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Poder de superação de uma nação é legado da Revolução Chinesa, dizem especialistas


A mentalidade de que é possível uma nação se erguer e se destacar entre outros países é o principal legado da Revolução Chinesa, que completa 60 anos nesta quinta-feira (1º), dizem especialistas ouvidos pelo UOL Notícias. No entanto, apesar da impressão de superação devido ao vigor econômico atual do país asiático, a China enfrenta críticas da comunidade mundial por restringir as liberdades de seus cidadãos.

Em 1º de outubro de 1949, o líder comunista Mao Tsé-tung anunciava a fundação da República Popular da China na praça Tiananmen, em Pequim. A China era um país pobre e agrário que desde o século 19 sofria com as ações imperialistas de grandes nações europeias e também do Japão, contra quem os comunistas lutaram na Segunda Guerra Mundial. Mas a luta na China não era só externa. Depois de ajudar a derrotar os japoneses, os comunistas concluíram uma guerra civil contra os nacionalistas, em que milhares de homens pegaram em armas. Mao estava à frente deles, como líder do Partido Comunista Chinês.

Mao tentou promover uma rápida industrialização no país, com o plano "Grande Salto para Frente", em 1958. A ideia era que cada vilarejo chinês produzisse alimentos e bens necessários. Mas o plano fracassou. Para atingir metas de produção, os chineses dispensaram o conhecimento técnico e não fizeram planejamentos adequados. Além disso, estima-se que cerca de 16,5 milhões de chineses (em sua maioria, camponeses) tenham morrido de fome e doenças causadas por desnutrição.

Xiaoping promoveu abertura econômica

Depois da morte de Mao, em 1976, a economia chinesa começou a ter o vigor que tem atualmente. Deng Xiaoping se tornou o secretário-geral do PCC e dirigente máximo da China. Durante seu governo, de 1976 a 1997, Xiaoping promoveu reformas econômicas, incluindo uma abertura ao mercado. "Deng Xiaoping entendeu que a economia não podia ficar toda estatizada. Ele fez reformas que imprimiram à China o que ela é hoje, fez uma abertura grande", disse Antônio Carlos Peixoto, professor de Ciências Políticas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Apesar dos erros que Mao cometeu, Peixoto diz que o líder chinês ajudou a apagar da memória do país a dominação por várias potências europeias. "A Revolução Chinesa foi também para recuperar a identidade nacional chinesa, o orgulho chinês. Foi um movimento que despertou a força da China e colocou o país no caminho em que ele está", afirma Peixoto.

Por outro lado, Peixoto não vê saídas a curto prazo para um tema pelo qual a China é muito criticada pelo Ocidente: a falta de liberdade de expressão. Segundo ele, o poder político no país é centralizado. Na opinião de Peixoto, os chineses vão continuar com essa centralização e com as restrições à livre expressão.

Severino Cabral, professor da pós-graduação em Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, também acredita que a mentalidade de que é possível se superar foi um resultado positivo da Revolução Chinesa. "O legado foi a ideia de que uma nação, mesmo oprimida e invadida pode erguer-se e caminhar entre outras nações", disse Cabral.

Desafios

A economia chinesa cresceu 7,9% no segundo trimestre de 2009 em comparação ao 2º trimestre de 2008, mais que outras potências mundiais, mas não conseguiram eliminar a pobreza no país. "Ainda há bolsões de pobreza no país, mas eles estão reduzindo a pobreza em ritmo intenso", afirma Argemiro Procópio, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília.

Na opinião de Peixoto, um problema que persiste desde antes da Revolução Chinesa é o tamanho da população da China. Hoje, o país tem cerca de 1,3 bilhão de habitantes. "Esse problema sempre existiu. Garantir alimento para toda essa população não é fácil. E garantir trabalho para boa parte dela também não. Foi com isso que Mao e seus sucessores tiveram que se defrontar", explica o professor da Uerj. Peixoto lembra que na década de 60, Mao Tsé-tung já promovia políticas de controle de natalidade.

Para Peixoto, há três principais questões ainda sem resposta sobre o futuro da China. A primeira é se o país conseguirá manter a centralização política aliada a uma economia de mercado indefinidamente. A segunda está relacionada à manutenção da unidade nacional. "As desigualdades regionais, no território chinês, são grandes. Há regiões mais desenvolvidas que as outras. Será que vai haver um estilhaçamento nacional?", questiona o professor.

E, por fim, há os desentendimentos com Taiwan, considerada por Pequim como uma província, status que Taiwan não aceita. "Se Taiwan declarar independência, a China entra em guerra, custe o que custar. O orgulho nacional vai falar mais alto. E isso pode prejudicar a economia", analisa.

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Ítalo Dorneles

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