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Casa das Áfricas - Boletim - 2a. quinz. nov.

Senegal

Queda de um regime
Sidy Diop

Apesar de o Senegal ser considerado um país africano estável, esta estabilidade não consegue esconder por completo a incerteza política que atinge o país. Apesar de as instituições funcionarem, do calendário eleitoral ser quase sempre respeitado e de existir liberdade de expressão por parte da oposição, pairam no ar algumas nuvens negras que anunciam a chegada de uma tempestade em relação a um futuro próximo do país.
Desde a sua independência, o Senegal tem vindo a ser governado por um partido único. A economia tornou-se menos competitiva estando perto da recessão, colocando as finanças públicas, bem como a população em grandes dificuldades que foram agravadas com reformas estruturais. De fato, as mudanças políticas ocorridas a nível nacional em 2000 vieram aumentar as esperanças dos Senegaleses.
É necessário relembrar as condições em que surgiu, em 1974, o Parti Démocratique Sénégalais (PDS) atualmente no po der.
O caráter opressivo do regime de então era contra qualquer tipo de oposição. Opressão essa que fez com que o fundador do PDS, Abdoulaye Wade, para escapar à vigilância do presidente Léopold Senghor, apresentasse o seu partido como um partido 'contributivo'.
Para além do referido, Wade sempre se encontrou na linha de frente durante a sua luta. Estas são as razões que o apontam como a pessoa que trouxe o seu partido ao poder. Essa concentração de poder faz com que seja provável que o PDS não tenha capacidade de sobrevivência após a saída de Wade.
Também deve ser acrescentado que o balanço do seu governo, mesmo que com alguns aspectos positivos, não obteve resultados quanto à diminuição da pobreza, às deficiências recorrentes no fornecimento de energia e à ineficácia do financiamento para a educação.
Por este motivo, é importante considerar a capacidade das forças políticas que propõem novas opções. (Foto: atual presidente do Senegal, Abdoulaye Wade)
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Senegal: ''Queremos pescar peixes não imigrantes'' (pres. Abdoulaye Wade) | Gorka Andraka

Relações internacionais

O Brasil de Lula em Moçambique
Marilio Wane

Ao longo da última década, Brasil e Moçambique vem estreitando progressivamente os seus laços através de uma série difusa de intercâmbios nas mais diversas áreas. Entretanto, trata-se de uma relação bastante desigual, em função da condição geopolítica de cada um: de um lado, temos um Brasil que surge como potência mundial emergente e de outro, um Moçambique recém-recuperado de um conflito armado que deita suas raízes na Guerra Fria. Nesse sentido, as recentes trocas verificadas entre ambos são portadoras de novos horizontes na medida em que chegam para preencher uma enorme lacuna de desconhecimento mútuo produzido no contexto das ordens mundiais anteriores.
Nos dias 9 e 10 de Outubro, o alcance desta cooperação foi simbolicamente marcada pela visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva à capital Maputo. Nunca antes algum mandatário brasileiro havia visitado tantos países africanos e estabelecido tantos programas de cooperaçã o no continente, nas mais diversas áreas.
O objetivo principal desta passagem foi prestigiar duas das mais expressivas iniciativas de cooperação brasileira na África, ambas impulsionadas por ele próprio: a instalação de uma fábrica de antirretrovirais e a implementação dos três primeiros pólos da Universidade Aberta do Brasil no continente africano, nas cidades moçambicanas de Maputo, Beira e Lichinga. Moçambique é, dentre os países africanos, o maior beneficiário da cooperação brasileira e, aquele com quem esta se dá de forma mais diversificada, compreendendo projetos de grande relevo em áreas como saúde, educação, agricultura, esporte e formação profissional. E como contrapartida, o país é também o destino preferencial de grandes investimentos capitalistas brasileiros, tais como prospecção de petróleo, exploração de carvão mineral, construção civil, e outros.
Num sentido mais amplo, a visita de Lula vem coroar a inst itucionalização de um processo de influência sócio-cultural do Brasil sobre Moçambique, dando-lhe contornos mais claramente políticos e macro-econômicos, em função da renovada prioridade atribuída ao continente africano pela política externa brasileira. (Foto: presidentes Lula e Armando Guebuza, de Moçambique)
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Cultura

Safari de Táxi
Nuno Milagre

Sem dar por isso, crianças de todo o mundo aprendem e repetem algumas palavras numa língua remota: o suaíli. Simba, o nome do Rei Leão, quer dizer em suaíli, literalmente, leão; rafiki, quer dizer amigo. Crianças de todo o mundo cantam repetidamente o refrão Hakuna Matata: "não há problema", da música do filme. Foi Hollywood que trouxe esta língua periférica para o centro das atenções, embora sem lhe ter dado os devidos créditos, como se fosse criação própria.
A língua suaíli começou a desenvolver-se há cerca de mil anos, como resultado da fusão de línguas banto da costa oriental africana com o árabe e o persa. Surgiu na urgência de uma língua franca que facilitasse a comunicação para as trocas comerciais entre africanos e os árabes que desciam a costa africana pelo Oceano Índico desde o Médio Oriente e o Norte de África. Por isso, suaíli quer dizer, a costa. A língua que começou por se falar nas zonas costeiras, mas aca bou por ir entrando no continente através das incursões das caravanas árabes em busca de escravos e mercadorias na fonte para não dependerem de quem as trouxesse para a costa. A mítica ilha de Zanzibar, situada à frente de Dar es Salaam e hoje território da Tanzânia, foi o pedaço de terra mais cobiçado da região durante vários séculos, a base das investidas dos estrangeiros no continente e a capital do suaíli.
De língua franca para mediar trocas comerciais, o suaíli agrega hoje uma comunidade de milhões de falantes na Tanzânia, Quénia, Uganda, Ruanda, Burundi e em regiões de países vizinhos.
Uma palavra suaíli viria a viajar para se integrar em inúmeras outras línguas. Safari, que significa viagem. Turcos, chilenos, indonésios, suecos, australianos, lituanos e muitos outros habitantes dos cinco continentes, todos entendem esta palavra, porque faz parte do seu vocabulário, embora no sentido mais restrito de viagem para observaçã o de animais selvagens. (Foto de Nuno Milagre: estrada em Moçambique)
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Ítalo Dorneles

Mudei o meu perfil do blogger. Agora estou utilizando este aqui: https://draft.blogger.com/profile/12182443674733728583

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