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Governo paraguaio confirma que suspeitos presos por atentado a senador são brasileiros

O governo do Paraguai confirmou na tarde desta terça-feira (27) que dois brasileiros --Nevailton Richard Martinez e Eduardo Seu da Silva -- foram presos na noite de ontem, na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay (Paraguai), suspeitos de tentar matar o senador paraguaio Robert Acevedo. Eles estavam em uma casa do bairro de Obrero e serão interrogados pela polícia local. A cidade está sob estado de exceção desde sábado.

Segundo a secretaria de Comunicação da Presidência do Paraguai, os detidos "vieram de lugares distantes" de Pedro Juan, mas viviam em uma casa alugada na cidade. No local, foram encontrados sete veículos "de origem duvidosa".

"Nós fizemos incursões em duas casas [de Pedro Juan], onde encontramos estes dois brasileiros. Ao lado da casa, estavam sete veículos, alguns com chapa de São Paulo. Três das chapas foram adulteradas do Paraguai", disse a promotora Lourdes Peña.

De acordo com a TV Telefuturo, os brasileiros pertencem à facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Polícia Federal (PF) brasileira disse que ainda não foi informada das prisões, mas que vai dar todo o apoio e as informações necessárias à polícia paraguaia. Segundo a PF, há cerca de dez anos o PCC ocupa áreas do Paraguai, que foram transformadas em pontos de fuga para criminosos brasileiros.

A polícia local continua com as investigações em Pedro Juan Caballero e diversas buscas e apreensões foram realizadas. O ministro do Interior paraguaio, Rafael Filizola, o vice-ministro de Segurança, Carmelo Caballero, e o ministro de Obras, Efraín Alegre, estão na cidade para acompanhar o caso.

Em entrevista à TV Telefuturo, da clínica onde está internado, Acevedo contou que “por um milagre de Deus não estou como os companheiros que estavam comigo, executados em pleno centro”. O motorista Floriano Alonso e o policial Richard Martinez, que protegiam o parlamentar, morreram no ataque.

O senador afirmou que um motociclista o ajudou a chegar até uma farmácia, em frente à clínica San Lucas, onde ele ficou escondido até que os criminosos fossem embora. Só então, cruzou a rua e foi atendido no hospital. Ele foi ferido no braço e no rosto.

Para o parlamentar, o ataque foi uma resposta do tráfico às constantes denúncias que ele faz contra o narcotráfico e a venda ilegal de madeira. "Se quero continuar vivo, tenho que deixar esta cidade. Aqui vão continuar com esse tipo de coisa. É pouco para poder enfrentá-los. Estamos parecendo uma cidade do México", falou.

José Carlos Acevedo, prefeito da cidade e irmão do senador, afirmou à rádio Nandutí AM que grupos ligados ao tráfico de drogas ofereceram entre US$ 300 mil e US$ 500 mil pela cabeça de Robert. O atentado, segundo ele, deveria acontecer durante a viagem do senador a Assunção ou a Pedro Juan.

“A informação que temos é de que um grupo se reuniu e pagou pelo crime”, disse. Ele lembrou ainda que os traficantes tentaram matar, em dezembro do ano passado, Ramon Cataluppi, diretor de Trânsito de Pedro Juan e homem de confiança da família Acevedo. No atentado, o funcionário foi atingido por 14 tiros, perdeu um dedo e uma perna.

Segundo ele, cada pessoa envolvida teria entrado com uma parte do dinheiro para pagar os criminosos, que usaram uma caminhonete prata Ford Ranger para atirar contra o carro do senador. A caminhonete foi abandonada perto de uma escola da cidade.

O prefeito afirmou ainda que por pouco seu irmão não foi vítima de criminosos que operam em Amambay, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, e no Brasil. “Não se controla nada. A fronteira terrestre é permeável. Muita gente de fora se esconde ali”, disse.

Do Uol Notícias Internacional

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Ítalo Dorneles

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