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Brasileiros ainda enfrentam doenças por falta de água e rede de esgoto deficitária

Se a maior parte dos brasileiros tem acesso a água encanada e coleta de esgoto em casa, moradores de 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto.

Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE), a rede de abastecimento de água cresceu 0,7% entre 2007 e 2008, atendendo cerca de 1,8 milhão de casas a mais no período. A rede cresceu mais no Nordeste, onde hoje 78% das residências têm água.

A rede é menor no Norte, onde só 58,3% das casas têm água encanada, de acordo com dados da pesquisa. É na região que se encontram os três Estados com as redes mais precárias: Rondônia, Pará e Acre - que atendem 42,3%, 49,1% e 56,8% das casas, respectivamente.



"O problema da falta de água ou da intermitência no fornecimento é que ela leva a população a procurar alternativas que podem não ter os mesmos parâmetros de potabilidade da rede oficial", explica Wanderley Paganini, professor doutor do departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP. "Água potável é a diferença entre a vida e a morte".

Paganini afirma que, no Brasil, 60% das internações de crianças de zero a 10 anos são causadas pela falta de água potável ou de esgotamento sanitário. Os jovens chegam aos hospitais com diarréia, disenteria, vermes, tifo e hepatite. Se a combinação de chuva, esgoto e ratos estiver presente, há o risco grande de contrair leptospirose.


Os números da coleta de esgoto são mais desanimadores. O IBGE chama de "outro" o esgotamento que não trata os dejetos, lançando-os para fossas rudimentares, valas, rios, lagos ou para o mar. Enquanto o Distrito Federal trata 96,8% do esgoto residencial, o Tocantins trata somente 32,1%. Ainda é mais que o Mato Grosso do Sul, onde somente 24% do esgoto é tratado. O Estado tem o pior índice de coleta de esgoto no país, muito abaixo do número modesto do vizinho Mato Grosso, onde a rede coletora atende 53,4% das residências.

A rede de esgoto no Mato Grosso do Sul está divida entre a Sanesul, empresa que cuida das áreas urbanas do Estado, o Incra e a Funasa, que dividem o trabalho na parte rural. Na capital Campo Grande, o sistema de saneamento é privatizado e a empresa responsável pelos serviços de abastecimento e esgoto é a Águas Guariroba.

De acordo com a assessoria de imprensa da Sanesul, a empresa trata hoje 15% do esgoto das áreas urbanas, número que deve pular para 35% em 2010, quando está prevista a entrega das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nas cidades Corumbá, Dourados, Ponta Porá e Três Lagoas.



Enquanto as obras não ficam prontas, a cidade de Corumbá, conhecida como a porta de entrada do Pantanal, tem somente 4% do esgoto tratado. Segundo a Sanesul, as principais dificuldades para aumentar a rede de esgoto na cidade são o terreno rochoso, que encarece as obras de instalação do encanamento, e o grande número de ligações clandestinas que despejam os dejetos das casas diretamente nas galerias pluviais - que seguem para o rio Paraguai. O contraponto no Mato Grosso do Sul é a turística cidade de Bonito, onde 100% do esgoto é tratado, afirma a empresa.

A disparidade de saneamento entre as unidades da federação é tão grande que, ao contrário do Mato Grosso do Sul, o volume de esgoto residencial coletado e tratado no Estado de São Paulo chega a 94,2%. No Distrito Federal, o índice é ainda maior: 96,8%.

Coleta de lixo
Não é só água sem tratamento e esgoto a céu aberto que causa doenças. A má disposição do lixo também pode causar problemas de saúde. O acúmulo de resíduos sólidos junta ratos, baratas e moscas, que são vetores de bactérias.

Segundo o IBGE, a coleta de lixo cresceu 0,6 ponto porcentual de 2007 para 2008 e hoje atende a mais de 50 milhões de domicílios. Dados da Pnad mostram que as regiões Nordeste e Sudeste deram as maiores contribuições em números absolutos, com 641 mil e 690 mil casas, respectivamente, passando a fazer parte da rede de coleta de lixo.

Em porcentagem, o Sudeste lidera na coleta dos resíduos domiciliares: 95,3% é recolhido, contra 4,7% que são queimados ou enterrados em propriedades, jogados em terreno baldio, nas ruas, rios, lagos ou mesmo no mar. A pior situação está no Nordeste, onde 24,6% - quase um quarto de todo o lixo produzido - não tem destino correto.

A evolução dos serviços de coleta é essencial. Mas o problema do lixo não acaba no caminhão, mas sim nos aterros sanitários.

"O lixo tem que ser encarado de três maneiras: uma é forma como ele é separado e embalado dentro de casa. Outra é a coleta pelo poder público. Mas o mais importante é para onde vai esse lixo e como vai ser disposto na natureza", diz Wanderley Paganini, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

"A disposição correta dos sacos de lixo protege a população das doenças. E a disposição protege o meio ambiente", completa o professor.

Informações do Portal Uol.
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Ítalo Dorneles

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