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Boletim Casa das Áfricas

Djibuti
A revolução africana esquecida
Josep María Royo


No dia 8 de abril foram realizadas eleições presidenciais boicotadas pela oposição neste pequeno país do Chifre da África, contagiados pelas manifestações populares contra os regimes autocráticos do Magrebe e do Oriente Médio.
Em fevereiro, diversos partidos da oposição e grupos da sociedade civil conseguiram reunir cerca de 30.000 manifestantes no centro da capital, mas com muito menos cobertura da mídia do que seus vizinhos do norte africano. A polícia dispersou os manifestantes e procedeu à detenção de 300 líderes da oposição e da sociedade civil. Segundo fontes da oposição, houve duas mortes.
A oposição boicotou as eleições de 2005 e 2008 pela ausência de liberdade de expressão e pressão do governo.
O Estado depende de seu porto como principal recurso através do qual a Etiópia canaliza grande parte do seu comércio exterior. Sua localização também é estratégica para o controle do tráfego marítimo no Mar Vermelho, e sua proximidade com a Somália é um estímulo para o estabelecimento de missões militares para monitorar as ações de pirataria em águas somalis.
A operação tem uma de suas principais bases em Djibuti, pela qual pagam grandes somas de dinheiro, que no fim servem para manter no poder o governo autoritário liderado por Ismail Omar Guelleh desde 1999.
Deste modo, embora o país não tenha petróleo, como seus vizinhos do norte, aproveita a sua posição estratégica para conseguir que a França, EUA e Japão aluguem bases militares por 40 e 50 milhões de dólares por ano.
EUA dispõe em Djibuti da sua base de operações na África. Assim, este pequeno país conseguiu comprar o silêncio da comunidade internacional perante as violações dos direitos humanos cometidas por seu governo, de modo que a política de dois pesos e duas medidas do Ocidente fica aqui mais evidente do que nunca. (Foto: manifestações da oposição ao governo em Djibuti, abril/2011).
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Cultura
Kanga, da tradição à contemporaneidade
Sofia Vilarinho


Capulana no sul de Moçambique, Kanga no Quénia e Zanzibar, Pagne no Congo e Senegal, Lappa na Nigéria, Leso em Mombaça. Um pano retangular estampado industrialmente e que se diferencia de país para país pelos motivos africanos de cores contrastantes, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstratas e padrões geométricos e figurativos variáveis que ilustram a cultura, a tradição, a contemporaneidade, os rituais, as ideias.
Graficamente, uma Kanga é definida por três partes: a margem, o motivo central e o provérbio inscrito. Geralmente a Kanga é utilizada como vestuário tradicional, mas também nos rituais de passagem; nos funerais para cobrir o defunto; para carregar bebés; para filtrar a água ou como saco para a merenda; para felicitar o noivado, o casamento ou o nascimento; para esperar o marido; pelos curandeiros nas suas práticas.
Estes têxteis têm um papel muito importante na comunicação mas também na definição do status e do poder, pois quanto maior for a riqueza de uma mulher mais kangas elas guardam nas arcas.
Compradas ou herdadas, as Kangas fazem parte das rotas comerciais e são uma das moedas de negociação desde o século XIX.
Da tradição à contemporaneidade, a Kanga foi e continua a ser um objeto que acompanha o ritmo da transculturalidade.
O design dos padrões evoluiu e espelha os grafismos da modernidade, da evolução tecnológica e da hegemonia ocidentalizada.
As fronteiras da autenticidade e da tradição diluem-se e dão lugar à fabricação de culturas e objetos híbridos. Assiste-se a um fato cultural que posiciona a Kanga contemporânea nessa fronteira, entre o hit do design de motivos de Coca-Cola ou dos celulares Nokia, as inscrições em inglês, tão apelativas aos turistas da costa swahili, e a moda contemporânea apresentada nas passarelas de Nova York (verão/2011).
Os africanismos na moda são o retrato do caráter nômade inerente ao objeto. (Foto: Kanga do Zanzibar).
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Líbia
''Balcanize'' e reinarás
Simba Russeau


Especialistas alertam sobre a possível ''balcanização'' da Líbia se as forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) fornecerem ajuda militar direta aos rebeldes.
O líder líbio, Muammar Kadafi, defendia a ideia de que a União Africana deveria ser independente, promovendo o Banco Africano de Desenvolvimento e substituindo o franco como moeda africana.
Segundo a Resolução 1973, que autorizou uma ação para proteger os civis na Líbia, todos os Estados-membros da ONU devem garantir rígida execução do embargo de armas estabelecido na resolução anterior, a 1970.
A entrega de armas à oposição pode agravar o conflito e levá-lo para além das fronteiras líbias.
Fornecer armas aos rebeldes poderia aumentar a instabilidade, com consequências de longo prazo, causando grande dano aos esforços de construção da paz.
Como o caso dos combatentes islâmicos armados pelos Estados Unidos no Afeganistão, nos a nos 80 e 90, que prolongaram os conflitos, promoveram o extremismo e criaram uma sociedade dominada por senhores da guerra.
No fim da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética, Grã-Bretanha e EUA ficaram em ponto morto nas conversações sobre o destino das colônias italianas na Líbia.
A mesma história se repete agora, com os EUA e a União Europeia, que não buscam apenas dividir a Líbia em duas administrações, uma em Trípoli e outra na cidade de Bengasi, mas também eliminar um regime que era o principal competidor e promotor de uma África unida.
Líbia e China estavam se convertendo rapidamente em fortes sócios em energia. Pequim era o terceiro maior comprador de petróleo líbio, e tinha mais de 50 projetos de investimento no país africano.
Washington queria uma base na África e a intervenção na Líbia lhe forneceu a oportunidade. A participação do Africom é a estratégia do Pentágono para enfrentar os investimentos chinese s na África. (Foto: mapa da Líbia de 1829; vista pelos europeus como três nações: Tripolitania, Fezzan e Cyrenaica)
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Informativo Casa das Áfricas.
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Ítalo Dorneles

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