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Fósseis de 480 mi de anos explicam melhor a "explosão da vida"


Uma pesquisa da universidade americana Yale no Marrocos descobriu que alguns dos mais estranhos animais já descobertos no planeta viveram muito mais do que se imaginava, pelo menos 10 milhões de anos. As espécies em questão eram do período Cambriano (de 542 milhões a 488 milhões de anos atrás), mas chegaram a viver no início do Ordoviciano (de 488 a 471 milhões de anos atrás). Essas descobertas podem mudar algumas crenças científicas, como, por exemplo, a de que esses seres "esquisitos" viveram por pouco tempo. As informações são da Nature.

Segundo a própria universidade explica, o Cambriano - uma época em que a vida era essencialmente marinha - é conhecido também como "explosão cambriana", devido ao súbito aparecimento da maioria dos grandes grupos animais e o estabelecimento de um complexo ecossistema. Esse período foi seguido pelo "evento da grande biodiversificação ordoviciana", quando o gênero de animais marinhos cresceu exponencialmente.

Os pesquisadores analisaram mais de 1,5 mil espécimes encontradas em um deserto no Marrocos. Segundo Derek Briggs, um dos autores do estudo, a maioria dos fósseis do Ordoviciano mostram a parte mais duras dos animais, como conchas, mas os descobertos no Marrocos preenchem parte dessa lacuna.

A equipe catalogou pelo menos 50 tipos de animais de corpo macio, inclusive alguns que se sabia apenas que viveram em períodos anteriores ou até posteriores. Segundo Peter Van Roy, também autor da pesquisa, disse à reportagem que, se falarmos de espécie, são todas novas, mas em se o assunto for família, cerca de dois terços delas são do mesmo tipo encontrado no fim do Cambriano.

Seres bizarros
O Cambriano nos deixou como marca diversos seres completamente estranhos, como o halkieria - uma espécie de lesma "encouraçada" -, ou a hallucigenia - parecida com uma centopeia, mas com diversos espinhos pelo corpo - e ainda a opabina, que tinha cinco olhos e um longo nariz com uma ponta chamativa.

Fósseis que revelam a parte macia do corpo desses animais são mais difíceis de serem encontrados, principalmente pelo fato de a fossilização requerer condições raramente atendidas como, por exemplo, um deslizamento que deixe longe do corpo do animal seres que se alimentarão da carcaça, além de bactérias que precisam de oxigênio.

Como são raros os fósseis de animais de corpo mole do Cambriano, os cientistas têm dificuldade em entender por quanto tempo viveram essas espécies. A pesquisa de Yale mostrou como alguns desses seres, como o halkieria, viveram no oceano aberto do período Ordoviciano. Segundo Young, as descobertas põem um fim à ideia de que esses seres bizarros eram apenas uma "grande experiência" que não durou muito tempo.

Redação Terra
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Ítalo Dorneles

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