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Paloccigate é Só Ensaio

O que é ser ético em política? A cada dia que passa, fica mais difícil associar honestamente as palavras “política” e “ética”. Tornaram-se quase antônimas. Ou você é ético ou você é político. Há os que conseguem não ser as duas coisas, mas ser ambas é viagem astral. Você pode ser um sonhador, idealista, crente na ciência política exercida com ética, mas assim que inicia sua primeira campanha eleitoral, mesmo para chefe do diretório acadêmico de sua faculdade, você é contaminado pelo jogo de interesses e toda a barra pesada que envolve os processos políticos. Se ganha a eleição não é por ser o melhor, mas o menos ruim. Daí em diante, sua carreira política quase sempre passa longe da ética.

Ninguém – absolutamente ninguém – empobrece depois de ocupar cargo público! É da natureza do ambiente que experiência e conhecimento adquiridos se convertam em benefício próprio. Lula dobrou seu patrimônio em menos de 6 meses: já na 3a palestra que deu, somou mais dinheiro do que o acumulado nos 8 anos de salário como presidente. FHC demorou mais tempo por duas razões: a) já era rico – portanto levou mais tempo para dobrar sua riqueza. b) vale menos que Lula como palestrante – portanto precisou de mais palestras para receber o que Lula recebeu em 3.

Como deputado (eleito depois de ser inocentado no caso da quebra de sigilo do caseiro) – Palocci seguiu as regras do jogo. Vendeu consultoria e recolheu os devidos impostos. É um político empresário. E como tal, fez o que todo político empresário faz: ganhar dinheiro com a experiência adquirida. No caso dele estritamente dentro da lei, noves fora a ética utópica da política. Justificou: se todos fizeram, fazem e farão, por que eu não? Se não fosse assim, como deveria ser?

Vamos supor que a lei da quarentena que proibia os políticos de oferecerem consultoria por um período mínimo de um ano após deixarem o cargo estivesse em vigor. Que não tivesse sido engavetada por essa mesma oposição que agora tenta aplicá-la sobre o ministro (veja aqui). E vamos supor ainda que, “por falta de tino comercial”, Palocci não constituísse empresa alguma de consultoria. Mesmo assim, o que o impediria de “aconselhar seus amigos” em “conversas informais” entre um uísque e outro?

Como deveria ser o Palocci ético? Sai do governo, se isola numa cabana à beira de um lago e passa um ano pescando? Que tal trancar-se num mosteiro tibetano por um ano fazendo meditação transcendental? E se mesmo assim, depois de um ano, Palocci ainda se “lembrasse” do que aprendeu como ministro? Já poderia vender consultoria sem ser incriminado pelos vigilantes morais da Folha? Talvez fosse o caso de submeter todos os políticos a uma lobotomia assim que encerrassem seus mandatos. Menos, é claro, os da oposição – particularmente os paulistas do PSDB.




Quanta hipocrisia! A Folha sabe que não há nada contra Palocci que se sustente judicialmente. Até porque não escondeu seu patrimônio em paraísos fiscais, lavagem ou laranjas. Então qual é o plano da porquinha da Barão de Limeira? Seria, por acaso, criar e sustentar em suas manchetes um escândalo de vento, desgastar o ministro e quem sabe até forçar sua saída antes de completar 6 meses de mandato? E Palocci se tornaria a primeira baixa de um longo e sistemático bombardeio ao governo Dilma, enquanto for governo. Do mesmo modo que fizeram com Lula. O que interessa à Folha é alimentar os anti-petistas de carteirinha com mais anti-petismo, e contaminar, subliminarmente, o maior número possível de leitores. O povão mesmo, tá se lixando para os mexericos futriqueiros do PiG. Está mais ocupado em usufruir do bom momento econômico e social pelo qual passamos.

Desde a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, a Folha abraçou duas missões intermináveis: tentar derrubar governos de centro-esquerda eleitos democraticamente (mesmo que isso signifique apoiar, por mais de duas décadas, uma ditadura sangrenta e depois dar-lhe o apelido cínico de “ditabranda”) e vender jornal feito nas coxas. Não tem moral para falar de ética. Seu “jornalismo ético” é aquele que enalteceu os golpistas de 64 desde o início, e aceitou a censura prévia com o rabo entre as pernas. É aquele que publicou, no alto da capa, uma ficha policial de Dilma Rousseff feita no Photoshop, recebida no e-mail de um anônimo – para, uma semana depois admitir, num rodapé interno, que “não pode garantir a autenticidade”…

Voltando ao assunto da consultoria, tráfico de influência, ética etc: será que a Folha tem notícias daquela moça que vendia informações privilegiadas marca “Filha de Ministro” a grupos estrangeiros interessados nos leilões do patrimônio público promovidos pelo falido governo FHC? Por que não vai praticar jornalismo investigativo em Miami e descobre que comparado a Verônica Serra (veja aqui), Palocci ganhou apenas alguns trocados depois de deixar o cargo? Por que não pratica jornalismo sensacionalista em Daniel Dantas – o homem que chafurdou nas privatizações de Serra e FHC e tornou-se o maior e mais rico mafioso brasileiro sem que a mídia desse um pio?

Ops! Já ia me esquecendo: quando o “jornalismo” da Folha esbarra em algum errinho dos paulistas do PSDB, dá tilt geral. Apagão na redação. Além disso, já caminhamos para 20 anos em que o governo paulista do PSDB distribui milhares de assinaturas da Folha para todos os órgãos públicos de SP em troca de pautar o jornal quando bem entender.

Para a Folha, políticos sem ética, desonestidade, tráfico de influência, corrupção, caixa dois, desvio de verbas públicas etc – tudo isso foi inventado em 2003. Antes o mundo era cor-de-rosa. Superfaturamento de bilhões de reais no Rodoanel que se arrasta há mais de 4 mandatos? Cartas marcadas nas licitações bilionárias da linha 5 do metrô paulista? Desmonte da educação pública do estado? Rios que transbordam anualmente matando dezenas de paulistanos da Zona Leste? Maquiagem de estatísticas sobre a violência em São Paulo onde a cada 10 latrocínios, 9 são registrados como “óbito por causas desconhecidas”? 10 anos de cracolândia “modelo exportação para todo o estado” no centro da cidade? Merendas escolares com coliformes fecais, fornecidas por um lobby vencedor de licitações suspeitas da prefeitura? Todos estes, são fatos menores que não merecem manchete e vão pro arquivo morto da Barão de Limeira… Importante mesmo é o apartamento que Palocci comprou. Importante é derrubar o principal ministro do governo Dilma e mostrar ao mundo que o PiG ainda grunhe…

Não estou aqui defendendo o Palocci empresário, que é micróbio se comparado com a “famíglia Dantas & Serra”. Estou defendendo o governo Dilma e, em última análise, ME defendendo. Assim como defendi o projeto de continuidade do governo Lula, depositado em Dilma, do assalto ao Brasil que representava a candidatura Serra no ano passado. O predador continua o mesmo: uma imprensa venenosa, empenhada em fabricar crises e frear este projeto a todo custo, desde já, visando 2014.

A Folha é uma das provas vivas da necessidade do marco regulatório das comunicações – semelhante ao que existe nos países mais democráticos e desenvolvidos do mundo. Ali, campanhas difamatórias, perseguição política e sensacionalismo barato podem custar a licença de funcionamento de um jornal, revista ou emissora de TV.

O PiG vai gemer, espernear, convulsionar… Mas cedo ou tarde chegaremos lá!

Fonte: O Que Será Que Me Dá e Tribuna Petista
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Ítalo Dorneles

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