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Tarso Genro: Tentativa de estrondo da candidatura Fogaça fracassou

Flávia Bemfica
De Porto Alegre (RS)

O ex-ministro Tarso Genro, candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, foi o primeiro entre os que disputam a cadeira no Palácio Piratini a anunciar sua candidatura, na metade do ano passado, e sem que ela fosse resultante das prévias internas que marcaram a história do partido no Estado.

Desde antes de seu nome ser oficializado, Tarso defendia uma ampla coalizão para a disputa. O PT conversou exaustivamente com PDT e PTB, mas o primeiro decidiu-se por uma aliança com José Fogaça (PMDB) e o segundo tem um pré-candidato próprio, o deputado estadual Luis Augusto Lara.

Até o momento, o PT segue sozinho, o que serviu de munição para os adversários, que classificam a candidatura petista como "isolada". Por enquanto, além do pré-candidato ao governo, o único nome a integrar a chapa majoritária é o do senador petista Paulo Paim, que disputará a reeleição.

Continuam em aberto a vaga de vice e a segunda do Senado. O resultado da última pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto no Rio Grande do Sul - que mostra Tarso Genro e Fogaça empatados em primeiro lugar - e as movimentações de outros partidos deram, nesta semana, novos argumentos aos petistas gaúchos, que agora vislumbram a possibilidade concreta de fechar uma coligação com PCdoB e PSB.

Nos últimos pleitos, os dois antigos aliados haviam seguido outros rumos. Em meio às viagens que começou a realizar pelo Estado no mês passado, Genro conversou, na manhã desta quinta-feira, com Terra Magazine.

O ex-ministro afirmou que não prejudica sua candidatura o apoio de seus concorrentes no Estado a Dilma. E avaliou que se mostrou um fracasso o estrondo preparado para o lançamento de Fogaça na corrida ao governo gaúcho.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - A antecipação do apoio de parte do PP à reeleição da governadora Yeda Crusius (PSDB), que enfraqueceu a pré-candidatura do deputado Beto Albuquerque (PSB) é um indicativo de que PSB e PcdoB, que atuam em bloco no Rio Grande do Sul, vão fechar com o PT?
Tarso Genro - Não queremos interferir em questões internas. A candidatura do Beto é legítima, e estamos aguardando as posições do PcdoB e do PSB. O PcdoB já está apoiando a Dilma (Rousseff, candidata do PT à presidência da República). Acreditamos que aqui eles têm grande simpatia por nossa candidatura. Não quero dizer que estou otimista para não parecer que quero interferir, mas estamos fazendo de tudo para retomar a Frente Popular (que, no passado, reunia os três partidos).

A candidatura do PT segue isolada?
Esta avaliação de candidatura isolada era uma torcida política, e não uma análise dos fatos. A candidatura do Fogaça é que era para ser um estrondo, um grande frentão, e não aconteceu. Era para ele ser lançado com o apoio do PDT, do PTB, do PcdoB, do PP... Mas ele saiu da prefeitura com o PDT rachado pela metade. O PTB está mantendo a pré-candidatura do Lara. Então, tem uma aliança do PMDB com parte do PDT. A base do PDT tem uma simpatia maior pela nossa candidatura. É assim que têm se manifestado prefeitos, vice-prefeitos, vereadores. É isso que sentimos nas viagens que fazemos pelo Estado. E temos o direito de receber as manifestações e fazer nossas articulações. Temos um discurso muito bem acolhido.

O PT tentou uma aliança com o PDT e também com o PTB, mas as negociações não avançaram. O que houve?
Temos conversado com o PTB mas devemos respeitar a candidatura do Lara. O fato é que existe no Rio Grande do Sul uma autonomia dos partidos em relação à questão nacional. Nesta quarta-feira à noite, por exemplo, eu estava na cidade de Canguçu, com várias lideranças, e quem presidia a reunião era o prefeito, que é do PP. Ele não nos apoia, mas há muito respeito e simpatia. A política no Rio Grande do Sul tem movimentos muito próprios. Temos aqui prefeituras com o PP, com o PTB, com o próprio PMDB. E isso nos dá uma base de diálogo que pretendemos ampliar. Vamos fazer um governo de coalizão e no qual já asseguramos que o PDT estará.

A ampla coalizão é uma marca do governo do presidente Lula. Tanto que o PMDB tem a indicação do vice na chapa de Dilma Rousseff. Isso vai fazer com que, no Rio Grande do Sul, ela muito provavelmente se divida entre o seu palanque e o de José Fogaça. Esta divisão não é ruim para sua candidatura?
Nós queremos que o Fogaça apoie a Dilma, que o Lara apoie a Dilma. Com isso nos sentimos prestigiados porque, afinal, a Dilma é nossa companheira de partido, é do PT. O fato de eles apoiarem a Dilma não desprestigia nossa candidatura e não nos tira do debate das questões do Estado. Queremos que todos apoiem a Dilma porque acreditamos que, de fato, ela é melhor.

Como o PT e sua candidatura pretendem aumentar os votos de Dilma? Uma das pesquisas sobre as intenções de voto para a presidência do Datafolha mostra que o pré-candidato do PSDB, José Serra, cresceu 10 pontos no Sul, que foi a região que mais contribuiu para que ele voltasse a abrir vantagem sobre Dilma. E isso com todos os problemas enfrentados pelo governo de Yeda Crusius (PSDB).
Nossa estratégia é nos vincularmos cada vez mais ao governo do presidente Lula e afinar programas para o Estado. Achamos que a Dilma vai ganhar a eleição no Rio Grande do Sul. Existe uma questão de técnica de campanha e também de discurso. Até porque a dificuldade anterior do governo do presidente Lula, a campanha massiva existente nos dois primeiros anos de governo, não existe mais.

Não existe um antipetismo forte no Rio Grande do Sul?
Acho que antipetismo não é. Porque a última pesquisa também mostra que o prestígio do presidente aumentou. É resquício de uma situação anterior, que foi superada e se esgotou. Muitos dos ex-adversários do presidente Lula agora querem o seu apoio.

Quem o senhor prefere enfrentar se for para o segundo turno: José Fogaça ou Yeda Crusius?
Sinceramente, é indiferente. Até porque aqui o PMDB é o mais forte pilar do governo Yeda. Acho que a Yeda tem condições de chegar ao segundo turno. Aquela tentativa de estrondo da candidatura Fogaça que existia no primeiro momento fracassou. E ele sai da prefeitura (de Porto Alegre) em um momento em que existem dois inquéritos graves contra seu governo (referentes ao caso Sollus e ao assassinato do ex-secretário de Saúde e vice-prefeito na primeira gestão de Fogaça, o petebista Eliseu Santos). Coisa que não vamos explorar na campanha. Mas, mesmo assim, qual o grau de desgaste que ele tem?

Alguns adversários dizem que sua pontuação, entre 31% e 34% nas intenções de voto, representa um teto, e que não há como sua candidatura crescer mais.
Se eu cheguei no meu teto, então todos chegaram.

do Terra Magazine

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Ítalo Dorneles

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