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Camiseta de Alexandre mostra que ele atirou Isabella da janela, diz perita

A perita do IC (Instituto de Criminalística), Rosângela Monteiro, afirmou nesta quarta-feira (24) que marcas visíveis na camiseta usada por Alexandre Nardoni no dia da morte da filha Isabella são únicas, que só poderiam ter sido produzidas por alguém que, carregando mais de 25 quilos, projetou-se contra a tela de proteção do apartamento no edifício London, de onde a menina foi jogada pelo 6º andar.

Alexandre e Anna Carolina Jatobá enfrentam júri popular pelo crime desde segunda (22) no Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista.

Em depoimento como testemunha de acusação no caso, a perita foi quem realizou os testes utilizando a tela de proteção original, cortada por quem arremessou Isabella. Segundo ela, foram feitos quatro testes. Os dois primeiros, com um indivíduo só com a cabeça para fora, e depois, com a cabeça e o braço para fora da tela, deram resultado incompatível. Um terceiro foi realizado, com a posição que a polícia acreditava ser a do assassino: dois braços para fora da tela, segurando a menina pelos braços. Foi quase totalmente compatível.

"Um quarto teste foi necessário porque as mangas não estavam esticadas. Este foi totalmente compatível com os vestígios encontrados na camiseta de Alexandre. A configuração é absolutamente a mesma", disse a perita, que prendeu a atenção dos jurados durante sua explicação, utilizando as imagens dos testes. "O teste também mostrou que não bastava encostar na tela, era preciso jogar o peso contra ela. Isso só foi possível segurando um peso de 25 quilos ou mais. Essa posição é única", completou a perita.

Sangue de Isabella e fralda

Em seu depoimento, Rosângela Monteiro também afirmou que a perícia do Instituto de Criminalística concluiu que havia sangue da menina na entrada do apartamento, no lençol do quarto dos meninos e na tela de proteção. Além disso, também havia sangue da menina em uma cadeirinha de bebê, que estava no carro.

A perita desconstruiu um argumento da defesa de que haveria falso positivo para o luminol, teste realizado com a substância Bluestar para encontrar marcas de sangue. "Há sim a possibilidade de que esse reagente obtenha luz com ferrugem, alimentos, mas um perito experiente sabe diferenciar", disse.

Ainda conforme a perita, uma fralda mergulhada em um balde encontrada no apartamento também continha sangue, mas não foi possível dizer com certeza de quem era. Foi possível, contudo, notar que ela foi utilizada para estancar sangue. "A fralda chamou a atenção porque, em meio a várias roupas espalhadas, era a única de molho. Fizemos mais de um teste, não só com Bluestar, e concluímos que era sangue humano. Mas a amostra era muito pequena e o DNA foi insatisfatório", afirmou. "Mas nós percebemos pelas dobras, que alguém colocava sobre o sangue, dobrava, e colocava de novo, para estancar."

A promotoria pediu para a testemunha, que começou a depor no terceiro dia de julgamento por volta das 10h25, reforçar suas credenciais. Após apresentar um extenso currículo acadêmico e profissional, destacando "os 30 anos na área forense", Rosângela afirmou que o local do crime "foi um dos mais preservados" que já encontrou em sua carreira.

Ao entrar na sala, Anna Carolina Jatobá, a madrasta, deu bom dia para a defesa. Porém, Alexandre Nardoni seguiu impassível. Mas quando o juiz leu os crimes dos quais o casal é acusado, ele abaixou a cabeça, só levantando quando a testemunha começou a depor. Na plateia, a autora Gloria Perez acompanhava tudo, sentada logo atrás da avó materna de Isabella.

Antes do julgamento, o advogado de defesa Roberto Podval afirmou que, em razão do cansaço dos jurados, vai tentar acelerar os depoimentos para tentar terminar hoje de ouvir as testemunhas. "Quero reduzir este andamento. Hoje são oito testemunhas. Eu quero diminuir isso pela metade", disse ele, ao chegar ao Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista. Segundo informações do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), faltam ser ouvidas 11 testemunhas.

Questionado sobre quem dispensaria de falar ao júri, Podval respondeu: "Não tenho a testemunha imprescindível. Preciso ver o andamento do júri para saber o que preciso provar."

"A delegada baseou seu depoimento nas conclusões da perícia. Se algo do que ela disse não bater com o que os peritos disserem hoje, ela vai ter que explicar de onde tirou a informação", afirmou Podval.

Ontem, em seu depoimento, Renata Pontes afirmou que só indiciou Alexandre e Anna Carolina Jatobá porque "tem 100% de certeza que eles cometeram o crime".

O advogado contou ainda não ter definido quando vai liberar a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, e a delegada do caso, Renata Pontes. As duas estão retidas no fórum para uma possível acareação com os Nardonis.

O promotor do caso, Francisco Cembranelli classificou a atitude de “lamentável” e disse que a mãe de Isabella não está bem confinada por mais de dois dias no fórum. O juiz Maurício Fossen, que conduz os trabalhos, manteve o pedido da defesa.

Entre as testemunhas de defesa que devem ser ouvidas hoje está o pedreiro Gabriel Santos Neto, que não havia sido intimado até as vésperas do júri, mas compareceu na segunda-feira (22) no fórum. Ele chegou a dizer que uma obra vizinha ao prédio dos Nardoni havia sido arrombada no dia do crime.

Ontem, o júri ouviu três testemunhas da acusação. Fotos do corpo de Isabella durante necropsia no IML (Instituto Médico Legal) chocaram algumas pessoas. A avó de Isabella, mãe de Ana Carolina Oliveira, chegou a deixar o plenário.

O que deve ainda acontecer no júri do ano
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até quinta-feira.

No primeiro dia ocorreram interrogatórios do processo. Também foi ouvido o testemunho-chave da acusação. Ana Oliveira, mãe de Isabella, chorou junto com Alexandre, relatou o ciúme da madrasta e as brigas em família.

O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, que devem dar o veredicto até a sexta-feira (26). Destes, cinco nunca participaram de um júri e receberam orientações do juiz Maurício Fossen.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz.

Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São três horas para cada parte. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal

do Uol Notícias.
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Ítalo Dorneles

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