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Alta do PIB surpreende e indica auge do crescimento, diz Mantega

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta terça-feira que o crescimento da economia no primeiro trimestre ficou acima do que ele esperava e representa o "auge da retomada do crescimento". Ele alertou, no entanto, que os dados já indicam desaquecimento e que o PIB (Produto Interno Bruto) terá aumento entre 6% e 6,5% em 2010.

"Fiquei muito satisfeito com o resultado. Foi mais do que eu esperava. Eu esperava 2,5%. Ele mostra que a economia brasileira teve uma das melhores recuperações do mundo. O resultado faz parte de um conjunto de medidas de políticas monetária e fiscal que foram muito bem sucedidas. Na comparação internacional, apenas a China teve um crescimento dessa magnitude. O resultado mostra o vigor e o dinamismo da economia brasileira", afirmou.

Em ritmo mais forte de expansão após a crise, a economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010, ante o mesmo período do ano passado, a maior variação desde o início dessa base de comparação na série histórica, em 1996.

Frente ao quarto trimestre, a alta do PIB foi de 2,7%, registrando o maior aumento nesse comparativo desde a expansão contabilizada no primeiro trimestre de 2004 (2,8%).

O ministro ressaltou o desempenho da indústria (crescimento de 4,2%) e Formação Bruta de Capital Fixo (7,4%), em comparação com o quarto trimestre de 2009.

"Temos que lembrar ainda que isso se dá em relação ao um ano que foi muito fraco (2009). Eu diria que o primeiro trimestre foi o auge da retomada do crescimento. Todos os estímulos estavam em vigor: as desonerações do IPI, a redução do compulsório dos bancos e a taxa de juros, que estava em seu menor patamar. Ainda tivemos os estímulos dos gastos do governo", afirmou Mantega, destacando ainda o aumento do consumo das famílias (1,5% em relação ao quarto trimestre do ano passado).

Para o segundo trimestre, no entanto, Mantega espera um desaquecimento da economia. "No segundo trimestre já há dados de desaquecimento. O crescimento no ano vai ficar alto, mas a taxa já está decrescente. Temos a volta dos impostos, que vai fazer a demanda cair, a volta do compulsório e a taxa de juros, que já subiu 0,75%, a maior alta de todos os países. Além disso, tivemos o corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo".

"Um outro fator que ajudará no desaquecimento é a crise europeia, que diminui a disponibilidade de crédito para a economia brasileira e dificulta a rolagem da dívida das empresas. Também vai dificultar os IPOs e vai diminuir a abertura de capital das empresas".

Por fim, até o final do ano, Mantega afirmou que espera um equilíbrio da economia de forma que o crescimento não pressione o setor produtivo. "A trajetória é de um crescimento moderado. Caminhamos para um crescimento sustentável. Não podemos esquecer a base de comparação. A indústria, por exemplo, teve um crescimento negativo em 2009. Em 2010, a economia brasileira deverá ter um crescimento de 6% a 6,5%."

Desempenho

O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma dos bens e serviços produzidos por um país --é formado pela indústria, agropecuária e serviços.

O indicador também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

O investimento, medido pela chamada FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), teve alta de 26% no primeiro trimestre, se comparado a igual período no ano anterior --o resultado é o melhor na série histórica. Na comparação com o quarto trimestre, houve incremento de 7,4%. Em 12 meses, houve queda de 1,5%.

A taxa de investimento representou 18% do PIB no primeiro trimestre. No mesmo período de 2009, havia significado 16,3%.

Setores

O setor industrial cresceu 14,6% em relação ao primeiro trimestre de 2009. Na comparação com o quarto trimestre, a indústria teve alta de 4,2%, e nos últimos 12 meses, ficou estável.

Já o setor de serviços registrou incremento de 5,9% frente ao primeiro trimestre de 2009. Em relação ao quarto trimestre, o segmento cresceu 1,9%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 3,6%.

O setor agropecuário subiu 5,1% na comparação com o período de janeiro a março do ano passado. Em relação ao quarto trimestre de 2009, a agropecuária teve alta de 2,7%, e nos últimos 12 meses, acumula queda de 3,3%.

Consumo

O consumo das famílias teve aumento de 9,3% no primeiro trimestre. Em relação ao quarto trimestre, constatou-se crescimento de 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 6,0%.

O consumo do governo registrou alta de 2,0% no primeiro trimestre. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o consumo do governo cresceu 0,9%, e nos últimos 12 meses, acumula expansão de 3,1%.

Pelo lado do setor externo, as exportações de bens e serviços subiram 14,5% frente ao primeiro trimestre de 2009. Ante o quarto trimestre, apresentaram elevação de 1,7%.

Já as importações de bens e serviços aumentaram 39,5% em relação ao primeiro trimestre de 2009 --a maior expansão da série--, e registraram alta de 13,1% se comparado ao quarto trimestre.

Da Folha.com
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Ítalo Dorneles

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