France-Presse (AFP).
É preciso ter em mente que o Exército de Ouattara é formado principalmente por mercenários, ex-presidiários e jovens, e agora que Ouattara tem o poder já não lhes paga, por isso dirigem seu ódio contra o povo, espalhando o terror. (Foto: soldado francês da operação Licorne em Abidjan, Costa do Marfim)
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Fonte: Boletim Casa das Áfricas
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Ítalo Dorneles

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