slider

Recent

Tecnologia do Blogger.
Navigation

Em júri, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá se encontram pela 1ª vez em quase dois anos


Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá -- pai e madrasta de Isabella Nardoni, 5, que morreu em março de 2008 após cair do 6º andar do Edifício London, zona norte de São Paulo em 2008 -- entraram juntos na tarde desta segunda-feira (22) na sala do tribunal que irá julgá-los pela morte da menina. Esta foi a primeira vez que eles se encontram desde que foram interrogados, em maio de 2008.

Jatobá veste uma blusa rosa e calça um sapato baixo. Nardoni está com uma camiseta branca, com uma faixa azul, e calça um tênis. Ambos vestem calça jeans. A Justiça não permite a presença de fotógrafos nem de cinegrafistas no local do julgamento.

Os dois negam as acusações e se dizem inocentes (entenda as acusações). A estimativa do tribunal é de que o julgamento dure até cinco dias. Nesta segunda, o julgamento deve acontecer até 21h, e nos outros dias será retomado às 9h.

Eles serão julgados por quatro mulheres e três homens, que foram escolhidos nesta tarde para compor o Conselho de Sentença. Houve uma recusa de um jurado por parte da defesa e outra por parte da acusação, ambas de mulheres. O júri terá uma pausa para almoço e deve ser retomado na próxima meia hora.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento.

Como será o julgamento

O júri deve contar com um vídeo contendo a simulação do crime e uma maquete do edifício, trazidos pela Promotoria, e com objetos encontrados no apartamento e outros, como a tela de proteção da janela, requeridos pela defesa.

O promotor do caso, Francisco Cembranelli, defende que Isabella foi jogada pela janela do 6º andar do Edifício London pelo pai. Antes, foi esganada pela madrasta e agredida por ambos. Já a defesa do casal insiste na tese de que havia uma terceira pessoa no prédio.

O advogado Ricardo Martins, que defende o casal junto com o advogado Roberto Podval, disse hoje não ter dúvidas da absolvição de seus clientes. “Eles serão absolvidos com certeza. Não há nenhuma prova que ligue o casal a este crime. Não há nenhuma perícia crucial, como o próprio promotor admitiu há poucos dias do júri. Além disso, há inúmeros falhas nesse processo", afirmou.

Para Martins, a cobertura da imprensa sobre o caso pode influenciar na decisão do júri. “Eu estou certo que se os jurados estiverem dispostos a ouvir as provas eles vão absolver. Agora, se vierem pensando só no que a imprensa tem dito ao longo desse tempo todo, aí até eu teria um monte de dúvidas”. Questionado se há hipótese de o casal confessar o crime, o advogado disse que é impossível. “O casal não irá confessar algo que não fez."

Chegada ao Fórum

O comboio policial que transportava Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegou à capital paulista por volta de 8h20, depois de deixar a cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O casal foi levado para o Fórum de Santana, na zona norte, onde acontece o julgamento, e ficou em salas separadas na ala da carceragem do prédio.

Anna Carolina saiu da penitenciária feminina de Tremembé por volta das 6h20. Os policiais passaram, em seguida, na penitenciária onde estava Alexandre Nardoni. Eles seguiram em carros separados da Polícia Militar, pela rodovia Carvalho Pinto.

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, o promotor Cembranelli, Antônio e Cristiane Nardoni, respectivamente pai e irmã de Alexandre, também chegaram ao fórum durante a manhã. Eles não falaram com a imprensa.

A mãe da menina é considerada a testemunha-chave da acusação no julgamento. Ela chegou de carro e entrou por uma entrada lateral do fórum, acompanhada pelo pai, José Arcanjo de Oliveira, e pela advogada, Cristina Christo Leite, que também é assistente de acusação no caso.

“Ana, que conhece melhor do que ninguém os protagonistas de tudo isso, conviveu durante um tempo com um dos réus [Alexandre]. Depois, com a outra ré, também teve contato [Anna Jatobá]. Ela conhece bem toda a história de vida dessas pessoas", afirmou o promotor na semana passada. "E ela, conhecendo e sabendo detalhes de cada um, estabeleceu a sua própria verdade, que é a nossa verdade. Então, ela apoia a tese da Promotoria. A sua opinião é de que aconteceu tudo que eu descrevi na denúncia e é por isso que ela está arrolada também como uma testemunha desse processo”.

O pedreiro Gabriel Santos Neto, que trabalhava na obra vizinha ao Edifício London, foi localizado pela Justiça e chegou ao Fórum de Santana por volta das 10h30 de hoje. Ele era a única testemunha arrolada pela defesa que não havia sido intimada para participar do julgamento. A hipótese de que os advogados de defesa poderiam apresentar motivos para suspender o júri se torna pouco provável com a presença do pedreiro.

Uma das faixas da avenida Engenheiro Caetano Álvares está interditada desde as 18h de domingo, onde fica o Fórum de Santana. Um esquema rígido de segurança foi adotado em razão do clamor público do caso.

No plenário, 77 lugares aguardam a imprensa, familiares e curiosos, que conseguiram senhas para assistir ao julgamento. A transmissão está proibida.

Entenda como funcionará o Tribunal do Júri
O primeiro passo é o sorteio dos jurados. Dos 25 presentes, sete serão escolhidos por defesa e acusação para compor o Conselho de Sentença. É ele quem decide se os réus são culpados ou inocentes.

Em seguida, serão ouvidos 24 depoimentos, entre eles, o da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, considerada testemunha-chave da acusação. Esta deve ser a fase mais longa do júri, até que comecem os debates. Neles, defesa e acusação possuem três horas cada para apresentarem seus argumentos. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, Maurício Fossen irá dosar a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.


do Portal Uol.

Compartilhe
Banner

Ítalo Dorneles

Mudei o meu perfil do blogger. Agora estou utilizando este aqui: https://draft.blogger.com/profile/12182443674733728583

Poste um comentário:

0 comments: