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Boletim Casa das Áfricas

Como os árabes perderam o sul do Sudão
Lamis Andoni / Al-Jazeera


A divisão do Sudão em dois Estados é um precedente perigoso. O mundo árabe tem que tirar as lições certas se quiser evitar a ruptura de outros países árabes em enclaves étnicos e sectários.
O nascimento do Sudão do Sul é sobretudo um testemunho do fracasso da ordem oficial árabe, do pan-arabismo e, especialmente, dos projetos políticos islâmicos em proporcionar direitos civis e igualdade para as minorias étnicas e religiosas no mundo árabe.
O entusiasmo do povo do Sul do Sudão na sua independência do norte, predominantemente árabe e muçulmano, atesta a repressão e alienação que sofreu durante anos.
É claro que no passado o governo britânico plantou as sementes das divisões étnicas e religiosas no Sudão e em outras partes do mundo árabe. A intervenção do Ocidente e Israel tem desempenhado nos últimos anos um papel crucial no impulso de tendências separatistas no sul do Sudão, e ainda se beneficiarão muito da divisão do país.
Avi Dichter, ex-ministro israelense da Segurança, disse certa vez: ''Tivemos que enfraquecer o Sudão e privá-lo da iniciativa de construir um Estado forte e unido. Isto é um requisito para reforçar e fortalecer a segurança nacional de Israel. Criamos e intensificamos a crise de Darfur para evitar que o Sudão desenvolva as suas capacidades.''
Mas o mundo árabe, que após a intervenção estrangeira no sul mobilizou sentimentos nacionalistas contra essa ingerência, não pode se limitar a explicar a separação do Sudão como um produto da conspiração ocidental-israelense.
Em todo caso, foi o regime repressivo do Sudão, com uma incompetente e corrupta administração, que levou as pessoas legitimamente descontentes do sul para os braços do Ocidente.
(Foto: Independência, 9 de julho de 2011, Juba, Sudáo do Sul)
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O fracasso da OTAN na Líbia
Alexander Cockburn / Counterpunch


A coalizão da OTAN está desmanchando-se, embora não haja notícia disso na imprensa dos EUA. O ministro francês da Defesa, Gerard Longuet, em entrevista no final de semana a uma rede francesa de televisão, disse que a ação militar contra a Líbia fracassou. E que é hora de iniciarem-se negociações diplomáticas.
Depois de três meses e meio de bombardear e fornecer armas a vários grupos da oposição a Kaddafi, o fracasso da OTAN em promover uma ''mudança de regime'' na Líbia, já salta aos olhos.
Claro que os comandantes da OTAN ainda esperam que alguma bala perdida consiga matar Kaddafi, mas, até agora, ele continua onde sempre esteve, os líbios não se levantaram contra ele e, de fato, são as potências que compõem a OTAN que brigam furiosamente entre elas.
A secretária de Estado dos EUA e o ministro de Relações Exteriores britânico falam em tom solene sobre o compromisso de a mbos com a ''mudança de regime'' e com fortalecer os laços com o Conselho de Transição em Benghazi.
Mas o fracasso de toda a 'operação OTAN' já é tema para historiadores - perfeito sinal de alerta sobre os perigos dos delírios políticos a serviço do ''intervencionismo humanitário'', da insuficiência dos serviços de inteligência, das fantasias sobre a eficácia da guerra aérea e da mais impressionantemente mentirosa cobertura de imprensa de que se tem notícia na história contemporânea.
Deve-se pressupor que Cameron, como Sarkozy, Clinton e Obama receberam informes de seus serviços de inteligência sobre a situação na Líbia. Será que nenhum daqueles espiões foi capaz de ver que Kaddafi poderia ser um inimigo muito mais duro de derrotar que os presidentes da Tunísia ou do Egito? Que mobilizaria apoio popular a seu favor em Trípoli e no oeste da Líbia, regiões em que há oposição histórica contra Benghazi e o leste do paà ­s?
(Foto: Trípoli sob ataques aéreos da OTAN)
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Índia e Moçambique
A herança de Kalidas
Cristiana Pereira / Buala


Desde tempos remotos, cidadãos indianos de cultura hindu se estabeleceram em Moçambique, dinamizando o comércio e influenciando a cultura através da gastronomia, da música e do cinema. Oriundos em grande parte do estado de Gujarat, contam com importantes templos em Maputo, Inhambane e Ilha de Moçambique.
''E então um dia, estando sentado à beira-rio a meditar, Kalidas evaporou-se''. Da mesma forma misteriosa com que aparecera na pequena povoação de Salamanga, a sul da então Lourenço Marques (hoje Maputo), o santo hindu assim se diluiu no eterno abraço do rio Maputo. E assim nasceu o mito.
Após o seu desaparecimento, a população local entendeu seguir os conselhos que o ‘’velho barbudo’’ deixara durante a sua estadia. Um deles foi construír, na zona de Salamanga, um mandir (templo).
Decorria o ano de 1908 e a obra foi levada a cabo por Kalane Megdji, natural do estado indiano de Gujarat.
Dedicado ao comércio , à agricultura e à construção, Megdji torna-se uma figura proeminente da localidade, construindo cantinas, introduzindo a nora para irrigação e abrindo as primeiras salinas na foz do rio Maputo.
Distante da rede familiar que ter-lhe-ia providenciado uma esposa, dirige-se ao régulo Ngoanazi procurando uma companheira de vida. O chefe tradicional escolhe Mahazul, uma mulher ronga (sul do país).
A aliança entre Megdji e Mahazul é uma alegoria da fusão que há séculos se registra entre indianos e africanos na costa oriental de África.
Estabelecida oficialmente em Moçambique em 1925, a comunidade conta hoje com polos em todas as províncias, reunindo em Maputo cerca de 3000 membros. Depois da independência, muitos foram para Portugal, Inglaterra e Índia, mas recentemente tem havido novas vagas de imigrantes.
(Foto: templo hindu nos arredores de Maputo)
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Fonte: Boletim Casa das Áfricas
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Ítalo Dorneles

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