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Casa das Áfricas - Boletim - 1a. quinz. nov.

Saara Ocidental

A maré da história
Ken Loach · Stefan Simanowitz

Em 1960, a ONU aprovou a resolução 1514 que estabelecia que todos os povos têm direito à autodeterminação e que o colonialismo deveria ter um fim rápido e incondicional. Meio século depois, os leitores podem se surpreender ao saber que ainda existem 16 territórios em todo o mundo que ainda esperam conseguir a descolonização. O mais notável é o Sara Ocidental, conhecido como a última colónia da África, que lutou pela autodeterminação durante 35 anos contra o vizinho Marrocos. Em 1976, numa violação do direito internacional, os espanhois, ao partirem, dividiram o Saara Ocidental entre o Marrocos e a Mauritânia em troca de direitos contínuos de pesca e a apropriação parcial dos interesses de mineração. Seguiu-se uma guerra de 15 anos entre o Marrocos e a Frente Polisário, e a retirada da Mauritânia em 1979. Em 1991, foi declarado um cessar-fogo e, nos termos de um acordo da ONU, foi prometido um referendo de autodeterminação que, dezenove anos d epois, ainda não foi aplicado. Cerca de 165.000 saarianos que fugiram da guerra ainda estão alojados em penosos acampamentos de refugiados no deserto argelino. Com o pano de fundo desta tragédia humanitária, a União Europeia assinou um acordo pesqueiro com o Marrocos, pelo qual as águas do Saara Ocidental são exploradas ilegalmente por navios de pesca europeus. Muitos governos estrangeiros e empresas estão envolvidos nesse negócio com o Marrocos que lhes dá acesso aos vastos recursos naturais do Saara Ocidental. É importante ressaltar que uma solução política para este problema é importante demais para ser deixado nas mãos dos políticos. Devemos exigir que nossos governos no mundo todo exerçam pressão diplomática e política sobre aqueles que estão ignorando o disposto no direito internacional e bloqueando o referendo de autodeterminação. Leia mais

Cultura

Histórias em quadrinhos africanas
Bunmi Oloruntoba

Colocar a palavra "africano" depois de qualquer nome pode gerar uma das duas coisas: ou sobre-comprime um continente composto por 53 países, milhares de línguas e culturas, resultando em uma generalização sem sentido. Ou então aglutiná-los o suficiente para criar bastante conteúdo com o qual ilustrar uma tendência, da qual a maioria dos países africanos, um por um, não produzem o suficiente para se falar sobre isso. É este último uso que adota o adjetivo "africano" ao falar de "comics africanos". Com nomes como Menouar "Slim" (Argélia), Bisi Ogunbadejo (Nigéria), Zapiro (África do Sul), Gado (Quênia), Issa Nyaphaga (Camarões), Emmanuel Makonga (RDC), Mpangala Nathan (Tanzânia), Qundeel, (Egito), entre outros ... tem-se uma ideia do vibrante e diversificado cenário do humor gráfico político em todo o continente.
Na verdade, quando falamos de charges políticas, podemos esquecer tranquilamente do adjetivo "africano", já que na maior ia dos países africanos há muito o que falar quando nos referimos às charges de atualidade, suas tradições, os principais artistas, estilos, atritos com a censura e as autoridades.
O formato de distribuição preferido em muitas partes da África são as revistas de histórias em quadrinhos e, sem dúvida, um dos líderes dessas publicações é a revista cômica da Costa do Marfim, Gbich! Porém, mesmo que estas "revistas" produzidas localmente por um estúdio de artistas mostrou ser um modelo sustentável nesse país, no Senegal e na Nigéria, gerando personagens que tiveram seus próprios programas de TV, não devemos esquecer que muitos ilustradores africanos chegam a fim de mês graças ao trabalho que fazem para ONGs e agências estatais que publicam material didático. Além disso, muitos artistas africanos mudam-se para a Europa para escapar de perseguições políticas, da censura, das duras condições econômicas ou para buscar melhores condições de trabalho.
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Discriminação

Dakar: De capital gay da África a centro de homofobia
Rainer Chr. Hennig

A história gay de Dakar é o melhor exemplo que demonstra que a homossexualidade não é algo "não africano." Na verdade, a homossexualidade tem sido uma parte visível e conhecida da tradição wolof, e apenas as opiniões moralistas dos colonialistas, mais tarde adotadas por um clero muçulmano cada vez mais dominante, levou à supressão desta cultura. O nome antigo wolof para gays é gor-digen, ou homen-mulher. Armand Corre, um médico da marinha francesa da década de 1870, escreve como ele encontrou muitos homens locais "com vestidos e comportamento feminino...". Na década de 1930, aumentou a difusão de informação na Europa sobre os exóticos gor-digen, o que reflete a sua visibilidade nas ruas de Dakar naquela época. O viajante Gorer se interessou pelo fato de que estes homens abertamente homossexuais "não sofrem socialmente, embora os muçulmanos lhes neguem um enterro religioso." Michael Davidson descreve Dakar em 1949 como "a cidade gay da África Ociden tal", onde ninguém tem por que se envergonhar de sua homossexualidade. Mas as atitudes começaram a mudar na década de 1980. Uma conexão entre o wolof tradicional gor-digen e o conceito internacional de "homossexualidade" vai paulatinamente se estabelecendo. Patrocinada pelo governo e o clero, e influenciada pelas tendências homofóbicas na África, esta ligação deve levar à destruição da cultura gor-digen. Ao redor de 2005, Dakar já tinha se tornado uma cidade mais de acordo com outras cidades muçulmanas, e em 2008 desencadeou-se uma onda de prisões e um frenesi anti-gay na mídia de todo o país. Por enquanto, a cultura wolof gor-digen surpreendentemente foi suprimida e a homossexualidade já é algo "não-africano".
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Ítalo Dorneles

Mudei o meu perfil do blogger. Agora estou utilizando este aqui: https://draft.blogger.com/profile/12182443674733728583

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