quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Homenagens à Chapecoense em Medellín e pelo mundo

Fãs do Atlético Nacional fazem homenagem às vítimas da tragédia com o voo da Chapecoense, no estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia
Foto: AP Photo/Fernando Vergara


 Milhares de pessoas compareceram nesta quarta-feira (30) ao estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia, para prestar homenagem às vítimas da queda do voo que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas, na noite da última segunda-feira.

O estádio seria o local da partida entre o Chapecoense e o Atlético Nacional, o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. No horário em que começaria o jogo, às 21h45 (horário de Brasília) o estádio já estava em sua capacidade máxima, com pessoas vestidas de branco e com uma vela acesa para se solidarizar com as vítimas, suas famílias e países de origem – Brasil, Venezuela e Paraguai.

Outras milhares de pessoas, segundo o canal Telemedellín, ficaram do lado de fora do estádio e acompanharam a cerimônia por telões. Durante um minuto de silêncio, os expectadores também acenderam seus celulares.

A Arena Condá, a casa do clube em Chapecó, também prestou homenagem às vítimas da tragédia nesta noite.
 
 
Mascote e crianças da cidade dão a volta no gramado na Arena Condá, em Chapecó, durante a cerimônia na noite de quarta-feira (30)
Foto: Diego Madruga/GloboEsporte.com


O acidente com o jato Avro RJ-85 da empresa aérea boliviana LaMia deixou 71 mortos. Até o fim da tarde desta quarta, 45 corpos já tinham sido identificados. Seis pessoas sobreviveram e estão internadas em hospitais locais, algumas em estado crítico.

No Atanasio Girardot, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, José Serra, fez um discurso emocionado, em que agradeceu a solidariedade do povo colombiano. "Muito obrigado Colômbia. Nesses momentos de grande tristeza imensa para as famílias, para todos nós, as expressões de solidariedade que aqui encontramos, aqui no Atanasio Girardot, nos oferecem um grau de consolo imenso. Uma luz no escuro quando todos estamos tentando compreender o incompreensível", disse Serra.

"Não nos esqueceremos a forma como os colombianos sentiram como seu o terrível desastre que interrompeu o sonho desse time herói da Chapecoense. Uma espécie de conto de fadas com final de tragédia", afirmou, acrescentando que o país também não esquecerá a postura do Atlético Nacional de pedir que o Chapecoense seja declarado campeão da copa Sul-Americana.

Juan Carlos de la Cuesta, presidente do Atlético Nacional, prestou sua solidariedade às famílias de todas as vítimas e pediu união no futebol. “Hoje é um momento para convidar à reflexão, a saber que o mais importante é a vida, a saber que a união, a convivência, a convivência no futebol... Se não temos clubes rivais não há futebol, se não temos torcidas rivais, não há festa no futebol. Convidamos para que esse seja o momento para que haja união e convivência no futebol, é o que queremos todos nós”, disse.

 Também falaram outras autoridades, como o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez; o diretor técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda; o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez; o governador de Antioquia, Luis Pérez Gutiérrez.

Ao final, crianças entraram ao campo com balões brancos e os soltaram enquanto os apresentadores liam os nomes das 71 vítimas. Da arquibancada, o público jogou flores no campo.

Acidente

Enquanto eram feitas as homenagens no estádio em Medellín, o secretário de Segurança Aérea da Colômbia, Freddy Bonilla, concedeu uma coletiva de imprensa em que afirmou que o avião Chapecoense estava sem nenhum combustível em seus tanques ao cair e anunciou a abertura de uma investigação.

 Uma das linhas de investigação para a queda, segundo Bonilla, é ter havido pane seca, quando a falta de combustível faz parar os sistemas elétricos da aeronave.

Uma gravação divulgada pela imprensa colombiana nesta quarta mostra conversa entre um dos pilotos do voo em que ele pede prioridade à controladora de tráfego aéreo justamente em razão da falta de combustível.

O avião havia saído de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) e ia para o aeroporto José María Córdova, em Medellín. O avião havia sido fretado pela Chapecoense.
A tripulação do LaMia pediu prioridade para pouso às 0h48 (horário de Brasília). Mais tarde, declarou emergência.

Segundo Bonilla, o avião bateu em baixa velocidade contra a montanha, 250 km/h, o que permitiu ter havido sobreviventes --eles estavam em posições diferentes da cabine de passageiros, disse. Ele acrescentou que não recebeu, até o momento, denúncias de irregularidades contra a LaMía.
 
 
Fonte: portal G1


Clubes entram em campo pelo mundo com homenagens à Chapecoense
 
Assim como aconteceu na última terça-feira, clubes ao redor do mundo continuam homenageando o clube da Chapecoense, que sofreu uma das maiores tragédias da história do futebol mundial. O avião da delegação da equipe catarinense caiu enquanto voava para Medellín, na Colômbia, para a disputa da grande decisão da Copa Sul-Americana desta temporada. Ao todo, 71 pessoas morreram, sendo 19 jogadores, enquanto apenas seis sobreviveram.

Em jogo válido pela Copa do Rei, contra o Leonesa, no Santiago Bernabéu, o Real Madrid prestou uma homenagem às vítimas do acidente ocorrido na Colômbia. Todos os jogadores do time merengue entraram em campo com a seguinte mensagem na frente da camisa: "Todos Somos Chapecoense".

Jogadores do Real Madrid fazem homenagem à Chapecoense

Com os jogadores dos dois times perfilados no meio-campo, foi também respeitado, antes do apito inicial, um minuto de silêncio (vídeo abaixo) pelo acidente.

Real Madrid vs. Chapecoense, Copa del Rey #ForcaChapecoense pic.twitter.com/https://t.co/AAxjNab0za
 
— Federico Llano (@llanof) 30 de novembro de 2016

Outro clube que prestou homenagem à Chapecoense foi o Saint-Étienne. O clube francês, que também é alviverde, entrou em campo contra o Olympique de Marselha com o escudo da equipe catarinense estampado ao lado do seu. A partida era válida pela 15ª rodada do Campeonato Francês e aconteceu no Estádio Geoffroy Guichard.
 
 
Saint-Étienne entrou em campo com o escudo da Chapecoense na camisa
Foto: AFP / JEAN-PHILIPPE KSIAZEK


 Outro grande clube que prestou homenagem à Chapecoense foi o Manchester United. Nesta quarta, o locutor do tradicional estádio anunciou antes de a bola rolar contra o West Ham, pelas quartas de final da Copa da Liga.
 
"Old Trafford, na manhã de ontem (terça) a comunidade do futebol foi atingida com a notícia do avião que caiu com a equipe brasileira Chapecoense. O time jogaria a final da Copa Sul-Americana nesta noite. Tragicamente, 71 pessoas perderam suas vidas. E, nesta noite, nós lembraremos deles. Um período de silêncio começará e terminará ao apito do juiz". Na sequência, torcedores aplaudiram a atitude.

Old Trafford pays respect following Tuesday's tragic events in Colombia.@ChapecoenseReal, we are with you. https://t.co/ lV8sT78ZrZ

— Manchester United (@ManUtd) 30 de novembro de 2016

O Sporting, de Portugal, também praticou o minuto de silêncio antes da partida contra o Arouca, pela Copa da Liga Portuguesa. No entanto, a homenagem foi além do tradicional gesto praticado antes de a bola rolar. No Estádio José Alvalade, os torcedores do clube português levaram faixas de apoio aos jogadores da Chapecoense.
 
 
Torcida do Sporting leva faixas em homenagem à Chapecoense
Foto: Reprodução/Twitter


 O Paris Saint-Germain, dos brasileiros Marquinhos, Maxwell, Lucas, Thiago Silva e Thiago Motta, também fez sua parte nesta quarta-feira. Além do minuto de silêncio na partida contra o Angers, válida pela 15ª rodada do Campeonato Francês, o clube estendeu uma bandeira do Brasil na área técnica, e os torcedores também levaram faixas em homenagem à Chapecoense.
 
Além das homenagens do clube, Edinson Cavani também fez questão de passar sua mensagem ao clube brasileiro. Na etapa final, ao marcar o segundo gol do PSG, o atacante urugaio não ligou de tomar um cartão amarelo: tirou sua camisa e, por baixo, mostrou estava com uma branca, escrito em verde "força", com a sigla da Chapecoense.
 
 
Cavani comemora gol com uma mensagem para a Chape
Foto: AFP / FRANCK FIFE 
 
'Força, Chape', desejaram torcedores do PSG ao clube brasileiro
Foto: Reprodução/Twitter 
 
Bandeira do Brasil é colocada na área técnica do PSG
Foto: Reproduçã/Twitter 
 
Pela Copa da Liga Inglesa, o Arsenal também deu sei jeito para homenagear a equipe catarinense. O atacante espanhol Lucas Pérez e o zagueiro brasileiro Gabriel Paulitas entraram em campo com uma faixa verde escrito: "#ForçaChape", hashtag que ganho as redes sociais após o acidente aéreo na madrugada da última terça-feira.


Lucas Pérez e o brasileiro Gabriel Paulista com faixa para Chapecoense
Foto: Reuters / Stefan Wermuth
 
 
 Torcida do Copenhague estende faixa de apoio à Chapecoense
Foto: Divulgação/Twitter Copenhague
 
 
Fonte: Uol esporte e Globoesporte.com

Fidel, por Eduardo Galeano


E seus inimigos não dizem que apesar de todos os pesares, das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta”


Eduardo Galeano

Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.

E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.

E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.

E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.

E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.

Do livro “Espelhos, uma história quase universal”
(*) Tradução de Eric Nepomuceno. Publicado a partir do Outras Palavras.


Fonte: portal Sul21

"Nosso sistema político é como um câncer, com células crescendo desordenadamente"

Por Brenno Grillo

O sistema político brasileiro é como um câncer, que cresce por meio da proliferação das células de maneira tão desordenada que acabam por sufocar o organismo, levando-o à morte. Na segunda parte da entrevista do diplomata e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente Rubens Ricupero, à ConJur, (leia a primeira parte aqui), ele analisa o contexto político-econômico do país.

O momento vivido pelo Brasil desde as eleições de 2014 é preocupante, tanto pela tensão política, quanto pelas dificuldades econômicas. “O Brasil tem penado muito para construir um regime democrático que seja, ao mesmo tempo, inclusivo, participativo e estável”, afirma.

Segundo o ex-ministro, o modelo político brasileiro chegou ao seu limite, e não é de agora.  “Se nós recuarmos, para não ir muito longe, ao período em que acabou a 2ª Guerra Mundial e houve o movimento para afastar o Getúlio Vargas, que pôs fim à ditadura do Estado Novo. Desde aí, quase 70 anos se passaram, e, nesse período, houve três regimes, sob três sistemas políticos”, explica Ricupero.

Sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ele destaca que qualquer processo nesse sentido é uma expressão de fracasso. “O fracasso de um governo, o fracasso de uma pessoa, não é? Fracasso de uma proposta, de uma abordagem dos problemas.”

Ainda sobre o modelo político brasileiro, Rubens Ricupero reforça que ele foi pouco alterado pela Constituição de 1988, nascendo já com um “pecado original”: a organização do Estado.

Leia a entrevista:

ConJur — Nós tivemos dois impeachments em menos de trinta anos, o nosso modelo político está exaurido?
Rubens Ricupero — Está há muito tempo. Toda a história política do Brasil, é muito acidentada. Nos últimos tempos, sem dúvida. Se nós recuarmos, para não ir muito longe, ao período em que acabou a 2ª Guerra Mundial e houve o movimento para afastar o Getúlio Vargas, que pôs fim à ditadura do Estado Novo. Desde aí, quase 70 anos se passaram, e, nesse período, houve três regimes, sob três sistemas políticos. O primeiro, foi o da Constituição de 1946, que durou menos que 20 anos, pois foi interrompido pelo golpe militar de abril de 1964.

Por exemplo, a Constituição é de 1946, mas em 1964 entra um regime não constitucional. O regime militar vai durar 21 anos. Ele é todo, do começo ao fim, ilegítimo e inconstitucional. Não obstante eles terem aprovado constituições e atos institucionais, é ilegítimo. E, finalmente, temos um novo regime, que poderia se chamar de terceira República, talvez, porque a primeira foi a da Proclamação até a revolução de 1930. A segunda, é a que se seguiu com a Constituição  de 1946, e essa seria a terceira. Essa, começa em 1985, com a saída dos militares, e dura 31 anos. Teve até a aprovação da Constituição em1988, mas o regime já começa em 1985. Então, nesse período, dos 71 anos, nós já temos que deduzir os 21 anos o governo militar que são totalmente ilegítimos.

Portanto, sobram 51 anos. Dos 51 anos, na primeira fase, só terminaram o mandato, foram eleitos democraticamente e terminaram o mandato o marechal Dutra e o Juscelino Kubitschek. O Getúlio Vargas se suicidou em 1954, para não ser deposto; o Jânio Quadros renunciou com oito meses de governo e o João Goulart foi deposto. Do regime que começa em 1985 até agora, o primeiro presidente eleito por voto direto foi impedido — porque o Sarney tinha sido eleito pelo Congresso e para vice, né, nem para presidente... Aí houve um período muito bom que talvez seja a era dourada dessa terceira República, que é o período de 19 anos: os primeiros oito anos de Fernando Henrique, e os oito anos de Lula.

Eu sempre digo que, do ponto de vista do Lula e do PT, o melhor teria sido que o relógio da história estivesse detido em dezembro de 2010, porque marcaria o triunfo dele. Crescimento de 7,6%, popularidade de 83% depois de oito anos de governo e eleição da sucessora. Se tivesse parado naquele momento era a glória. Infelizmente, a história continua e nós sabemos o que veio depois. É uma história acidentada. É o mínimo que se pode dizer. Isso prova que o Brasil tem penado muito para construir um regime democrático que seja, ao mesmo tempo, inclusivo, participativo e estável.

ConJur — Mas não somos os únicos com essas características?
Rubens Ricupero — Deve-se dizer em nosso favor que nós não somos um caso único no mundo cultural e histórico de que pertencemos, né. Que é o mundo da América Latina. Se nós olharmos do México ao Sul, todos, mais ou menos, estão no mesmo barco. Alguns mais, outros menos. A Costa Rica tem sido mais estável em não ter golpes. O Chile, mais recentemente, mas teve uma ditadura militar atroz. A Argentina, a Colômbia tinha guerra civil, Venezuela, ni hablar, como dizem os hispânicos. Então, no mundo em que nos movemos, que é o nosso mundo, e que é onde é válida a comparação, porque somos países que tiveram o mesmo tipo de colonização ibérica, que chegaram à independência na mesma época, que têm uma estrutura econômica parecida. Nesse mundo, o Brasil não faz uma figura nem boa, nem ruim. Não se destaca.

Não é, como na época do império, em que havia aquela crença errônea de que o Brasil era uma exceção brilhante pela estabilidade. Na verdade, era escravidão. A gente sabe que aquilo tudo é muito falso. Seria bom para a ideia que os brasileiros fazem de si próprios uma certa sobriedade. Nós não somos melhores que os outros. Agora, é uma história complicada. Mostra primeiro a dificuldade em construir um regime democrático com todas aquelas qualidades que eu mencionei. E indica, também, que os diferentes regimes políticos — isto é, o conjunto de instituições que foram criadas pelas constituições brasileiras — sempre mostraram a sua imperfeição diante das crises.

ConJur — A culpa é do nosso sistema político?
Rubens Ricupero — O atual sistema, que nasce da Constituição de 1988, tem características curiosas. O sistema político, propriamente, não é muito inovador. A Constituição de 88 teve coisas inovadoras em termos de melhorias sociais, mas, na forma de organizar os Poderes do Estado — o Executivo, o Legislativo e o Judiciário —, a divisão em ministérios, o tipo de legislação partidária... Não mudou muito. Isso vem de muito tempo atrás. Não houve uma imaginação criadora.

Criou-se um sistema político com um pecado original. Os cientistas políticos brasileiros, sobretudo os mais recentes, que estudaram nos Estados Unidos e que têm muito essas metodologias de análise de eleições e de processo legislativo, costumavam dizer, até pouco tempo atrás, que não havia nada de errado com o sistema político brasileiro, porque ele cumpria a sua missão, que era a de produzir decisões para permitir que o país fosse governado.

E isso se traduzia no fato de que o Executivo obtinha do Congresso e do Poder Judiciário boa parte do que precisava. Isso, de certa forma, era verdade, porque a Constituição de 88 já tem praticamente uma centena de emendas, incluindo as emendas de redação. Se considerarmos, por exemplo, que a Constituição  americana, que é da década de 1780, tem muito menos. Vê-se que até uma decisão difícil, como é emendar Constituição , é viável no Brasil com esse sistema. Essa visão peca por ter considerado o sistema como se ele fosse sempre igual a si próprio. Como se ele não fosse dinâmico, como se ele não estivesse sempre se modificando.

Se esses estudiosos fizessem essa afirmação, talvez há 15 ou 20 anos, se poderia mostrar que, de fato, havia decisões, e o custo das decisões não era tão grande, nem do ponto de vista moral, nem do ponto de vista econômico. O que essas pessoas não perceberam é que o sistema político brasileiro é como um câncer. Ele cresce por meio da proliferação das células. No final, as células crescem de maneira tão desordenada, que elas acabam por sufocar o organismo e levando-o à morte. O sistema brasileiro é a mesma coisa. Vários elementos s do sistema estão numa trajetória que pelo próprio desenho do sistema não há como deter.

ConJur — Um exemplo é o grande número de partidos?
Rubens Ricupero — Na época do regime militar, no início, havia dois partidos impostos. Depois, quando como começa a abertura, se permitiu a formação de alguns mais, então, além do PDS e do PMDB, foram formados, naquela época, o PTB antigo, o PDT, do Brizola, o PT, que foi fundado logo depois, e o PP [Partido do Povo] — partido que tinha sido fundado pelo Tancredo Neves e pelo Magalhães Pinto e que não durou, logo foi eliminado. Então, havia cinco ou seis partidos que foram crescendo.

E, hoje em dia, são 35 partidos. E estão em curso na Justiça Eleitoral 125 demandas de legalização de partidos. Nem todos conseguirão, mas esses 125 pedidos comprovam o que estou dizendo. É uma proliferação de células. Porque funda-se um partido como se funda uma empresa, para conseguir recursos do fundo partidário. Depois, se atrai um Tiririca da vida, ele se elege e carrega com ele mais quatro ou cinco deputados — inclusive o fundador do partido.

O Supremo Tribunal Federal, infelizmente — não tenho uma opinião muito alta do Supremo. Acho o Supremo muito medíocre na sua ação — cometeu um grande desserviço no Brasil ao decidir por unanimidade que a reforma que tinha sido votada pelo Congresso, da cláusula de barreira, era inconstitucional. O Supremo interpretou de uma maneira absurda o princípio da liberdade de representação, como se ele fosse um princípio absoluto. Nenhum princípio é absoluto. Todos os princípios são moderados por outros princípios. E o Supremo fez um desserviço em não permitir esse aperfeiçoamento da legislação.

ConJur — Qual outro ponto que pressiona os custos?
Rubens Ricupero — Mas, além do problema dos partidos, o que pressiona os custos é que as eleições também são mais numerosas. Porque cada vez há mais municípios criados, o que é um absurdo. A maioria deles não tem viabilidade econômica. Até estados novos são criados. As eleições têm um custo proibitivo porque passam a recorrer a meios de comunicação de massa sofisticados, com um grande aparato publicitário. Então, isso tudo leva a uma situação em que o sistema político depende de um mecanismo de transferência de recursos econômicos, da economia para os partidos, e para o bolso dos políticos, porque é difícil distinguir uma coisa da outra.

Ora, uma economia como a nossa, que já perdeu o dinamismo há muito tempo, não tem condições. As próprias empresas privadas, quando se permitia que elas doassem, doavam, mas se ressarciam com contratos da Petrobras, Eletrobrás etc. O fato de que a economia brasileira ainda depende do poder público, em grande escala, leva a essa confusão. A meu ver, nós já estamos numa situação em que esse sistema já não aguenta mais.

A “lava jato” é uma expressão disso. Mas, ainda não se vê, no Congresso, um movimento forte de autorreforma. A meu ver, o sistema atual só pode sobreviver se ele demonstrar sua capacidade de autorreforma. Em tudo, no número de partidos, no financiamento, em proibir as coligações proporcionais, com essa possibilidade de arrastar votos e coisas absurdas como o senador que indica o seu próprio suplente. O sistema é todo errôneo, a começar daquela herança do pacote de abril, do general Geisel, que traz uma distorção da representação, em que estados insignificantes em população elegem um número de deputados muito maior do que poderiam.

Nos Estados Unidos, a cada recenseamento se muda o número de deputados que um estado pode eleger, porque é o princípio democrático da representação. E aí vê-se que não se seguiu esse critério absoluto. Porque o Brasil modera o princípio da representatividade com a ideia de desigualdade, coisa que os americanos nunca fizeram.

ConJur — Mas voltar a essa representatividade não pode nos levar de volta à "República do café com leite"?
Rubens Ricupero — Não. Já a parte do Brasil que é desenvolvida e pega todo o Centro-Oeste. De qualquer forma, ou se acredita na democracia representativa ou não. Porque, se a representativa não pode ser na base de um homem, um voto, se o voto de alguns tem mais valor do que o de outros, então não se pode aplicar isso para permitir a proliferação de partidos. É contraditório.

É um  sistema muito imperfeito. Em resumo, até se poderia dizer, as instituições brasileiras são imperfeitas, muito imperfeitas, e mais imperfeitos são, ainda, os homens e as mulheres que as manejam. As instituições, a Constituição, elas são muito imperfeitas. E as pessoas que são encarregadas de interpretá-las têm uma atitude de indulgência em relação a essas coisas. Não quero dizer que precisa ser uma reforma perfeita, provavelmente ela vai ser imperfeita, mas algumas coisas essenciais precisam ser sanadas. Ou se faz isso, ou se caminha para outra crise.

Essa mudança de agora não é uma mudança maior na evolução do país. É um episódio que não chega a transformar as questões essenciais. Se isso não mudar, essa crise apenas é o prólogo de outras crises. As pessoas têm essa ingenuidade, de achar que chegando a 2018, uma nova eleição presidencial resolve tudo. Não resolve nada. Porque vai se fazer em condições ainda mais precárias.

ConJur — Essa expectativa de melhora, juntamente com a volta do crescimento econômico, não pode contribuir para o enfraquecimento das investigações?
Rubens Ricupero — Não creio. Vai depender muito das revelações. Porque as pessoas têm uma expectativa pequena, mas uma indignação enorme contra a corrupção. O descompasso é muito grande. E as delações vão aumentar ainda mais essa indignação. Teria que ser necessário um sucesso, assim, astronômico, que eu não antevejo. Todo mundo teria que virar milionário para ficar indiferente a isso. Não se pode subestimar a profundidade do descrédito dos políticos e da indignação.

ConJur — E o Congresso nesse contexto?
Rubens Ricupero — O Congresso, não tenho dúvidas, se puder, faz aí uma grande maracutaia. Mas não creio que eles teriam força para isso.

ConJur — O que pesou mais na saída da agora ex-presidente Dilma Rousseff: a perda de confiança dos atores econômicos, ou a perda de apoio no Congresso?
Rubens Ricupero —  É difícil de atribuir uma porcentagem. Em termos jurídicos, eu penso que ela, de fato, cometeu crimes contra a lei de responsabilidade fiscal — que são graves e que justificam a remoção da pessoa do poder. Não é esse o sentimento popular. Porque as pessoas tendem a só considerar grave o enriquecimento pela corrupção ou o comportamento pessoal desordenado — o que não é o caso dela. Mas, em matéria de consequências, o que foi feito no governo dela, em termos de violação da lei de responsabilidade fiscal, contribuiu enormemente para a crise econômica.

E quando se vê que o Brasil tem hoje milhões desempregados, uma boa parte disso é consequência do que foi feito. Portanto, se justifica a remoção. Agora, o que contribuiu mais, além desse episódio, que é o que justifica legalmente, é o fracasso geral. É como se costumou dizer: “o conjunto da obra”. E isso é uma avaliação de todos, né. A partir de um certo momento, mesmo aqueles deputados, ainda na época que o impeachment estava na Câmara, quando ainda havia líderes do PMDB, como o pai do deputado Picciani, que é o líder do estado do Rio. Ele declarou, numa atitude que parece muito representativa, que, a partir de um certo momento, as pessoas se convenceram que ela perdeu as condições de governabilidade. Não havia mais volta. E isso exigia, portanto, uma ação.

No caso do Congresso, e da opinião pública, em geral, isso pesou muito. A atitude dos empresários, dos agentes econômicos é apenas um dos elementos. A percepção, em geral, foi essa, de que, de certa maneira, o governo se derrubou. Ele criou as condições para que gradualmente fosse perdendo apoio até daqueles que, durante muito tempo, fizeram parte da base governamental. A votação final no Senado representa mais de 75%. É muito alto para chegar a isso.

ConJur — A saída pelo conjunto da obra não pode abrir um precedente perigoso no presidencialismo? E essa motivação para a cassação não mostra que o nosso sistema está muito mais próximo de um parlamentarismo do que imaginamos?
Rubens Ricupero — A Constituição brasileira é  híbrida. Ela foi feita, no início, para ser parlamentarista. Depois é que se alterou devido àquele conflito sobre a apuração do mandato do Sarney. Mas ela tem muitas características parlamentaristas, sobretudo no sentido de que o congresso brasileiro tem poderes gigantescos sem ter responsabilidade, porque ele não é o governo. Era melhor completar isso.

É verdade que para o impeachment são necessárias duas coisas: uma é o conjunto da obra, mas a outra é que haja um crime. Nesse caso, ao meu ver, como já disse, há um crime de responsabilidade. Eu não sou dessa opinião de que as pedaladas fiscais são uma coisa menor. Ao contrário, acho gravíssimo. Se desfez grande parte do esforço que fizemos desde o plano Real para tentar colocar o país numa situação simplesmente de sanidade mental. Vejo com muita preocupação essa tendência dos que recusam isso. Porque mostra que eles seriam incapazes de compreender o mecanismo elementar da economia. Não se pode querer, voluntariamente, gastar aquilo que não se tem. Se o país quiser retomar o caminho do crescimento mais estável, é preciso ter as finanças saneadas. E isso vale em qualquer regime, comunista ou não. Não pode se ter essa fantasia que temos aqui, que o dinheiro é uma coisa que você colhe no ar.

ConJur — E as comparações com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor?
Rubens Ricupero — No caso de agora há uma diferença:  preservaram os direitos políticos dela. Acho que, um pouco, em homenagem ao fato de que ela é percebida como uma pessoa decente do ponto de vista de moral pública. Houve essa distinção no caso do julgamento sobre o caráter, que é um pouco diferente. Mas a diferença que vejo, que vai pesar no governo Temer, é que há vários aspectos diferentes para pior, e um aspecto para melhor em relação à única experiência semelhante que nós tivemos, que foi o impeachment do Collor e a posse do presidente Itamar.

O que é pior, hoje em dia, em primeiro lugar, é a existência da operação “lava jato”. É curioso que durante as duas semanas, quando o processo de impeachment ingressou na fase decisiva, que o interesse pelos procedimentos se tornou tão grande que as pessoas praticamente esqueceram que existe a “lava jato”. Pelo menos, ela passou para segundo plano. Eu estava vendo os jornais do dia seguinte ao impeachment e não há nem praticamente menção a ela. Mas, ela não terminou e ninguém mais vai querer ler sobre o impeachment. Há uma espécie de fadiga. Depois de meses e meses, passadas as primeiras edições que vão dar um balanço, e que tem que ser rápido. Porque, depois, ninguém mais vai querer.

ConJur — Por quê?
Rubens Ricupero — Abre-se um vácuo que tem que ser ocupado ou pela ação do governo, ou então pelos fatos que vão ser produzidos. E muitos deles devem ser produzidos pela “lava jato”. Porque há um número muito grande de delações em curso. Só o da Odebrecht tem 51 executivos fazendo delações.

É provável que uma boa parte desse número não tenha muito a dizer. Mas, alguns, provavelmente, terão. E é impossível, como já vimos no passado, tentar prever o que é que vai sair dessas delações. Então, esse tipo de incerteza — porque o presidente disse no discurso: “agora, a incerteza chegou ao fim”  — infelizmente, para ele, não chegou. A operação “lava jato” continua e é um fator de incerteza, que não existiam no caso do Itamar.

O segundo fator de incerteza — menor, mas que existe, também — é o procedimento, no Tribunal Superior Eleitoral, sobre o financiamento ilegal da chapa da Dilma e do Temer. Embora a tendência pareça ser a separar. Mas, é uma incerteza. Como se diz: os advogados nunca sabem o que é que vai sair da cabeça do juiz. Então, não se pode, absolutamente, prever. E, em terceiro lugar, um outro fator que é pior hoje, é que, no caso do Collor, ele caiu sozinho. No final, não havia mais defensores do Collor. Nesse caso, não. Houve luta. A própria presidente lutou bravamente até o fim. Foi ao Senado. Ela tem apoiadores. Há o PT, que é um partido organizado.

Esse tipo de oposição não existia em relação ao Itamar. Na época, o Itamar fez um governo de união nacional e ele quis, até, trair o PT. O PT não ingressou, devido à sua linha tradicional, mas, na prática, o partido deixou que elementos seus participassem do governo. Eu posso dizer isso porque eu fui, na época, ministro do meio ambiente e da Amazônia, e principal órgão da minha pasta, que era o Ibama tinha, praticamente, toda a diretoria nas mãos do PT.

Quando eu me queixava com o Itamar — não porque fosse do PT, mas porque era uma diretoria muito inoperante, passava um tempo fazendo reuniões —, ele me dizia: “ah, eu preciso tomar cuidado, eu tenho que deixar alguns elementos”. Havia uma certa participação indireta do PT. Hoje, isso não existe. Vai haver um combate.

ConJur — E qual é o fator positivo?
Rubens Ricupero — Já o fator que é melhor, que não estava presente naquela ocasião, é a existência de uma equipe econômica forte, já em funcionamento desde a interinidade. Porque a interinidade, nos dois episódios, foi parecida. A Câmara dos deputados votou o afastamento do Collor no dia 29 de setembro de 1992. Itamar tomou posse como interino no dia 2 de outubro. E só se votou o impeachment no fim de dezembro.

O Itamar demorou muito para encontrar um apoio à equipe econômica. A primeira pessoa que ele convidou para ministro da Fazenda fui eu. Ele me telefonou para Washington e eu recusei. Ele convidou depois o Gustavo Krause. Foi o Gustavo Krause, depois o Paulo Haddad, que era de Minas, e depois o Elizeu Resende, também de Minas. Houve três. Só o quarto ministro da Fazenda, que foi o Fernando Henrique Cardoso, é que conseguiu trazer uma equipe qualificada e passou, também, a negociar com o Congresso. O Itamar demorou, praticamente, entre oito e nove meses para ter uma equipe econômica que ficou até o fim.

Porque, apesar de eu ter substituído o Fernando Henrique e, mais tarde, ter sido substituído pelo Ciro Gomes, não mudou mais em essência. Mas perdeu-se esse período. Foi muito difícil. Hoje as pessoas esqueceram, mas o começo do governo dele foi complicado. Já, agora, o Temer teve o acerto de escolher uma equipe de primeira qualidade. Sempre digo que se a seleção de futebol do Brasil fosse metade do que é essa equipe, nós conquistaríamos o campeonato do mundo.

É muita gente boa. Tanto o ministro da Fazenda, os postos principais da Fazenda, por exemplo, o Mansueto de Almeida, o Banco Central, as diretorias Num sentido amplo, incluo na equipe econômica o Pedro Parente, que está fazendo um grande trabalho na Petrobras, a Maria Silvia no BNDES. Já mudou o clima. Mas essa diferença positiva não basta. Porque ela precisa, para produzir efeitos, que o Congresso, como um todo, tenha uma atitude cooperativa. Até agora não foi mal, apesar daqueles episódios claudicantes que houve sobre o aumento do funcionalismo. Mas, eram coisas mais ou menos avançadas, como a dívidas dos estados. A verdade é que o Congresso já aprovou a Desvinculação de Receitas da União (DRU).

Ela era absolutamente necessária para que o ministro da Fazenda pudesse flexibilizar um pouco a poupança, a economia de gastos. Porque tudo era amarrado pela Constituição. É uma emenda constitucional que foi proposta e aprovada na época do Fernando Henrique. Foi o que viabilizou o Plano Real, a parte orçamentária. E, agora, foi prorrogada, né. O Senado já votou em definitivo. Isso foi positivo, assim como a aprovação do déficit fiscal de R$ 169 bilhões pelo Congresso. Também foi positivo aprovar a questão do escalonamento da dívida dos estados e dos municípios.

ConJur — E a Previdência?
Rubens Ricupero — O presidente anunciou que vai enviar essas propostas, inclusive, a reforma trabalhista. O que se pode esperar não é a grande reforma, completa, que se desejaria para a previdência social. Mesmo porque, nem Fernando Henrique em oito anos, nem Lula conseguiram isso. Houve avanços tanto com Fernando Henrique como com Lula em um ou outro aspecto, como o sistema dos funcionários públicos, mas, sempre insuficiente. Agora, provavelmente, vai ser a mesma coisa. A reforma da Previdência no mundo inteiro, onde se fez, foi feita por fatias. Foi sendo feita gradualmente.

Provavelmente, aqui, não vai ser uma exceção. E, imagina-se que alguma coisa vai avançar. A grande expectativa, e eu acho que é disso que vai depender a sorte do governo, é saber se nessa questão, e na questão da contenção dos gastos, vai se obter do Congresso um tipo de decisão que permita esperar um declínio gradual do déficit e da trajetória da dívida pública. As duas questões estão ligadas. Porque o que pressiona mais o aumento dos gastos no Brasil é a previdência. São, sobretudo, as despesas obrigatórias da previdência.

ConJur  — O que achou do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff?
Rubens Ricupero — Desde o início, sabe, o Brasil se encontrava em uma situação de dilema como o dicionário define. Isto é, uma situação difícil, e em que todas as saídas são más, são ruins. Não havia uma boa saída. Basicamente, as alternativas eram apenas dua: ou a presidente ficava no cargo, ou ela seria substituída pelo vice-presidente, e pelo processo de impeachment...

Entre essas duas, eu ainda penso que a segunda, marginalmente, é preferível, porque pela experiência de cinco anos de governo, não havia mais esperança de parte da população de uma melhora. Os agentes econômicos todos tinham perdido a esperança.

É um sentimento subjetivo. Ela não tinha mais condições de recuperar essa confiança e essa esperança. Na segunda hipótese, que é a entrada de um novo governo, existe uma expectativa que é a que acompanha sempre a mudança. Toda alteração, em geral, gera a expectativa de uma melhora. É garantido de que vai ser melhor? Não é.

Nós vamos precisar esperar para ver se, de fato, essa mudança é para melhor, para pior ou vai ficar igual. Mas, pelo menos, ela permite esperar. Enquanto que a primeira hipótese não permitia. Agora, dito isso, portanto em favor da mudança, é um dia triste, não é? Não é um dia que alegre. Porque todo impeachment é a expressão de um fracasso.

O fracasso de um governo, o fracasso de uma pessoa. Fracasso de uma proposta, de uma abordagem dos problemas. E aí ninguém pode se alegrar como um fracasso que tenha causado tanto dano, né, como causou à economia e à política do país. Portanto, é um momento bastante sombrio, né, que precisa ser superado pela ação, pelo trabalho, pela criação da confiança. Eu não me atrevo muito a fazer prognóstico porque creio que só os fatos concretos é que podem confirmar ou não a expectativa positiva.


Fonte: Revista Consultor Jurídico, 15 de novembro de 2016

O Neruda político chega ao cinema

Neruda e sua esposa, interpretados por Luis Gnecco e Mercedes Morán


Neruda é um filme de ação e sobretudo sobre a formação da identidade. O diretor chileno Pablo Larraín (Santiago, 1976), vencedor do Grande Prêmio do Júri do último Festival de Berlim com seu filme El club, voltou seu olhar sobre um dos personagens chilenos mais célebres e internacionais do século XX, o Prêmio Nobel Pablo Neruda, e em um período pouco explorado da vida do poeta: aquele em que o escritor foi perseguido pelo Governo do chileno Gabriel González Videla, que decretou em 1948 a chamada Lei Maldita contra os militantes comunistas. Já uma figura relevante do mundo das letras, foi nessa época que Neruda acabou de dar forma à personalidade política que marcou os 25 anos seguintes de sua vida até sua morte em setembro de 1973.

“Tem elementos políticos e poéticos, mas, no fundo, é um filme sobre um policial que dá sentido a sua vida ao perseguir o poeta”, explica Larraín sobre seu próximo filme de ficção, que também terá elementos de policial, comédia e drama. “Neruda entende que, se conseguir escapar, fará com que sua voz seja mais forte, maior, mais ouvida. Nessa volta, se transforma em um gigante, em uma lenda”.

O filme Neruda, de Larraín, está em pleno período de filmagem nas cidades chilenas de Valparaíso e Santiago e na capital da Argentina, Buenos Aires. Com data de estreia para meados de 2016, tem um elenco latino-americano: Neruda é interpretado pelo chileno Luis Gnecco; sua esposa, Delia del Carril, está nas mãos da atriz argentina Mercedes Morán; e o policial Óscar Peluchonneau, que persegue o poeta, o personagem central por meio do qual Larraín se aproxima de Neruda, é encarnado pelo mexicano Gael García Bernal, que antes tinha protagonizado No, o filme de Larraín que falava sobre o plebiscito de 1988 que tirou Augusto Pinochet do poder.

Em um parêntesis em meio à gravação, o mexicano conta que, para ele, “Neruda é o poeta mais importante do século XX”. “Não acredito que outros tenham chegado a ter essa obra tão extensa e essa notoriedade em que se combinaram dois fatores que hoje em dia parecem antagônicos: ser político e ser artista”, destaca García Bernal, que pela primeira vez em sua vida deixou crescer o bigode para encarnar Peluchonneau, “um policial triste, ressentido, um fascista amoroso, se é que existe essa definição”.

García Bernal (Guadalajara, 1978), que em 2004 interpretou Ernesto Che Guevara em Diários de motocicleta, reflete sobre o cinema que está sendo feito na região e seu interesse por esses personagens icônicos da América Latina. “Me sinto muito à vontade na América Latina. Não me é estranho nem heroico trabalhar nos vários países, é algo natural, que não me questiono. Temos uma interdependência cultural e um jogo dialético comum. Compartilhamos as mesmas realidades sociais e tons particulares que nos irmanam. O exterior é um ótimo lugar para sair da zona de conforto, para aventurar-se e fazer as perguntas horríveis. Sinto-me orgulhosíssimo de fazer esse personagem de Peluchonneau”, afirma no escritório da produtora Fábula, em Santiago.

Para o ator Luis Gnecco, que interpretará o Neruda de Larraín, apesar de o Nobel ser um homem tão conhecido em todo o mundo, “quase não foi abordado”. “No Chile gostamos de esquecer a história e colocamos esses personagens em um pedestal, transformando-os em seres intocáveis”. Mas o filme Neruda mostrará um escritor que, em 1948, aos 44 anos, começa a construir o mito de si mesmo. Como senador, critica o Governo no Congresso, é desaforado, é perseguido pelo agente Peluchonneau e, com sua esposa, a argentina conhecida como A Formiguinha (La hormiguita), tenta sem sucesso sair do país. Começa então a fase de clandestinidade e o poeta se transforma em arma. Escreve Canto Geral, realiza excursões noturnas secretas e sua lenda, que cresce em todo o mundo, faz com que artistas como Pablo Picasso clamem por sua liberdade internacionalmente. No filme, perseguidor e perseguido se fundem, um respira o hálito do outro, e o autor se reinventa até se tornar o mito literário e político que veio a ser.


Fonte: jornal El País

Copiloto da Avianca revela diálogo dramático de voo da Chape com torre

Foto: Reprodução

Juan Upegui, copiloto de um avião que viajava próximo ao voo da Chapecoense, relatou ter ouvido a conversa entre a tripulação da aeronave acidentada e a torre de controle do aeroporto de Medellín. O funcionário da Avianca narrou o diálogo (ouça o áudio), e a empresa confirmou a veracidade. (Entenda o que pode ter causado o acidente aéreo com jogadores do Chapecoense no vídeo do Jornal da Globo).


Inicialmente, segundo o copiloto, a tripulação do voo da Lamia pediu prioridade de pouso do Aeroporto Rio Negro por conta de problemas de combustível.

- Solicitamos prioridade para proceder, solicitamos prioridade para proceder ao localizador, temos problemas de combustível – teria dito o copiloto da Lamia.

A controladora do aeroporto teria negado a permissão por conta de outro voo da VivaColômbia. Foi então que o comandante do voo da Chapecoense decretou emergência. Nas redes sociais, Maysa Brito, de férias na Colômbia, relatou que seu avião também teve problemas na Colômbia.

- Temos um problema. Temos um avião aterrissando de emergência. Não pode proceder - respondeu a controladora.

Enquanto a controladora, segundo o copiloto da Avianca, indicou que seu voo pousasse na pista 1, a tripulação do voo da Chapecoense confirmou a pane elétrica e decretou situação de emergência.

- Agora temos uma falha elétrica, temos uma total falha elétrica. Nos ajude a achar a pista, nos ajude a achar a pista.

Posteriormente a torre de controle perdeu o contato com o avião. A controladora ainda tentou por mais um tempo com o avião da Lamia, mas sem sucesso. 71 pessoas morreram no voo que levava a Chapecoense para o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, nesta quarta-feira, contra o Atlético Nacional, em Medellín. 6 sobreviveram.

Para saber mais e ver os vídeos, clique aqui.


Fonte: Globoesporte.com

Acidente no voo da Chapecoense: o que já se sabe sobre a tragédia

Delegação da Chapecoense sofre acidente aéreo quando se aproximava do destino na Colômbia
Foto: Reuters


O acidente aéreo que chocou o mundo nesta segunda-feira tem muitas perguntas abertas - em especial sobre suas causas. É possível esclarecer alguns pontos. Confira abaixo:

- Como foi o acidente?

A primeira versão dizia que o motivo da queda foi uma pane elétrica no sistema, porém, as autoridades trabalham agora com a possibilidade de falta de combustível. A queda aconteceu a cerca de 30 quilômetros de Medellín, onde a Chapecoense enfrentaria o Atlético Nacional no primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. O avião perdeu contato com a torre de comando, quando sobrevoava as cidades de La Ceja e Aberrojal, à 0h33 de Brasília, e a queda ocorreu à 1h15 no Cerro El Gordo – segundo informações do aeroporto José Maria Córdova.

No radar por satélite, é possível perceber que dois aviões voavam bem próximos no local da queda, e que o veículo que transportava a Chapecoense deu voltas antes no ar esperando autorização para aterrissar, cerca de 7 km da pista de pouso do aeroporto. O avião caiu em local de difícil acesso, em um vale na montanha, inacessível por carro. Imagens do acidente mostram que a aeronave atingiu árvores e abriu uma clareira entre elas. À tarde, foram encontradas as duas caixas pretas pela unidade administrativa especial Aeronáutica Civil.

- Que voo a Chapecoense pegou?

A Chapecoense pegou dois voos. O primeiro (que aparece no vídeo acima, do zagueiro Filipe) partiu de São Paulo às 16h de segunda-feira, saindo de Guarulhos, a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Era um voo normal, de carreira – já que a Anac não liberou que a delegação fosse direto em voo fretado à Colômbia –, operado pela empresa boliviana BoA. O segundo avião, o do acidente, era bem menor. Pertencia à empresa Lamia e tinha capacidade para 95 pessoas. Era um modelo Avro Regional Jet 85, também conhecido como Jumbolino, de matrícula CP-2933, produzido pela British Aerospace. Uma TV boliviana registrou imagens momentos antes do embarque em Santa Cruz de la Sierra.

- Quem estava no voo?

Havia 77 pessoas a bordo, sendo 68 passageiros e nove tripulantes. Quatro pessoas que estavam em lista divulgada pela aviação civil colombiana não embarcaram: Luciano Buligon, prefeito de Chapecó, Plinio de Nes Filho, presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Gelson Merisio, presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e Ivan Carlos Agnoletto, jornalista. Confira a lista de quem embarcou:

Jogadores da Chapecoense: Alan Ruschel, Ananias, Arthur Maia, Bruno Rangel, Canela, Cleber Santana, Danilo, Dener, Filipe Machado, Follmann, Gil, Gimenez, Josimar, Kempes, Lucas Gomes, Marcelo, Mateus Caramelo, Matheus Biteco, Neto, Sérgio Manoel, Tiaguinho e William Thiego.

Comissão técnica da Chapecoense: Caio Júnior, Duca, Pipe Grohs, Anderson Paixão, Anderson Martins, Dr. Marcio, Gobbato, Cocada, Serginho, Serginho, Adriano, Cleberson Silva, Maurinho, Cadu, Chinho di Domenico, Sandro Pallaoro, Cezinha e Giba.

Diretoria: Nilson Folle Júnior, Decio Burtet Filho, Edir de Marco, Ricardo Porto, Mauro dal Bello, Jandir Bordignon e Dávi Barela Dávi.

Convidado: Delfim Peixoto Filho.

Imprensa: Victorino Chermont, Rodrigo Gonçalves, Devair Paschoalon, Lilacio Júnior, Paulo Julio Clement, Mario Sergio Pontes de Paiva, Guilherme Marques, Ari Júnior, Guilherme Laars, Giovane Klein, Bruno Silva, Djalma Neto, André Podiacki, Laion Espindula, Rafael Henzel, Renan Agnolin, Fernando Schardong, Edson Ebeliny, Gelson Galiotto, Douglas Dorneles e Jacir Biavatti.

Tripulação: Miguel Quiroga, Ovar Goytia, Sisy Airas, Romel Vacaflores, Ximena Suarez, Alex Quispe, Gustavo Encina, Erwin Tumiri e Angel Lugo.

- Quais os sobreviventes confirmados?

Foram confirmados seis sobreviventes: o goleiro Follmann, o zagueiro Neto (o vídeo abaixo mostra imagens do resgate dele), o lateral Alan Ruschel, o jornalista Rafael Henzel e dois membros da tripulação, Ximena Suárez e Erwin Tumiri. O goleiro Danilo foi resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital para onde foi transferido. Todos os outros 71 corpos foram encontrados pela unidade de resgate local.

- Como estão os sobreviventes?

Os seis sobreviventes estão espalhados por hospitais na região de Antioquia. O zagueiro Neto e o jornalista Rafael Henzel estão na Clínica San Juan de Dios, na cidade de La Ceja. Último a ser encontrado, o jogador tem situação menos pior do que se imaginava. No cérebro só há edema, sem coágulo, e cirurgia com drenos no tórax foi bem sucedida. Neto terá de fazer cirurgias ainda no joelho, mão, nariz e crânio. Todas de reparação, segundo o chefe dos médicos. O repórter tem estado instável por conta de problemas no pulmão devido às fraturas nas vértebras. Tem de esperar para poder operar. No mesmo município, mas no Hospital de La Ceja, está o goleiro reserva Jackson Follmann. Ele teve uma das pernas amputada. Já na cidade de Rionegro, na Clínica Somer, estão os outros três resgatados. A aeromoça Ximena Suárez e o técnico da aeronave Erwin Tumiri estão fora de perigo, porém, o lateral Alan Ruschel está sob cuidados intensivos, tendo sofrido fratura de tíbia distal de membro inferior, com compromisso abdominal e fratura da vértebra dorsal D-10. O boliviano Erwin Tumiri deu entrevista ao jornal "La Razón", da Bolívia, e disse que só sobreviveu por ter ficado em posição fetal.

- O que acontece com as competições?

A Conmebol adiou qualquer decisão sobre o que será feito da Sul-Americana – naturalmente, as duas partidas da final, marcadas para esta quarta-feira e para a semana que vem, estão suspensas. O Atlético Nacional pediu que o título ficasse com a Chapecoense, mas a entidade, através do presidente Alejandro Domínguez, disse ainda não ter tido tempo para avaliar com o Conselho.

A CBF adiou o segundo jogo da final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético-MG, que seria disputado nesta quarta-feira em Porto Alegre, para o dia 7 de dezembro.

Também foi postergada a rodada final do Campeonato Brasileiro, que passou do dia 4 ao dia 11 de dezembro.

- Como os clubes reagiram?

Além do Atlético Nacional, envolvido diretamente com o acidente, diversos clubes e personalidades do futebol prestaram homenagens às vítimas e à Chapecoense. Atlético-PR, Botafogo, Coritiba, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras, Portuguesa, Santos,  São Paulo e Vasco divulgaram nota nesta terça para oferecerem ajuda com empréstimo gratuito de atletas e solicitar à CBF que a equipe catarinense fique imune ao rebaixamento pelas próximas três temporadas. Lá fora, Benfica, Libertad e Racing também se colocaram à disposição – o clube argentino jogará contra o Boca Juniors com o escudo da Chape em sua camisa.
 
 
 Foto: Infoesporte


Fonte: Globoesporte.com

Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos de idade

Foto do dia 23 de janeiro divulgada pelo site cubano Cubadebate em 3 de fevereiro. Na imagem, Fidel Castro lê um jornal durante encontro com o líder estudantil Randy Perdomo Garcia
Foto de divulgação/direitos reservado


O ex-presidente e líder da revolução cubana, Fidel Castro, morreu anos 90 anos de idade, confirmou na madrugada de hoje (26) seu irmão e sucessor, Raúl Castro. As informações são da agência Ansa.

Em um anúncio na televisão, Raúl disse que era "com profunda dor" que confirmava a "morte do comandante Fidel Castro Ruz", falecido às 22h29 de Havana do dia 25 de novembro de 2016.

"Em cumprimento da expressa vontade do companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados", afirmou Raúl, demonstrando emoção ao ler o breve comunicado.

Fidel Castro foi o herói histórico da esquerda moderna, o homem que mais desafiou os Estados Unidos. Mas, na opinião de líderes de centro-direita, Fidel era um ditador sanguinário e o culpado por isolar a ilha de Cuba por quase 60 anos de todo o mundo.

Conhecido como "Comandante" pelos cubanos, Fidel era personagem de várias histórias e boatos. "Ele não dorme", "ele não esquece de nada", "é capaz de te penetrar com o olhar e descobrir quem você é".

Fidel sempre teve uma saúde de ferro, até quando enfrentou uma hemorragia intestinal durante uma viagem à Argentina aos 80 anos de idade. Em 31 de julho de 2006, os problemas de saúde provocados pelo avanço da idade o fizeram delegar temporariamente o poder a seu irmão Raúl.

Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou oficialmente ao cargo de presidente cubano e, desde então, era o principal conselheiro do Partido Comunista e do novo governo.

A era Fidel Castro vem se dissolvendo pouco a pouco, enquanto uma nova Cuba surge devido a uma série de reformas econômicas e da retomada das relações bilaterais com os Estados Unidos, rompidas há mais de meio século.

Fidel assistia a tudo isso de longe, mas não deixava de fazer suas análises em artigos publicados no jornal oficial cubano Granma. A fragilidade da sua saúde já tinha provocado boatos sobre sua morte várias vezes nas redes sociais.

Fonte: portal EBC - Agência Brasil


CRONOLOGIA DO GOVERNO DE FIDEL CASTRO

1º de janeiro de 1959: O ditador Fulgêncio Batista deixa Cuba e revolucionários liderados por Fidel Castro tomam o poder.

Fevereiro de 1960: O vice-primeiro-ministro soviético Anastas Mikoyan visita Cuba; firma acordos de comércio de açúcar e petróleo, os primeiros de muitos acordos em mais de 30 anos.

Junho de 1960: Cuba nacionaliza refinarias de petróleo norte-americanas por recusarem a refinar petróleo soviético. Quase todos os outros negócios dos Estados Unidos na ilha são expropriados antes de outubro.

Outubro de 1960: Washington proíbe exportações a Cuba, com exceção de comida e remédios.

16 de abril de 1961: Castro declara Cuba Estado socialista.

17 de abril de 1961: 1.297 exilados cubanos apoiados pela CIA (agência de inteligência dos EUA) invadem a Baía dos Porcos. Ataque fracassa dois dias depois.

22 de janeiro de 1962: Cuba é suspensa da OEA (Organização dos Estados Americanos); e reage pedindo uma revolta armada em toda a América Latina.

7 de fevereiro de 1962: Washington proíbe todas as importações cubanas.

Outubro de 1962: O presidente norte-americano John F. Kennedy (1961-63) ameaça Cuba para forçar a remoção de mísseis nucleares soviéticos; dias depois os soviéticos concordam em retirar as armas e Kennedy decide não invadir Cuba.

Março de 1968: Governo de Castro assume praticamente todos os negócios privados do país, menos pequenas propriedades agrícolas.

Julho de 1972: Cuba se une ao Comecon (mercado comum do antigo bloco socialista, liderado pela União Soviética).

Abril de 1980: Governo declara que cubanos podem deixar o país. Começa crise de refugiados; cerca de 125 mil pessoas abandonam Cuba até setembro de 1980.

Dezembro de 1991: Colapso da União Soviética acaba com ajuda a Cuba, cuja economia cai 35% até 1994.

Agosto de 1994: Castro declara que não vai impedir saída de cubanos que tentam deixar país; cerca de 40 mil pessoas se dirigem aos EUA por mar. EUA e Cuba firmam acordo expandido de migração.

Outubro de 1997: Partido Comunista de Cuba realiza 50º Congresso; Castro reafirma seu irmão mais novo, Raul Castro, como sucessor.

Janeiro de 1998: Papa João Paulo 2º visita Cuba.

23 de junho de 2001: Castro tem um leve desmaio durante discurso baixo sol.

16 de dezembro de 2001: Embarcações de milho e frango congelado chegam ao porto de Cuba, representando as primeiras vendas diretas de comida norte-americana ao país em quase 40 anos.

6 de março de 2003: Parlamento cubano elege Castro para seu sexto mandato de cinco anos como presidente do Conselho de Estado, órgão supremo do governo cubano.

18 de março de 2003: Governo cubano anuncia medidas contra dissidentes que acusa de trabalhar com oficiais norte-americanos para minar o sistema socialista. Setenta e cinco dos críticos mais radicais de Fidel são sentenciados a penas de seis a 28 anos de prisão.

20 de outubro de 2004: Castro tropeça e cai após um discurso e quebra o braço direito.

Novembro de 2004: Cuba liberta seis dissidentes políticos, incluindo o escritor Raul Rivero, em um movimento visto como tentativa de ganhar apoio da União Europeia.

2 de fevereiro de 2005: Castro chama o presidente norte-americano, George W. Bush, de ‘perturbado’, em resposta à declaração dos EUA de que Cuba seria um berço de tirania.

15 de junho de 2006: Raul Castro diz que o Partido Comunista permanecerá no controle de Cuba em caso de mudança de líder.

31 de julho de 2006: Fidel Castro cede temporariamente poderes a Raul Castro para passar por uma cirurgia gastrointestinal.

13 de agosto de 2006: Castro completa 80 anos. As celebrações são adiadas para dezembro para que ele possa se recuperar.

2 de dezembro de 2006: Não comparece a uma parada militar que comemorava o 50º aniversário da Revolução Cuba e não aparece nos festejos de seu aniversário.

28 de março de 2007: Publica uma série de ensaios chamada “Reflexões de um Comandante-Chefe”, em que trata de sua atuação na política internacional, mas continua afastado.

18 de junho de 2007: A ex-combatente, cunhada de Fidel e mulher de Raul Castro, Vila Espin, morre aos 77 anos.

13 de agosto de 2007: Fidel completa 81 anos, mas não comparece às comemorações.

14 de outubro de 2007: Castro faz um telefonema transmitido ao vivo em Cuba a seu aliado Hugo Chávez, que diz a ele: “Você nunca morrerá”.

18 de dezembro de 2007: Castro divulga ensaios em que afirma não querer o poder eterno e não pretender “obstruir o caminho para os mais jovens”. Repete o tema dez dias depois, em seção parlamentar.

20 de janeiro de 2008: Castro é reeleito ao parlamento, mas deixa a possibilidade de se manter como presidente em aberto.

19 de fevereiro de 2008: Fidel Castro anuncia que não voltará a assumir o cargo de presidente de Cuba.

FRASES DE FIDEL CASTRO

A REVOLUÇÃO
“Posso dizer agora, 46 anos depois do triunfo, que o que alcançamos está muito além dos sonhos que podíamos conceber na época, e éramos bastante sonhadores no início” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes” (editora Boitempo)

“Esta revolução pode ser destruída. Nós poderemos destruí-la se não formos capazes de corrigir nossos erros. Se não conseguirmos pôr fim a muitos vícios: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de abastecimento de dinheiro dos novos-ricos” Em “Biografia a duas vozes”

“Isso já não é somente uma questão de princípios ou uma questão de ética, mas é, inclusive, de certo modo, uma questão de estética. Estética em que sentido? Penso que a revolução é uma obra que deve ser aperfeiçoada; em suma, é uma obra de arte” Em entrevista a Frei Betto, no livro “Fidel e a Religião” (editora Brasiliense, 1ª edição de 1985)

“Com a Revolução, o povo começou a ser soldado, funcionário, administrador, parte da ordem social, do Estado e da autoridade. De modo que, se em princípios do século 18 um rei absolutista da França pôde dizer: ‘O Estado sou eu’, em 1959, quando triunfou a Revolução e o povo chegou ao poder, se armou e defendeu o país, então o cidadão comum pôde dizer: ‘O Estado sou eu’”. Em “Fidel e a Religião”

“Desenvolvemos uma guerra de movimento, como já disse, de atacar e retirar-se. Surpreendê-los. Desenvolvemos a arte de confundir as forças adversárias, para obrigá-las a fazer o que queríamos” Explicando a estratégia de guerra irregular empregada na revolução cubana, em “Biografia a duas vozes”

“A nossa revolução é um exemplo do que significa acreditar nos homens, porque nossa revolução começou do nada. Não tínhamos uma única arma, não tínhamos um único tostão, os que iniciaram a luta eram completamente desconhecidos e, ainda assim, enfrentamos aquele poderio” Em discurso em 1987, publicado em “Che na Lembrança de Fidel” (Casa Jorge Editorial, 1997)

“Condenem-me, não importa. A história me absolverá”. Durante seu julgamento, em 16 de outubro de 1953, por liderar a tentativa de tomada do quartel Moncada

“É preciso saber usar as armas que se tem e é preciso se distanciar totalmente de todos os livros e de todas as fórmulas das academias”. Revelando o que julga ser o segredo do sucesso militar

“A Igreja de Cuba não era popular, não era propriamente uma Igreja do povo, não era a Igreja dos trabalhadores, dos camponeses, dos favelados, dos setores humildes da população”. Em “Fidel e a Religião”

O SOCIALISMO E A URSS
“Em certo ponto, chegamos à conclusão de que, se fôssemos diretamente atacados pelos EUA, os soviéticos jamais lutariam por nós” Comentando a Guerra Fria, em 2003

“Na URSS houve fenômenos históricos que não ocorreram aqui. O fenômeno do stalinismo não se deu aqui; não se conheceu nunca no nosso país um fenômeno dessa natureza, de abuso do poder, de autoridade, de culto à personalidade. Aqui, desde o início da Revolução, foi feita uma lei que proibia pôr o nome de dirigentes em uma rua, em uma obra, em uma estátua. Aqui não há retratos oficiais nas repartições públicas” Em “Biografia a duas vozes”

“É o que queremos ser: comunistas! É o que queremos continuar sendo: comunistas! Essa é a nossa vanguarda, uma vanguarda de comunistas! Esse é o nosso Congresso: o Congresso dos comunistas e de um povo que o apoiou, um povo de comunistas. Não existiu, nem existe nem existirá força no mundo capaz de impedi-lo” Em informe ao 2º Congresso do Partido Comunista Cubano, em 1980 (publicado no Brasil como “Retrato de Cuba”, editora Quilombo, 1ª edição em 1981)

“O socialismo não chegou aqui por clonagem, nem por inseminação artificial. Eu não conhecia, em janeiro de 1959, um único soviético” Negando o auxílio de comunistas antes da vitória da revolução cubana, em “Biografia a duas vozes”

AUTOAVALIAÇÃO, LEGADO
“O que é um ditador? É alguém que toma decisões arbitrárias, unipessoais, por cima das leis, que não obedece a nada além de seus próprios caprichos ou sua vontade. Eu não tomo decisões unipessoais. Este não é sequer um governo presidencialista. Nós temos um Conselho de Estado. Minhas funções de dirigente fazem parte de um coletivo. As decisões importantes são analisadas, discutidas e sempre tomadas coletivamente. Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Sou contrário a tudo que possa parecer um culto à personalidade, e você pode constatar, eu já falei disso, que neste país não há uma única escola, fábrica, hospital ou edifício que tenha meu nome. Não há estátuas minhas e praticamente nenhum retrato meu” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”, quando questionado sobre as diferenças entre o regime cubano e o soviético

“As próximas gerações nos verão como vemos o homem primitivo, tenho essa convicção. Talvez se recordem de uma etapa histórica em que a humanidade quase desapareceu, em que ocorreram coisas terríveis, de quando éramos bárbaros incivilizados” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”, quando questionado sobre seu legado

“Dediquei toda minha vida a lutar contra a injustiça, contra todo tipo de opressão, a servir os outros, a praticar e difundir a solidariedade” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes

“Não sei o que pretendem com essa coisa tão ridícula. Não tenho nem um centavo meu, não administro um centavo. Terei a glória de morrer sem uma divisa convertível”. Sobre a revista Forbes colocá-lo como um dos chefes de Estado mais ricos do mundo, no livro “Biografia a duas vozes”

“Ao longo dos anos, a influência, o poder, em vez de irem me transformando negativamente, a cada dia sou menos vaidoso, menos pretensioso, menos auto-suficiente”. Em 2003, no livro “Biografia a duas vozes”

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
“Se você chama de liberdade de imprensa o direito de contra-revolucionários e dos inimigos de Cuba de falar e escrever livremente contra o socialismo e contra a Revolução, eu diria que não estamos a favor dessa ‘liberdade’. Enquanto Cuba for um país bloqueado pelo império, atacado permanentemente, vítima de leis iníquas como a Helms-Burton, um país ameaçado pelo próprio presidente dos EUA, não podemos dar essa liberdade aos aliados dos nossos inimigos cujo objetivo é lutar contra a razão de ser da sociedade” Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Quem teme o pensamento livre não educa os povos, não os ajuda, não se esforça para que adquiram o máximo de cultura, de conhecimentos históricos e políticos os mais diversos e para que apreciem as coisas pelo valor em si, e que as coisas saiam de suas próprias cabeças” Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Como falar em liberdade de expressão em países que têm 20% ou 30% de analfabetos e 80% entre analfabetos plenos e funcionais? Com que critério, com que elementos podem opinar”. Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

DIREITOS HUMANOS
“Acredito que não haja um país com histórico mais limpo em matéria de direitos humanos do que Cuba. No terreno da educação e da saúde não há nenhum país no Terceiro Mundo, e até no mundo capitalista desenvolvido, que tenha feito o que nós fizemos. A mendicância, o desemprego, foram erradicados. Os vícios, o consumo de droga, o jogo, também desapareceram. Você não encontrará aqui crianças pedindo esmolas, dormindo na rua, descalças ou desnutridas” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Hoje o país se concentra nas batalhas, lá em Genebra, na comissão de Direitos Humanos da ONU, onde todo mundo sabe o show que é promovido ano após ano, as mentiras e as calúnias que dizem ali contra nós. O mundo não fica sabendo que 80% das medidas em defesa dos direitos humanos que essa comissão aprova são propostas de Cuba” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Em todos os lugares, em todas as épocas, os atos daqueles que agiram contra seu país a serviço de uma potência estrangeira sempre foram considerados terrivelmente graves. Ninguém pode mencionar um único caso de tortura, de assassinato, de ‘desaparecimento’, algo tão comum e corrente na América Latina” Justificando repressão a dissidentes em Cuba

EUA E AMÉRICA LATINA
“Os mexicanos e os argentinos que saem de seus países são chamados de imigrantes. Todos os que saem de Cuba são exilados”. Defendendo a ideia de que boa parte dos cubanos que vão aos EUA o fazem por motivos econômicos, em 2004

“Desde o primeiro momento, o governo norte-americano tratou de criar uma imagem desfavorável da Revolução Cubana. Fizeram grandes campanhas publicitárias contra nós, grandes tentativas de isolar Cuba. Para frear a influência das ideias revolucionárias. Romperam as relações diplomáticas em 1960 e adotaram medidas de bloqueio econômico” Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Fracassado o ‘milagre brasileiro’, evidenciado o papel nefasto das empresas multinacionais e do capital estrangeiro que introduziram deformações perigosas na economia brasileira, resta, entretanto, o fato de que o crescimento econômico – desigual, porém notável – do Brasil introduz interesses que se chocam com os do imperialismo norte-americano. A inevitável tendência econômica converte o Brasil num contraditor em potencial dos Estados Unidos” Em “Retrato de Cuba”

“Que me cortem a mão se alguém encontrar uma única frase dita com o propósito de rebaixar o povo norte-americano. Seríamos fanáticos ignorantes se puséssemos a culpa no povo norte-americano pelas diferenças entre os governos”. Após dizer que sentia “aperto no coração” ao pensar nas vítimas do 11 de setembro

SOCIEDADE
“A sociedade de consumo é uma das mais tenebrosas invenções do capitalismo desenvolvido. Tento imaginar 1,3 bilhão de chineses com o nível de motores e automóveis dos EUA. Não posso imaginar a Índia, com 1 bilhão de habitantes, vivendo em uma sociedade de consumo. Essa ordem é incompatível com os recursos essenciais limitados e não-renováveis do planeta e com as leis que regem a natureza e a vida” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“A ética não é uma simples questão moral, é que a ética rende frutos” Explicando os motivos que levaram os rebeldes cubanos a cuidar de inimigos feridos durante a luta para chegar ao poder

“A gente pensa que o dinheiro é decisivo. Errado. O nível de conhecimento e educação que as classes têm é que é decisivo” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“É a educação que transforma um animalzinho em homem. Ele nasce com todos os instintos: egoísmo, mil coisas. São instintos; mas ele vai lutando contra os instintos” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”.

AS GRANDES DATAS DO GOVERNO E DA VIDA DE FIDEL

12/8/1926: Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em Birán, no Leste de Cuba. Filho de imigrante espanhol e de uma camponesa cubana, é o terceiro filho de uma família de sete filhos. Cursou escola primária religiosa e, mais tarde, o colégio jesuíta de Santiago de Cuba e de Havana.

1945: Fidel entra para a faculdade de Direito da Universidade de Havana. Militante ativo da Federação Estudantil Universitária.

1947: Fidel participa da expedição lançada contra o ditador Rafael Leónidas Trujillo, na República Dominicana. A ação fracassa, mas Fidel consegue escapar.

1948: Em visita à Bolívia, participa de violentas manifestações provocadas pelo assassinato do líder populista Jorge Eliecer Gaitán. Entra para o Partido do Povo de Cuba (PCC, ortodoxo) que milita principalmente contra a corrupção governamental. Casa-se com Mirtha Díaz-Balart, mãe de Fidelito, único filho de Fidel conhecido publicamente.

1949: 1º setembro: nasce seu primeiro filho, “Fidelito”.

1950: Se forma em Direito.

1952: Protesta contra o golpe de Estado de Fulgêncio Batista apoiado pelos Estados Unidos. A ditadura estabelecida pela presidência de Batista foi marcada pela violência e pela repressão.

1953: Em 26 de julho, Fidel lança o ataque ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, segundo maior depósito de armas do regime de Batista. A operação foi um fracasso. Preso oito dias mais tarde, é condenado a 15 anos de prisão ao fim de um processo em que foi responsável pela própria defesa, conhecida como “A Historia me Absolverá”.

1955: Fidel é anistiado. Funda o Movimento Revolucionário 26 de julho (data do ataque a Moncada) Em julho, parte para o exílio no México, onde conhece o médico e amigo Ernesto Che Guevara.

1956: Em 2 de dezembro, desembarca no iate Granma, em Cuba com outros 81 homens. A expedição teve de enfrentar as tropas do governo em Alegria del Pio, nas proximidades de Sierra Maestra. Apenas 16 pessoas sobreviveram, entre elas Fidel, seu irmão Raul e Che Guevara. Finalmente, conseguem entrar em Sierra Maestra, onde iniciam o movimento guerrilheiro contra o regime que durou 25 anos.

1957: 16 fevereiro: conhece Celia Sánchez, mulher fundamental em sua vida.

1959: Vitória da guerrilha castrista em 1º de janeiro com a fuga de Batista. Fidel é nomeado comandante-em-chefe das Forças Armadas, mas exerce ao mesmo tempo o cargo de primeiro-ministro. A Reforma Agrária de maio desse ano ataca os latifundiários; fixa uma indenização aos proprietários antigos; cria o Instituto Nacional de Reforma Agrária, encarregado por melhorar a agricultura e redistribuir as terras confiscadas… Quase 90% das terras estavam nas mãos de proprietários norte-americanos. Mais tarde, confisca também dos Estados Unidos as indústrias que haviam se instalado em Cuba.

1960: Fidel pronuncia pela primeira vez a frase “Pátria ou Morte”. Restabelecimento das relações com a URSS: uma aliança estratégica que durou até 1991, até o fim da União Soviética.

1961: Os Estados Unidos rompem as relações diplomáticas com Cuba.

Conhece Dalia Soto del Valle, com quem teve cinco filhos e vive até hoje.

16 abril: proclama socialista a revolução.

17-19 abril: derrota uma invasão de 1.400 anticastristas na Baía dos Porcos.

1º dezembro: declara a revolução marxista-leninista.

1962: Em 22-28 de outubro protagoniza a “crise dos mísseis”.

1965: O até então Partido Unido da Revolução Socialista (PURS) passa a ser o Partido Comunista de Cuba. Fidel é eleito primeiro secretário.

1967: Em 9 de outubro: Ernesto Che Guevara, amigo e companheiro de Fidel, morre na selva boliviana.

1968: Em janeiro, denúncia de uma corrente pró-soviética no seio do PCC oposta à linha cubana (35 apparatchiks são condenados).

1975: Em novembro, Cuba participa abertamente da guerra da Angola.

1976: Em dezembro, Fidel é eleito presidente do Conselho de Estado, órgão supremo do executivo.

1979: Em setembro, Fidel é eleito presidente do Movimento de Países Não Alinhados na VI Cúpula de Havana.

1980: Em maio, no Porto de Mariel, mais de 120 mil cubanos (os Marielitos), autorizados a abandonar Cuba, partem para os Estados Unidos.

1985: Fidel Castro designa seu irmão como sucessor. Abandona o hábito de fumar. Até então, sua imagem era vinculada a uma pessoa barbuda, sempre de uniforme verde-oliva e com charuto na mão.

1988: Fidel Castro começa a se distanciar da URSS de Mikhail Gorbachov e critica severamente a Perestroika. Em 22 de dezembro, assina o tratado sobre a África meridional, em Nova York. O acordo contempla um calendário de retirada dos 50 mil soldados cubanos que ainda estavam em Angola.

1985: Em 6 de agosto, deixa de fumar os charutos “Cohiba”.

1989: Surge o lema “Marxismo-leninismo ou morte”. A partir dessa data, todos os discursos oficiais de Fidel se encerravam com a ideia de ‘Socialismo ou Morte”, seguida da já conhecida “Pátria ou morte, venceremos”. Em 13 de julho, a execução de quatro militares de alta patente, principalmente a do general Arnaldo Ochoa, herói das guerras da Etiópia e Angola, escandaliza o Exército e o povo cubano.

1990: “Período especial em tempo de paz”: regime de economia de guerra destinado a enfrentar o fim da ajuda soviética que a ilha recebia. Em fevereiro, Fidel põe fim ao multipartidarismo.

1991: Em abril, retirada do contingente militar cubano estacionado no Congo desde 1977. Em setembro, Fidel anuncia que jamais se aposentará da política. Em novembro, declara que “Cuba não está a venda”, mas está disposta a acolher os investimentos estrangeiros.

1992: Ofensiva diplomática para romper com o isolamento do país que se depara com uma profunda recessão econômica provocada pelo desaparecimento da URSS. Em julho, a Assembleia Nacional (Parlamento, unicameral) legaliza a criação de empresas mistas com investimentos estrangeiros e prevê a eleição de deputados por sufrágio universal. Ao mesmo tempo, a lei concede mais poderes ao chefe de Estado, que, a partir de então, pode decretar Estado de Emergência. Primeira visita oficial de Fidel a um país da Europa Ocidental para a II Cúpula Ibero-Americana, realizada em Madri.

1993: Para Fidel, “o ano mais difícil da Revolução”, quando ele promulga no dia de seu aniversário a legalização da posse de dólares em Cuba. Assim, ele confirma um processo de reformas econômicas bem controladas: “são concessões que temos de fazer, mas para salvar o socialismo”, justifica. Em 24 de fevereiro são realizadas as eleições legislativas nas províncias e 92,97% dos eleitores votam em candidatos únicos. Em 3 de julho, militares russos que estavam na ilha desde 1963 voltam para casa com suas famílias. Em 23 de dezembro, assinatura do acordo econômico russo-cubano.

1994: Giro pela África Meridional. Fidel assiste à posse de Nélson Mandela. Em 14 de junho, Fidel faz sua primeira aparição em público sem o uniforme verde-oliva na IV Cúpula Ibero-americana de Cartagena, na Colômbia. Em julho, milhares de cubanos embarcam em transportes precários rumo à Flórida para escapar de um país mergulhado em uma enorme crise econômica (a “crise dos balseiros”. Pela primeira vez na história do regime, centenas de manifestantes enfrentam policiais em Havana. Candidatos à emigração desviam embarcações. Fidel decide que não vai proteger as fronteiras de Cuba com os Estados Unidos e, assim, abre as “comportas para saiam os cubanos que quiserem”. O fluxo em massa de emigrantes (29 mil, no total) obriga Washington a renunciar à sua política de acolher os cubanos que praticava há 30 anos.

– Setembro: Havana e Washington chegam a um acordo sobre migração: os Estados Unidos repatriariam todos os cubanos ilegais em seu território com a condição de que Cuba não os punissem. Em troca, Washington concorda em conceder 20 mil vistos por ano aos cubanos que quiserem deixar seu país.

1995: Em março, pela primeira vez desde 1959, Fidel se apresenta em público de terno e gravata para uma cúpula organizada pelas Nações Unidas na Dinamarca. É recebido, depois, pelo presidente francês François Mitterrand com todas as honras de um chefe de Estado.

1996 – Em 24 de fevereiro, Washington acusa os caças cubanos de atacar em espaço aéreo internacional dois monomotores civis fretados por organizações anticastristas. Em 12 de março, o presidente norte-americano Bill Clinton assina a lei Helms-Burton que reforça o embargo comercial contra Cuba, medida que já havia sido fortalecida pela Lei Torricelli em 1992. Em 19 de novembro de 96, Fidel faz sua primeira visita ao Vaticano e conversa com o Papa João Paulo II. O líder cubano convida o Papa a visitar Cuba.

1997: Em julho, os restos mortais de Che Guevara são encontrados na Bolívia e levados a Cuba. Em agosto, autoridades cubanas desmentem boatos que surgiram em Miami sobre a internação e morte de Fidel. Em outubro, o V Congresso do PCC elege Fidel para o cargo de primeiro secretário e ele nomeia seu irmão Raul como sucessor. Em dezembro, em homenagem à visita do Papa João Paulo (21 a 25 de janeiro de 1998), Fidel anuncia que o 25 de dezembro será feriado em Cuba, três décadas depois do Natal ter sido excluído do calendário oficial cubano.

1998: Recebe o Papa João Paulo II em visita história a Cuba (21 a 26 de janeiro).

1999: Recebe Hugo Chávez em sua primeira visita como presidente (17 janeiro). Preside a Cúpula Ibero-Americana em Havana (15-16 novembro). Mobiliza Cuba pela volta do menino náufrago Elián González, disputado com a Flórida e devolvido à ilha sete meses depois (novembro).

2001: Sofre um desmaio em um ato público em Havana (23 de junho).

2002: Recebe o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter.

2003: Ordena a detenção de 75 opositores (18-20 março). Execução de três sequestradores de uma embarcação (11 de abril).

2004: Fratura o joelho esquerdo e braço direito ao cair depois de um discurso em Santa Clara (20 de outubro). Tira o dólar de circulação (8 de novembro).

2005: Sela aliança com Chávez com acordos da Alba (29 de abril).

2006: Evo Morales se soma à união de Fidel e Chávez (29 de abril). Anuncia que sofreu uma crise de saúde e delega o poder a seu irmão Raul Castro (31 de julho).
31 julho: cede o poder provisoriamente ao irmão Raul Castro, por crise de saúde.

2007
2 dezembro: candidato a deputado

2008
19 fevereiro: renuncia à presidência de Cuba após 19 meses de convalescença.

CURIOSIDADES

PALAVRAS E MAIS PALAVRAS
Fidel Castro foi autor do discurso mais longo já proferido em uma Assembleia-Geral da ONU. Em 1960, falou por quatro horas e 29 minutos.

LULA A SERVIÇO DA CIA?
De acordo com a Folha de S.Paulo, durante o governo Collor, Fidel Castro veio ao Brasil e visitou Lula. O petista ofereceu um jantar secreto em sua casa, e pediu a Marisa, sua mulher, que preparasse a comida. Um dos membros da equipe de Fidel provou cada iguaria, e nada constatou. Na hora do jantar, Fidel tentou engolir um bife rolê inteiro, e engasgou com o palito. Sem respirar, o “comandante” começou a ficar roxo, até que tapas de Lula em suas costas resolveram o problema. Mais tarde, o futuro presidente contaria a colegas de partido: “Quase matei o Fidel, o que nem a CIA conseguiu. Iam acabar achando que eu era um agente norte-americano, como diziam quando eu comecei a carreira de sindicalista”.

CARTA AO PRESIDENTE DOS EUA
Em 1939, aos 13 anos, Fidel Castro enviou uma carta a Franklin Roosevelt, presidente dos EUA à época, pedindo uma nota de 10 dólares. “Nunca vi uma nota verde norte-americana de 10 dólares e gostaria de ter uma”, escreveu. Recebeu uma resposta padronizada. “Disseram-me, como piada, que se Roosevelt tivesse me enviado os 10 dólares, eu talvez não tivesse causado tantas dores de cabeça aos EUA”, comentou o dirigente no livro Fidel Castro, biografia a duas vozes.

FIDEL EXPLICA A BARBA…
“A barba surgiu das difíceis condições que enfrentávamos na guerrilha. Não tínhamos lâmina de barbear nem navalhas. Quando nos vimos no coração da montanha, a barba e o cabelo de todo mundo haviam crescido, e no final isso se transformou em uma espécie de identificação. Tinha seu lado positivo: para que infiltrassem um espião na guerrilha, era preciso prepará-lo com muita antecedência, para que o indivíduo tivesse uma barba de seis meses. Além disso, a barba tem uma vantagem prática: você não precisa se barbear todo dia. Se você multiplicar pelos dias do ano os quinze minutos diários que leva para fazer a barba, vai verificar que dedica quase 5500 minutos a essa tarefa. Como uma jornada de trabalho representa 480 minutos, isso significa que, ao deixar de fazer a barba, você ganha por um ano uns dez dias”. A explicação foi dada em entrevista para o livro Fidel Castro, biografia a duas vozes.

…E O UNIFORME
“É, antes de tudo, uma questão prática, porque com o uniforme não preciso colocar gravata todos os dias. E evita o problema de ficar escolhendo o que vestir, que camisa, que meias, para deixar tudo combinando”, disse o ditador, no mesmo livro.

“NÃO SOU DITADOR”
Apesar dos mais de 47 anos que passou no comando de Cuba sem disputar eleições, Fidel Castro não se considerava um ditador. “Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público”, dizia. Ao falar sobre tiranos de outros países, o cubano não primava pela diplomacia, como é possível ver nos casos abaixo e ao lado, em que dispara críticas até mesmo a ditadores comunistas.

MAO TSÉ-TUNG
“Mao Tsé-tung escreveu páginas brilhantes na história. Mas tenho a absoluta convicção de que na etapa final da sua vida cometeu grandes erros políticos. Não foram erros de direita, foram erros de esquerda ou, melhor dizendo, ideias extremistas de esquerda. Os métodos para pôr essas ideias em prática foram severos, injustos, como durante a chamada “revolução cultural”, e acho que, como consequência de uma política extremista de esquerda, houve depois uma guinada para a direita dentro do processo revolucionário chinês, porque todos esses grandes erros tiveram sua contrapartida.”

SLOBODAN MILOSEVIC
O ex-ditador iugoslavo era outro criticado por Castro. “Milosevic foi um desastre como dirigente, racista, corrupto, só apostava na força”, disse o cubano em 2005.

MOCINHO OU BANDIDO?
Quando menino, Fidel gostava de filmes de faroeste. “Eu levava a sério as habilidades daqueles caubóis. Depois, já adulto, divertia-me com aquilo como algo cômico. Daqueles revólveres cujas balas nunca acabavam, só quando convinha que acabassem; não havia metralhadoras naquela época, e eram tiros e mais tiros…”

ALUNO NOTA 10?
Aos 12 anos, quando estudava em um colégio de jesuítas, Fidel precisava tirar a nota máxima em todas as disciplinas para que sua tutora desse a ele dinheiro para comprar a revista de história em quadrinhos “El Gorrión”. Então, o menino disse à direção da escola que havia perdido sua caderneta de notas, para ganhar outra. De posse de duas cadernetas, falsificava as notas. “Eu só colocava dez. Nenhum nove. Minha tutora acreditava que eu era o aluno mais brilhante que já havia passado pela escola”.

HEMINGWAY
O escritor norte-americano Ernest Hemingway, ganhador do Nobel da literatura em 1953, possuía uma casa em Cuba e ficou amigo de Fidel. “Ele gostava de Cuba. Viveu aqui, deixou-nos muitas coisas, sua biblioteca, sua casa, que é hoje um museu. Gostaria de tê-lo conhecido melhor, de ter tido mais intimidade”.

MAIS HEMINGWAY
Um dos livros do norte-americano influenciou inclusive as táticas militares de Fidel. Li ‘Por quem os sinos dobram’ pela primeira vez na minha época de estudante. E depois devo ter lido mais de três vezes. Conheço também o filme que foi feito mais tarde. Esse livro me interessava porque tratava de uma luta na retaguarda de um exército convencional. Falava na vida na retaguarda, e nos esclarecia sobre a existência de uma guerrilha, sobre como esta pode agir em um território supostamente controlado pelo inimigo. ‘Por quem os sinos dobram’ nos permitia enxergar essa experiência. Voltamos a ele sempre, para consultá-lo, para nos inspirarmos, até quando éramos guerrilheiros”.

MERETRIZES GABARITADAS
Em 1995, durante uma entrevista coletiva, questionado sobre o fato de que cubanas com terceiro grau estavam sendo levadas à prostituição pela crise que decorreu do colapso do regime soviético, Fidel fez uma plateia de jornalistas inicialmente hostis rir com um jogo de palavras: era a educação em Cuba tão boa que até as prostitutas tinham diploma.

FIDEL, SOBRE CHE
Em discurso presenciado por mais de 1 milhão de pessoas em Havana, Fidel homenageou Che Guevara. De acordo com o livro Che – Na lembrança de Fidel, da Casa Jorge Editorial, o ditador declarou: “Se queremos um modelo de um ser humano que não pertença ao nosso tempo, mas ao futuro, eu digo, das profundezas do meu coração, que este modelo, sem uma única mancha em sua conduta, sem uma única mancha em sua ação, sem uma única mancha em seu comportamento, é o Che!”

STALIN
“Stalin cometeu erros políticos e erros táticos, e não vou entrar nos problemas internos, que são conhecidos, o abuso da força, a repressão, o culto à personalidade. Teve visão e alguns méritos, mas métodos autoritários, brutais, repressivos. E a grande culpa que teve por esse país ter sido invadido, em 1941, por milhões de soldados alemães”.


Fonte: portal Limpinho & Cheiroso