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RS: decisão do PP ameaça aliança para reeleição de Yeda

A decisão do Partido Progressista (PP) do Rio Grande do Sul, anunciada na última segunda-feira, de só integrar uma aliança com o PSDB e apoiar a tentativa de reeleição da governadora Yeda Crusius se a coligação se estender à chapa proporcional, deixou atordoados os tucanos gaúchos, e pode prejudicar a candidatura do PSDB. O PP está entre os maiores e mais tradicionais partidos do RS, o que garantiria à Yeda a sustentação e a capilaridade que a atual governadora não tem com a própria legenda (no Estado, pequena).

A diferença de tamanho é justamente o que assusta aos tucanos, que acreditam que uma coligação na proporcional pode levar o partido ao colapso no Rio Grande do Sul. Nos bastidores, lideranças tucanas já admitem a possibilidade de o partido seguir para a disputa ao Palácio Piratini sem os progressistas, uma vez que aceitar os termos da coligação significaria que, além de não ter qualquer garantia de vitória para o governo, a representação no Legislativo pode tornar-se insignificante.

Entre os partidos que integram a base de Yeda, apenas o PPS confirmou que fará parte da coligação para a tentativa de reeleição da governadora, mas é uma sigla também diminuta. O PMDB e o PTB têm candidatos próprios (o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o deputado estadual Luis Augusto Lara) ao governo do Estado. O DEM, que hoje tem o vice-governador, Paulo Afonso Feijó, fechou aliança com o PTB.

Em um Estado com 496 municípios, o PP está à frente de 149 prefeituras e tem 119 vice-prefeitos. O PSDB possui 20 prefeitos e 33 vices. No Legislativo, a situação se repete: o PP do RS é representado por cinco deputados federais e o PSDB por dois. Na Assembleia Legislativa são nove parlamentares do PP e cinco do PSDB. A envergadura dos candidatos piora a situação.

Nas eleições de 2006, o quinto deputado federal eleito pelo PP fez 65.297 votos. Cerca de oito mil votos a mais do que Ruy Pauletti , segundo eleito do PSDB, e que teve a cadeira na Câmara assegurada também pela votação do então colega Júlio Redecker (157.745 votos). Redecker morreu em 2007, no acidente da TAM, e o PSDB não vislumbra até o momento outro candidato com o mesmo potencial.

No Legislativo gaúcho, apenas um candidato do PSDB - o hoje deputado Nelson Marchezan Jr. - fez mais votos do que o último eleito pelo PP. Para estas eleições, Marchezan Jr. pretende ir à federal.

A justificativa do PP para a coligação na proporcional ser uma condição inegociável é de que ela é o preço pelo apoio de um grande partido a uma candidatura cujo índice de rejeição ultrapassa os 40% (muito acima daqueles dos demais candidatos) e que, na preferência dos eleitores, conforme as últimas pesquisas feitas pelo Instituto Datafolha e pelo Index (esta encomendada pelo próprio PP) , não chega aos 10%.

"Não há possibilidade de voltarmos atrás ou negociarmos a questão da proporcional. A negociação está feita e foi justamente termos priorizado o apoio à governadora tendo candidatos que pontuam melhor. Não estamos pedindo demais", resume o presidente estadual do PP, Pedro Bertolucci, que há meses repete aos correlegionários a "importância" da coligação na proporcional.

Entre os tucanos, a decisão passou a ser vista como uma espécie de complô. "Isso parece um recado ou uma chantagem", afirma o deputado Pauletti, que também é o vice-presidente estadual do partido. Confira os principais trechos da entrevista concedida pelo tucano ao Terra na manhã desta terça-feira.

Terra - Quais as consequências da decisão do PP para o PSDB?
Pauletti - É um complicador. Minha posição eu já comuniquei. Sou contra a coligação, mas não sou um empecilho. Porque não podemos enfraquecer o palanque da Yeda e nem a candidatura do Serra (José Serra, candidato do PSDB à presidência da República).

Terra - O PSDB vai aceitar a coligação na proporcional ou tem outra alternativa?
Pauletti - O partido vai ter que fazer uma opção. Ou fortalece a candidatura de Yeda e a do Serra ou diminui suas bancadas. O PP tomou uma decisão unilateral. Isso parece mais com um recado, ou uma chantagem. A decisão deles como decisão de cúpula partidária não encontra respaldo entre os simpatizantes do PP.

Terra - Mas a decisão foi tomada também pelos pré-candidatos e pelas coordenadorias regionais.
Pauletti - Entendo que houve uma consulta às bases, mas da maneira que colocaram deu esse resultado. Os simpatizantes do PP, principalmente no interior do Estado, vão votar na Yeda e no Serra.

Terra - O PSDB tem apenas dois deputados federais representando o RS e cinco parlamentares na Assembleia Legislativa. A coligação na proporcional diminui ou extingue a bancada federal do partido?
Pauletti - Estamos avaliando que diminuiria as duas bancadas, a federal e a estadual, em função do tamanho do PP e também de seus bons candidatos. Há outro ponto. Hoje, na Câmara, o PSDB tem dois federais e o PPS, que é aliado, um. Se elegermos dois, por exemplo, o PPS fica sem nenhum. É certo que um dos três vai sobrar. Quem está fazendo essa exigência no PP, da proporcional, são principalmente os deputados federais, que desejam ser uma bancada de seis. Seria a forma de eles elegerem o sexto deputado federal.

Terra - Se o apoio do PP não acontecer, a candidatura de Yeda Crusius fica inviabilizada? E como fica o palanque de José Serra no Estado?
Pauletti - A candidatura da governadora dificulta, mas não inviabiliza. O palanque do Serra pode ficar enfraquecido se o PP não assumir, não se envolver. Mas ficará difícil também para o PP explicar um eventual apoio ao Beto Albuquerque (deputado federal, pré-candidato do PSB, e que disputa com o PSDB, e ainda com PMDB e PTB, o apoio do PP). O PSB está com o PCdoB. PP e PCdoB juntos é algo muito estranho, a livre iniciativa e a extrema esquerda. No interior a rivalidade entre PP e PMDB também é muito grande.


Especial para Terra
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Ítalo Dorneles

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